A Prefeitura de Guanambi realizou, nesta terça-feira, 2 de junho, audiência pública para apresentar e discutir o projeto de implantação do transporte público coletivo no município. A proposta prevê a criação de oito linhas de ônibus, sendo seis urbanas e duas distritais e rurais, com ligação entre bairros, centro da cidade e distritos.
A audiência foi uma das etapas que antecedem a abertura do processo licitatório para concessão do serviço. Segundo a gestão municipal, o projeto vem sendo elaborado há cerca de um ano e passou por consulta pública eletrônica, encerrada na segunda-feira (1º). As sugestões apresentadas pela população na consulta e durante a audiência serão reunidas em relatório antes da publicação do edital de licitação.
Durante a abertura, o secretário municipal de Administração, Anderson Ribeiro, afirmou que o município realizou tratativas, estudos e discussões com entidades e órgãos de controle para chegar à fase atual do processo. Ele destacou que a audiência tem o objetivo de colher contribuições para aperfeiçoar o edital e a futura execução do serviço.
O prefeito Arnaldo Azevedo, o Nal, afirmou que a implantação do transporte coletivo é uma demanda antiga de Guanambi. Ele lembrou que o município já contou com linhas urbanas no passado, operadas pela empresa Guanambi Turismo, mas o serviço foi interrompido. Segundo o prefeito, o crescimento da cidade e a expansão dos bairros aumentaram a necessidade de um sistema regular de transporte público.
De acordo com a apresentação feita durante a audiência, o projeto inicial prevê seis linhas urbanas, com percursos entre 9,3 km e 15,5 km, e duas linhas distritais. A Linha 7 atenderá Ceraíma, com percurso de 27,8 km, enquanto a Linha 8 atenderá Mutãs, com extensão de aproximadamente 60 km.
As linhas urbanas devem atender regiões como Morada dos Pássaros, Beija-Flor, Ipanema, Alto Caiçara, Santo Antônio, Liberdade, Brasília, Floresta, Belo Horizonte, São Sebastião, Novo Horizonte, Anita Cardoso, Residencial das Árvores, BNH e Alvorada.
No modelo apresentado, as linhas 1, 2, 5 e 6 terão previsão de 14 viagens por dia em dias úteis, 11 viagens aos sábados e seis viagens aos domingos e feriados. Essas linhas devem iniciar as operações por volta das 5h20 nos bairros e 6h no centro, com encerramento previsto por volta das 23h20.
As linhas 3, 4, 7 e 8 terão programação diferenciada. A Linha 3, entre Brasília e Floresta, deve ter 18 viagens em dias úteis, 12 aos sábados e seis aos domingos e feriados. A Linha 4, entre Belo Horizonte e São Sebastião, deve contar com 12 viagens em dias úteis, nove aos sábados e seis aos domingos. Para Ceraíma, estão previstas nove viagens em dias úteis e aos sábados, e quatro aos domingos e feriados. Já a linha de Mutãs deve ter dez viagens em dias úteis, nove aos sábados e quatro aos domingos e feriados.
O projeto prevê ainda a implantação de uma estrutura central de integração das linhas. Segundo o prefeito, a gestão estuda a criação de uma central de transbordo na área da antiga Escola Getúlio Vargas, com o objetivo de concentrar a chegada e saída dos ônibus e permitir a integração entre os itinerários.
A frota prevista terá nove ônibus em operação e dois veículos reserva. Os ônibus deverão ter idade máxima de sete anos, ar-condicionado e condições de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de espaços reservados para embarque seguro de idosos, gestantes e demais usuários.
O sistema também deverá contar com bilhetagem eletrônica, embora o pagamento em dinheiro também tenha sido citado como possibilidade. Todos os veículos deverão possuir GPS e monitoramento em tempo real, além de integração com um centro de controle operacional e serviço de atendimento ao usuário.
A tarifa ainda não foi definida. Durante a apresentação, o assessor jurídico Diego Emerson explicou que o valor dependerá do processo licitatório. A concorrência deverá considerar o maior desconto sobre a tarifa técnica, que representa o custo do serviço. A tarifa final ao usuário poderá ser reduzida por meio de subsídio do município.
