Uma força-tarefa formada por técnicos da Autoridade Portuária Federal (Codeba) e da Marinha do Brasil atuou durante todo o fim de semana na organização da operação que deve marcar a retomada da navegação comercial na Hidrovia do Rio São Francisco.
O planejamento envolve o deslocamento de um comboio de embarcações entre Pirapora, em Minas Gerais, e Juazeiro, no norte da Bahia, em uma etapa tratada como estratégica para reativar o corredor hidroviário. Segundo a Codeba, a operação depende de estudos técnicos, monitoramento contínuo e avaliação das condições naturais do rio, que nesta época apresentam cenário favorável à navegação por causa da cheia.
A autoridade portuária informou que o projeto da nova Hidrovia do São Francisco foi elaborado após autorização do Ministério de Portos e Aeroportos. Em agosto de 2025, o ministério anunciou a liberação de estudos técnicos para a reativação da navegação comercial no trecho, com foco na retomada da infraestrutura hidroviária e em sua futura exploração logística.
Embarcações serão levadas para manutenção em Juazeiro
De acordo com a Codeba, toda a documentação das embarcações já foi organizada junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para permitir o transporte até Juazeiro, onde os equipamentos passarão por manutenção. O comboio é composto por uma barca, uma Chata CS, uma draga matrichã e o barco-hotel Cidade Pirapora, que possui 28 camarotes e capacidade para até 80 passageiros.
O chefe de gabinete da Codeba, Carlos Luciano, acompanhou o planejamento da operação em Pirapora. Segundo a companhia, ele destacou que o atual cenário hidrológico favorece o deslocamento, com os reservatórios de Sobradinho e Três Marias em níveis elevados, o que amplia as condições de navegabilidade. A saída do comboio, porém, ainda depende da autorização final da Marinha.
Dragagem é etapa central para reativação da hidrovia
Com 1.371 quilômetros de extensão navegável entre Pirapora, Juazeiro e Petrolina, a Hidrovia do São Francisco é tratada pelo governo federal como uma estrutura com potencial para reorganizar o transporte de cargas entre o Sudeste e o Nordeste. Para a retomada da navegação comercial, no entanto, será necessário executar serviços de dragagem em áreas assoreadas do rio, especialmente nos trechos que hoje impõem maior dificuldade de passagem.
Segundo a Codeba, o transporte das embarcações por áreas assoreadas exige esforço operacional e precisão técnica da tripulação. Essa fase é considerada preparatória para uma nova etapa da hidrovia, voltada à recuperação da atividade comercial em um trecho historicamente importante para a circulação de mercadorias no Vale do São Francisco.
Governo vê potencial logístico e econômico no projeto
Ao autorizar os estudos técnicos, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que a nova hidrovia poderá movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação comercial. A proposta também prevê integração com outros modais de transporte, como rodovias e ferrovias, com expectativa de redução de custos logísticos e ampliação da competitividade regional.
Para Juazeiro e outras cidades do Vale do São Francisco, a retomada da navegação comercial reacende a perspectiva de fortalecimento da economia regional e de reocupação de uma via historicamente ligada ao desenvolvimento do interior brasileiro. A atual operação em preparação pela CODEBA e pela Marinha representa, nesse contexto, um passo inicial para recolocar a hidrovia em funcionamento.













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