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Análise: Trump pode frear Israel taticamente, mas não em abrangência

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (1°) ter conversado com o Hezbollah e com Israel, anunciando um recuo nos ataques no Líbano que travavam as negociações de um acordo para o fim do conflito. A declaração reacendeu o debate sobre até que ponto Washington consegue, de fato, conter as ações israelenses na região.

Para a analista Fernanda Magnotta, no CNN 360°, a resposta é complexa e envolve distinções importantes entre o curto e o longo prazo. “Trump consegue frear Israel taticamente, do ponto de vista de ações do curto prazo, de ações circunscritas, mas muito dificilmente ele consiga controlar objetivos estruturais mais abrangentes”, avaliou a analista.

Magnotta explicou que os Estados Unidos dispõem de algumas ferramentas relevantes nesse processo de barganha, como a possibilidade de condicionar o apoio militar, oferecer cobertura diplomática ou estabelecer novas regras na coordenação operacional no Oriente Médio.

Esses elementos, segundo ela, podem ser utilizados pelos americanos para exercer pressão sobre Israel. No entanto, quando isso ocorre, Israel costuma responder ajustando o timing e a intensidade das ações, sem necessariamente abandonar seus objetivos centrais.

A analista destacou ainda que isso não impede que Netanyahu aja mesmo sob pressão, caso perceba uma ameaça existencial ou uma oportunidade estratégica. “Isso já aconteceu outras vezes no passado e continua sendo uma realidade nesse período muito delicado do cessar-fogo”, afirmou Magnotta.

Segundo ela, o principal instrumento disponível a Trump hoje é de natureza política, mais do que militar, mas ainda assim trata-se de um elemento de grande sensibilidade.

Eleições em Israel e o cálculo de Netanyahu

Um fator adicional que complica a equação é o cenário eleitoral israelense. Magnotta apontou que Israel se aproxima de uma eleição importante, em um contexto em que a popularidade de Netanyahu não é favorável.

Assim, o cálculo do líder israelense se dá entre manter o apoio político americano — de quem depende para executar seus planos — e preservar a narrativa interna construída para favorecer seus interesses eleitorais.

Por fim, a analista indicou que o principal incentivo adicional do lado americano para tentar conter os israelenses está relacionado ao Estreito de Ormuz. “É esse o ponto que faz com que Trump dobre a aposta com os israelenses e, muitas vezes, inclusive, contrarie interesses”, disse Magnotta.

Na avaliação dela, os americanos tentam privilegiar seus próprios pontos de fragilidade mais do que a aliança em si, resultando em uma atuação que tende a ser mais tática do que estratégica, com efeitos limitados ao curto prazo.



Fonte: CNN Brasil, todos os direitos reservados

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