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Bahia reduziu homicídios, mas segue entre estados mais violentos do país segundo Atlas da Violência 2026

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A Bahia registrou 6.061 homicídios em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira, 27 de maio, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número representa queda de 8,4% em relação a 2023, quando foram contabilizados 6.616 homicídios no estado.

Apesar da redução, a Bahia permaneceu entre os estados com maiores níveis de violência letal do país. A taxa baiana foi de 40,9 homicídios registrados por 100 mil habitantes em 2024, mais que o dobro da média nacional, de 20,1.

No recorte por Unidades da Federação, o estado ficou atrás apenas do Amapá, que registrou taxa de 45,7 homicídios por 100 mil habitantes. O levantamento considera os registros oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

O Atlas da Violência 2026 marca dez anos da publicação e utiliza principalmente dados do SIM e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). A edição também mantém a análise dos chamados homicídios ocultos, estimados a partir de mortes violentas classificadas sem causa determinada.

Taxa caiu, mas segue acima da média nacional

Na série oficial do Ministério da Saúde, a taxa de homicídios na Bahia caiu de 44,7 para 40,9 por 100 mil habitantes entre 2023 e 2024, redução de 8,5%. Em números absolutos, foram 555 mortes a menos na comparação entre os dois anos.

Mesmo com a queda, o indicador baiano permaneceu distante do cenário nacional. No Brasil, foram 42.590 homicídios registrados em 2024, com taxa de 20,1 por 100 mil habitantes.

O relatório destaca que a redução nacional precisa ser lida com cautela, devido ao aumento das mortes violentas com causa indeterminada. Segundo o Atlas, parte desses registros pode corresponder a homicídios não classificados corretamente nas estatísticas oficiais.

Quando o levantamento considera os homicídios estimados, que incluem parte dessas mortes violentas reclassificadas como homicídios, a Bahia aparece com 6.316 casos em 2024. A taxa estimada foi de 42,6 por 100 mil habitantes, contra 45,6 no ano anterior.

Essa diferença mostra que, além dos 6.061 homicídios registrados oficialmente, o estudo estima outros 255 casos ocultos no estado em 2024. No país, a taxa estimada ficou praticamente estável, passando de 23,5 para 23,4 por 100 mil habitantes entre 2023 e 2024.

Dez cidades baianas estão entre as 20 mais violentas do país

O Atlas da Violência 2026 também traz um recorte dos municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Nesse grupo, a Bahia concentra metade das 20 cidades com maiores taxas estimadas de homicídio em 2024.

Jequié aparece como a cidade baiana mais violenta no levantamento, com taxa estimada de 79,4 homicídios por 100 mil habitantes. O município ficou em segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas de Maranguape, no Ceará, que registrou taxa de 87,2.

Além de Jequié, aparecem entre as 20 maiores taxas do país os municípios baianos de Juazeiro, Feira de Santana, Porto Seguro, Simões Filho, Camaçari, Teixeira de Freitas, Lauro de Freitas, Ilhéus e Salvador.

Juazeiro teve taxa estimada de 71,1 homicídios por 100 mil habitantes. Feira de Santana registrou 67, Porto Seguro ficou com 64,6, Simões Filho com 64, Camaçari com 62,9, Teixeira de Freitas com 60,7, Lauro de Freitas com 57,8, Ilhéus com 55,5 e Salvador com 52,7.

O levantamento também mostra Santo Antônio de Jesus entre os municípios com taxas elevadas. A cidade registrou 50,3 homicídios estimados por 100 mil habitantes, índice acima da média nacional estimada, de 23,4.

Salvador liderou entre as capitais brasileiras, com taxa estimada de 52,7 homicídios por 100 mil habitantes. Em seguida vieram Maceió, Macapá, Recife e Fortaleza. Entre as capitais com menores taxas estavam Florianópolis, Distrito Federal, Curitiba, Goiânia e São Paulo.

Na outra ponta do ranking nacional, os menores indicadores entre municípios com mais de 100 mil habitantes foram registrados em Jaraguá do Sul (SC), Brusque (SC), Santa Bárbara d’Oeste (SP), Lavras (MG) e Bragança Paulista (SP). Nenhuma cidade baiana aparece entre as 20 menores taxas do país nesse recorte. O melhor resultado foi de Vitória da Conquista, com 26,9 homicídios por 100 mil habitantes.

O relatório ressalta que, em municípios menores, a leitura das taxas exige cautela, porque poucos casos podem elevar fortemente o indicador. Por isso, o ranking municipal destacado pelo Atlas considera as cidades com mais de 100 mil habitantes, permitindo comparação mais estável entre os maiores centros urbanos.

Comparação com o Atlas de 2025

A edição anterior do Atlas, divulgada em 2025 com dados referentes a 2023, já colocava a Bahia em posição de destaque negativo. Naquele levantamento, o estado aparecia com 6.616 homicídios registrados e taxa de 44,7 por 100 mil habitantes.

O Atlas 2025 também mostrava a Bahia entre as Unidades da Federação com maiores taxas de violência letal do país. Naquele ano, a média nacional era de 21,2 homicídios por 100 mil habitantes, menos da metade do indicador baiano.

A comparação entre as duas edições indica melhora no dado mais recente, mas não altera o diagnóstico central: a Bahia segue entre os estados com maior incidência de violência letal no país, principalmente nos recortes de juventude, raça, gênero e uso de armas de fogo.

