Por Jaider Fernandes Reis e Fernanda Cristina Salviano Dos Santos Silva
Para que educamos? A pergunta, aparentemente simples, permanece no centro dos debates sobre a escola e a formação das novas gerações. Em um cenário marcado pelo acesso veloz e quase ilimitado à informação, o desafio educacional já não está apenas em transmitir conteúdos, mas em formar sujeitos capazes de compreender, questionar e atribuir sentido ao que encontram.
É nesse contexto que o pensamento de Antônio Joaquim Severino mantém sua atualidade. Filósofo, professor e pesquisador, Severino dedicou sua trajetória à reflexão sobre a educação e defendeu uma formação que ultrapasse a simples transmissão de conhecimentos. Para ele, o estudante deve ocupar uma posição ativa no processo de aprendizagem: mais do que receber informações, precisa desenvolver a capacidade de ler criticamente, formular perguntas, pesquisar e produzir conhecimento.
Ao refletir sobre o ensino de Filosofia, Severino demonstrava especial preocupação com a aproximação entre os jovens e os textos filosóficos. Para ele, era fundamental criar condições para que o estudante não apenas tivesse contato com as obras, mas pudesse interpretá-las, refletir sobre suas ideias e relacioná-las às experiências e questões de seu cotidiano. Essa perspectiva também valorizava o diálogo da Filosofia com outros campos do conhecimento e diferentes linguagens, como história, literatura, ciências, cinema e teatro.
A concepção defendida por Severino lança luz sobre um desafio que permanece atual na educação: como estimular os jovens a ler, interpretar e pensar criticamente em um contexto marcado pelo excesso e pela velocidade das informações?�
Ler, nessa perspectiva, ultrapassa a tarefa de concluir um livro ou cumprir uma atividade escolar. Significa compreender, questionar, comparar ideias e construir posicionamentos diante da realidade. Significa, ainda, desenvolver um olhar atento para as informações que circulam cotidianamente, evitando aceitá-las de forma imediata e irrefletida.
Esse desafio se torna ainda mais evidente no cotidiano das novas gerações, permanentemente expostas a conteúdos, opiniões e discursos, sobretudo nas redes sociais. Nesse cenário, a escola pode desempenhar um papel decisivo ao criar espaços de leitura, diálogo e reflexão. Mais do que oferecer respostas prontas, pode contribuir para que os estudantes aprendam a formular perguntas, confrontar diferentes perspectivas e construir caminhos próprios para compreender o mundo que os cerca.
Homenagear Severino, portanto, significa trazer suas questões para o presente e recolocá-las no centro do debate educacional: que jovens queremos formar? Estamos ensinando apenas conteúdos ou criando condições para que eles desenvolvam autonomia intelectual, compreendam a realidade e participem de sua transformação?
Talvez esteja aí um dos principais legados de Antônio Joaquim Severino: lembrar que educar não se resume à transmissão de conhecimentos. Educar também é criar condições para que cada estudante aprenda a pensar, a questionar e a posicionar-se diante do mundo.
É sob essa perspectiva que o Programa Bibliografia Viva dedica seu quinto episódio da sexta temporada a Antônio Joaquim Severino. Com o tema “Filosofia e Epistemologia da Educação na obra de Antônio Joaquim Severino”, o encontro será realizado no dia 25 de agosto, às 19h, com transmissão pelo canal da ANPEd Nacional no YouTube.
Jaider Fernandes Reis é professor do curso de Pedagogia da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG – Ibirité).
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Fernanda Cristina Salviano dos Santos Silva é graduanda em História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG- Ibirité).
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Este é um artigo de opinião. A visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do jornal













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