Também foi informado que a proposta trabalha com tarifa única, sem variação por distância. A Prefeitura estuda a implantação de bilhete único, para permitir integração entre linhas no terminal central. Assim, o usuário poderia sair de um bairro, passar pelo centro e seguir para outro destino, como Ceraíma, pagando uma única tarifa.
A audiência também tratou de pontos de parada, acessibilidade e infraestrutura viária. Durante a consulta pública, moradores solicitaram pontos cobertos, especialmente por causa do calor em Guanambi. A Prefeitura informou que pretende implantar um modelo piloto de ponto de ônibus e buscar parcerias com a iniciativa privada para adoção e manutenção de estruturas.
Outro ponto discutido foi a necessidade de intervenções no trânsito. O prefeito afirmou que algumas ruas poderão passar por mudanças de fluxo, adequações de sentido e outras intervenções para permitir a circulação dos ônibus. Também foram citadas ações de pavimentação em bairros que integram ou poderão integrar os itinerários.
Durante a participação popular, moradores e representantes de entidades apresentaram questionamentos e sugestões. Um morador do bairro Anita Cardoso apontou que, embora a linha 5 cite o bairro, o itinerário apresentado não incluía ruas internas da localidade. Em resposta, o prefeito afirmou que será feita pavimentação de um novo acesso ligando o Residencial das Árvores ao Anita Cardoso.
Representante do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Guanambi e Região (Sispumur), Jusceline Brito Cardoso manifestou posição favorável à retomada do transporte público, mas defendeu a manutenção da política de auxílio-transporte dos servidores municipais. Segundo ela, o benefício existe há mais de 20 anos e não deveria ser substituído de forma automática pelo vale-transporte.
Também houve cobrança por mais debate sobre mobilidade urbana e planejamento. Representante de grupo de idosos, Idalcino Cordeiro defendeu que o tema seja discutido com mais profundidade, inclusive nas associações comunitárias, antes da publicação do edital. Ele também apontou dificuldades de acessibilidade em bairros e a necessidade de engenharia de trânsito.
A inclusão do distrito de Morrinhos foi outro ponto de discussão. O radialista José Roberto Teixeira afirmou que moradores do distrito questionavam a ausência da localidade no projeto inicial. Após a manifestação, o prefeito informou que a partir da audiência o município deverá incluir Morrinhos nos estudos para que o distrito também seja contemplado na legislação e no planejamento do serviço.
A situação dos trabalhadores do transporte alternativo também foi abordada. O vereador William de Zaqueu citou a preocupação de profissionais que atuam há anos na linha de Mutãs e afirmou que buscará diálogo com o Executivo para tratar da situação dessas famílias. Representante dos mototaxistas, Enilton avaliou a audiência de forma positiva e afirmou que a categoria não se opõe ao transporte coletivo, por entender que ele será mais uma opção de deslocamento para a população.
O atendimento ao IF Baiano – Campus Guanambi, localizado em Ceraíma, também entrou na discussão. O vereador Edmilson da Mendel retomou a pauta debatida pela manhã na Câmara Municipal, quando apresentou indicação pedindo transporte gratuito para estudantes da instituição. Durante a audiência, ele perguntou sobre a possibilidade de a linha ou um ponto atender diretamente o campus.
O diretor do IF Baiano, Ariomar Rodrigues, reforçou a importância de a linha chegar até a portaria da unidade. Segundo ele, o campus tem mais de 1.800 alunos distribuídos nos três turnos e a medida beneficiaria estudantes que moram em Ceraíma e também aqueles que fazem deslocamentos entre Guanambi, o distrito e o campus.
A comandante do 17º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Gilmara Santana, também participou da audiência. Ela avaliou que o transporte coletivo pode contribuir para a segurança pública, especialmente pela possibilidade de reduzir a circulação de veículos particulares e motocicletas, diminuindo riscos de acidentes de trânsito.
Ao fim da audiência, foi informado que a administração municipal terá prazo de 15 dias para reunir as sugestões, responder aos questionamentos e consolidar o relatório do processo participativo. O documento deverá integrar a fase preparatória para a publicação do edital de licitação.
A gestão municipal informou ainda que, mesmo após o encerramento formal da consulta pública, novos questionamentos poderão ser encaminhados ao município. Segundo a apresentação, todas as manifestações registradas na consulta online e na audiência presencial serão respondidas no relatório final.













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