Jovens continuam como principais vítimas

O recorte por idade mostra uma das dimensões mais críticas da violência no estado. Em 2024, a Bahia registrou 3.440 homicídios de jovens de 15 a 29 anos. O número representa queda de 11,6% em relação a 2023, quando foram contabilizadas 3.892 mortes nessa faixa etária.

A taxa baiana de homicídios de jovens ficou em 101,8 por 100 mil habitantes em 2024. O índice foi o segundo maior do país, atrás apenas do Amapá, que registrou 114,7. A média nacional para jovens foi de 42,2 por 100 mil habitantes.

No Atlas da Violência 2025, com dados de 2023, a taxa da Bahia para esse grupo era de 113,7 por 100 mil jovens. A queda registrada em 2024 reduziu o indicador, mas manteve o estado em patamar muito superior ao nacional.

Homicídios de mulheres tiveram queda

O Atlas também aponta redução nos homicídios de mulheres na Bahia. Foram 414 casos registrados em 2024, contra 463 em 2023, queda de 10,6%. A taxa passou de 6,0 para 5,4 homicídios de mulheres por 100 mil habitantes.

Mesmo com a redução, a Bahia aparece entre os estados com maiores taxas de homicídios de mulheres em 2024. Segundo o relatório, Roraima, Rondônia, Ceará, Pernambuco e Bahia concentraram os indicadores mais elevados, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

Na edição de 2025, a Bahia havia registrado 463 homicídios de mulheres e taxa de 5,9 por 100 mil habitantes em 2023. O resultado de 2024 interrompeu a alta observada no ano anterior, mas ainda deixou o estado acima da taxa nacional, de 3,4.

Pessoas negras são maioria entre as vítimas

O recorte racial mostra a concentração da violência letal sobre a população negra. Em 2024, a Bahia teve 5.639 homicídios de pessoas negras, queda de 7,4% em relação aos 6.088 casos registrados em 2023.

A taxa de homicídios de pessoas negras no estado passou de 51,8 para 47,1 por 100 mil habitantes. Entre pessoas não negras, foram 327 homicídios em 2024, com taxa de 11,5 por 100 mil habitantes.

Isso significa que a taxa de homicídios de pessoas negras na Bahia foi cerca de quatro vezes maior do que a registrada entre pessoas não negras. O dado reforça a desigualdade racial presente na distribuição das mortes violentas no estado.

No Atlas de 2025, a Bahia já aparecia com uma das maiores taxas de homicídios de pessoas negras do país. Naquele relatório, referente a 2023, o estado tinha taxa de 50,8 por 100 mil habitantes, atrás apenas do Amapá entre os maiores indicadores nacionais destacados pelo estudo.

Armas de fogo estão presentes em oito de cada dez homicídios

As armas de fogo seguem como principal instrumento da violência letal na Bahia. Em 2024, o estado registrou 4.914 homicídios por arma de fogo, queda de 10,9% em relação a 2023, quando foram contabilizados 5.514 casos.

A taxa baiana de homicídios por arma de fogo ficou em 33,1 por 100 mil habitantes, acima da média nacional, de 14,1. O indicador caiu em relação a 2023, quando estava em 37,2, mas permaneceu entre os mais altos do país.

Segundo o Atlas 2026, 81,1% dos homicídios registrados na Bahia em 2024 foram cometidos com arma de fogo. A proporção ficou acima da média nacional, de 70,1%, e praticamente estável em relação ao padrão observado no estado ao longo da série histórica.

Mortes no trânsito aumentaram no estado

Além da violência intencional, o Atlas da Violência 2026 traz dados sobre mortes associadas a sinistros no transporte terrestre. Nesse recorte, a Bahia registrou 3.041 óbitos em 2024, aumento de 10,7% em relação a 2023, quando foram registrados 2.747 casos.

A taxa baiana de mortes no trânsito chegou a 20,5 por 100 mil habitantes em 2024, acima da média nacional, de 17,5. Em 2023, o indicador estadual era de 18,6, o que aponta crescimento de 10,2% na taxa em um ano.

Leitura dos dados

O recorte da Bahia no Atlas da Violência 2026 mostra um quadro de redução nos homicídios registrados, inclusive entre jovens, mulheres, pessoas negras e ocorrências com armas de fogo. No entanto, os indicadores permanecem elevados e, em vários recortes, acima da média nacional.

A comparação com o Atlas de 2025 reforça que a queda mais recente não foi suficiente para retirar o estado do grupo de maior letalidade no país. A Bahia segue com taxas altas em praticamente todos os principais indicadores de violência letal analisados pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O relatório também chama atenção para os limites das estatísticas oficiais. A existência de homicídios ocultos, estimados a partir de mortes violentas com causa indeterminada, indica que a leitura da violência letal depende não apenas da redução dos casos registrados, mas também da qualidade dos dados produzidos pelos sistemas públicos de informação.

O Atlas da Violência é produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A edição de 2026 utiliza dados de 2024 e consolida uma série histórica sobre homicídios, violência contra grupos vulnerabilizados, armas de fogo e mortes no trânsito no Brasil e nas Unidades da Federação.

Veja o Atlas da Violência 2026 completo



Com informações do Agência Sertão

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