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Pé dentro, Pé fora: a experiência brasileira

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A eleição está aí, na porta. Além de fazer campanha manhã, tarde, noite, madrugada, para ganhar lá, Brasil, e cá, Rio Grande do Sul,  é preciso estar sempre atento à conjuntura, aos novos acontecimentos, muitos, complicados e de todos os tipos, e refletir sobre seu significado e importância politica e histórica.

Em 2012, o educador popular e intelectual orgânico Pedro Pontual e eu escrevemos e publicamos uma reflexão, ainda muito atual, na revista La Piragua, do CEAAL, Conselho de Educação Popular da América Latina e Caribe, do qual Paulo Freire foi o primeiro presidente. Título: PÉ DENTRO, PÉ FORA: A ESPERIÊNCIA BRASILEIRA, em tempos de governo Dilma Rousseff (Educación Popular Y Dinámicas de Construcción del Poder em América Latina y el Caribe, in La Piragua, CEAAL, nº 37, agosto/2012).

14 anos depois, em 2026, vale revisitar a reflexão, que permanece muito atual. Escrevemos: “Pé fora, na sociedade, pé dentro, no governo: Como essa equação se resolve? É possível pensar em educação popular como política pública? Como seria a questão da institucionalidade? Que forma assumiria esta política pública? Que instrumentos garantiriam a sua efetividade? Democratizando as políticas públicas, ainda seria necessário garantir os princípios da educação popular?“ (Selvino Heck, Pedro Pontual, Pé dentro, Pé fora: a Experiência brasileira, La Piragua, nº 37, agosto/2012, p. 90 e ss).

Lembramos o seguinte (p. 93): “No início do primeiro governo de Luiz Inácio da Silva (2003-2006), Frei Betto, chamado para coordenar a mobilização social do Programa Fome Zero, anunciou: ´É preciso matar a fome de pão e saciar a sede de beleza. ”A ideia central era a de construir o controle social pelas bases, a partir da conscientização e organização de base da população do Programa em questão, como uma forma de ´socialização de base do poder político´, a partir das necessidades da população oprimida. Sem dúvida, uma concepção freireana da política” (Cláudio Nascimento e Conceição Paludo, em ´A Forma Comunidade: a experiência da RECID, in ´Pé dentro, pé fora na Ciranda do Poder Popular, Rede de Educação Cidadã, Instituto Paulo Freire, Secretaria de Direitos Humanos, p. 322, 2012).

“A educação popular torna-se, deste modo um dos instrumentos da disputa de hegemonia, através de experiências portadoras do novo na sociedade civil e no Estado, em processos de políticas públicas que sinalizem o processo de democratização destas relações e estruturas em todos os seus níveis, do local ao nacional e também ao mundial” (p. 92).

Assim, foi feito e aconteceu nos dois governos Lulae no governo Dilma, com a criação da RECID, Rede de Educação Cidadã, com a PNEPS- SUS, Política nacional de Educação Popular em Saúde, cm a Educação Popular e Economia Solidária, entre outras muitas ações de formação na ação.

A fala Gilberto Carvalho, então ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, no XI Encontro da RECID, Rede de Educação Cidadã, em maio de 2012, dá sentido à expressão  ´pé dentro, pé fora (p. 100)): “É fundamental o cuidar no sentido humano, o cuidar das pessoas, o cuidado do afeto do crescimento da integralidade do ser humano e o cuidar da natureza. Essa relação em que você pode, sim, fazer infraestrutura, pode fazer estrada, pode fazer energia elétrica, mas pode fazê-lo preservando, respeitando a natureza, salvando o futuro das próximas gerações. Os movimentos sociais, e vocês sabem melhor que eu, têm um projeto que vai muito além de um governo. O nosso projeto de construção de uma nova sociedade não pode ficar limitado ao projeto de um governo. Ele tem que ir além. Tem que exigir a utopia. É exatamente a perseguição de um ideal, de um sonho. Se eu pudesse definir o trabalho de vocês, educadoras e educadores, da Rede de Educação Cidadã, eu acho que esse trabalho, me permitam retomar uma figura do Evangelho, é o fermento na massa, do fermento silencioso, sem aparecer nada, quase se confundindo com a massa. Toma-se massa, como bate um pão. O fermento desaparece no pão. Mas no silêncio daquela massa vai levedando, fazendo com que a massa cresça. Assim que eu enxergo o trabalho de vocês. E insisto. Vocês têm, como lideranças sociais, nós temos como lideranças que estão no governo, uma enorme responsabilidade, que é manter viva essa chama, manter viva essa teimosia da afirmação de que, de fato, não na retórica, não na poesia, mas na pratica é possível construir uma nova sociedade, uma nova relação, um novo homem, uma nova mulher, um novo jovem e assim por diante. Dentro daquilo que a gente chama de um projeto de fato sustentável para o Brasil e para a América Latina.”   �

É o que está em jogo de novo neste momento eleitoral histórico. Com a vitória lá, Brasil, com a vitória cá, Rio Grande do Sul, a educação popular estará com um pé na sociedade, outro pé no governo, construindo políticas públicas com ampla participação popular. Estar na instituição, sim, mas sem nunca deixar de ser movimento. Matando a fome de pão e saciando a sede de beleza. Coletiva e solidariamente, ninguém soltando a mão de ninguém.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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