Região

Como baixos salários e discursos da extrema direita contribuem para a violência contra professores

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Em casos de violência dentro de escolas que ganharam repercussão na imprensa nas últimas semanas, os profissionais da educação são as principais vítimas. O Brasil lidera o ranking de violência contra professores, segundo levantamento feito em 2024 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que ouviu 280 mil professores e diretores de escola de 55 países.

Além disso, um levantamento do Centro do Professorado Paulista (CPP) com 1.144 professores revela que seis em cada dez entrevistados afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão em sala de aula ou no ambiente escolar.

O colunista do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), avalia que essa crescente violência é resultado de um cenário de tensionamento das relações entre professores e alunos criado pela extrema direita, com ideias, como, por exemplo, o escola sem partido.

“Há uma crise entre alunos e professores, e famílias e professores. Esses movimentos de extrema direita decidiram desconstruir a educação científica, a educação filosófica, a educação que de fato forma os estudantes para pensarem e para agirem politicamente, para disputarem o poder, para tentarem determinar o destino do Estado brasileiro”, critica. “Quem defende a educação não pode defender as pautas da extrema direita.”

Cara analisa que, como resposta, a valorização de professores é fundamental. “O primeiro ponto é tratar os professores como profissionais que tiveram uma formação adequada para isso. Muitas vezes as pessoas confundem o magistério com o sacerdócio. É preciso melhorar as condições de trabalho dos professores, a remuneração e a carreira”, defende.

E dá como exemplo um caso de aumento salarial realizado como política pública em Nova York, que resultou na redução da violência em ambiente escolar. “Nova York, hoje com Mamdani, tem valorizado os professores, tem valorizado a carreira e tem diminuído o número de ataques a professores. O motivo é bem simples. É duro dizer isso, para mim como professor, inclusive me dói dizer isso, mas é um fato. O professor, ganhando mais, automaticamente tem maior reconhecimento pela sociedade. Infelizmente, a sociedade trata o dinheiro como um equalizador comum para julgar o sucesso das pessoas”, afirma.

Muito além de mais tempo na escola

Em sua participação, Daniel Cara também comentou sobre o debate em torno da educação integral e destacou que falta um projeto para que isso ocorra. Além disso, rejeitou uma proposta de apenas manter o aluno mais tempo dentro da escola.

Para Daniel Cara, é necessário trabalhar de forma articulada a cultura, os esportes, a perspectiva crítica das mídias e a educação política. “O Brasil tem que avançar na educação integral, mas essa educação precisa considerar, além da sala de aula, atividades culturais, artísticas, esportivas, enfim, uma série de outras atividades. Aí sim a gente vai ter um salto de qualidade”, pontua.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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