O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início, nesta quinta-feira (13), ao processo de reciprocidade ao tarifaço imposto ao Brasil pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) compartilhou o pleito com os membros do Comitê Executivo de Gestão da câmara e notificou o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo, solicitando a realização de consultas diplomáticas.
Desde julho, o governo Trump impôs altas tarifas aos produtos brasileiros, com sobretaxa de 25% sobre cerca de 3 mil itens, além de alíquotas adicionais de 12,5% aplicadas para alguns deles, o que faz com que as alíquotas possam chegar a até 37,5%.
Na nota, o governo brasileiro afirma que “apresentou evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio do Brasil”. “As tarifas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, completa.
O governo Lula informou ainda que “seguirá atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas dos Estados Unidos à economia e à renda dos brasileiros”, com “medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas por meio do Plano Brasil Soberano”. Já foram anunciados R$ 18,5 bilhões para proteger empresas das medidas estadunidenses.
Mais punição
No mesmo dia em que o Brasil anuncia a reciprocidade, os EUA apresentaram um relatório acusando o Brasil de ajudar a China a driblar tarifas e colocaram o país em uma lista de alto risco comercial, da qual fazem parte mais de 40 países. Segundo o relatório, Pequim estaria enviando produtos para outros países para embalagem e montagem, maquiando as exportações chinesas para os EUA.
“Durante anos, o grande golpe do transbordo comercial permitiu que a China comunista lavasse suas exportações”, declarou o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, ao apresentar o relatório a jornalistas.
São três níveis de ligação com Pequim. O Brasil foi incluído no “nível 2”, classificado como “integração econômica significativa”, ao lado de países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. No “nível 1”, países como Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão e México, classificados como de “maiores volumes absolutos”, com “risco embutido em fluxos comerciais amplos e legítimos”.
Segundo o governo de Trump, entre US$ 34,2 bilhões (R$ 177,5 bilhões) e US$ 303 bilhões (R$ 1,572 trilhão) em mercadorias estariam sendo redirecionados anualmente dessa forma.













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