Além do Centro de Umbada alvo de vandalismo e apologia ao nazismo ocorrido em Guanambi, suásticas também foram pichadas em outros pontos da região central da cidade, incluindo um bar na rua Henrique Dias, mesma via onde fica o centro de umbanda, e um muro na rua Casimiro de Abreu.
Nas paredes externas do bar, foi usada uma tinta parecida com a usada no templo religioso. O proprietário do estabelecimento lavou a parede para tentar remover a tinta. No entanto, mesmo assim ainda é possível visualizar os vestígios de uma cruz e da suástica.
Já no muro da rua Casimiro de Abreu, foi usado um padrão diferente, com tinta branca. Além da suástica, foi desenhado um símbolo que remete à anarquia e outros desenhos.
Pela legislação brasileira, a utilização de símbolos nazistas pode configurar crime quando feita com finalidade de divulgação do nazismo. A Lei nº 7.716/1989, conhecida como Lei do Racismo, prevê no artigo 20, parágrafo 1º, pena de reclusão de dois a cinco anos e multa para quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada para fins de divulgação do nazismo.
A mesma lei também pune a prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Alterações posteriores passaram a prever punições também para crimes cometidos por meio de redes sociais, internet ou publicação de qualquer natureza, além de condutas praticadas contra manifestações ou práticas religiosas.
A Constituição Federal estabelece que a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. No contexto de ataques com motivação religiosa, racial ou de exaltação a ideologias de ódio, a apuração costuma considerar não apenas o dano ao patrimônio, mas também a possível violação de direitos fundamentais e a intimidação de grupos religiosos ou étnicos.
A expectativa é que as investigações apurem se os episódios têm relação entre si, quem são os autores e qual foi a motivação das ações registradas na região central de Guanambi.
Centro de Umbanda
Além de pichado, o Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro, instituição religiosa com quase 80 anos de existência, foi arrombado e vandalizado. Segundo informações do vice-presidente da casa, Joel Silva, o caso foi percebido na terça-feira (21), embora a suspeita seja de que o ataque tenha ocorrido no domingo (19). No local, além das pichações com símbolos nazistas, objetos religiosos foram danificados.
Joel relatou que a direção da casa inicialmente não pretendia expor o episódio, para evitar nova exposição de uma religião que, segundo ele, já sofre ataques recorrentes. O centro também havia registrado outros casos de roubo nos últimos meses. A situação, no entanto, acabou sendo divulgada por uma pessoa que viu as pichações, o que levou os responsáveis a procurarem a delegacia para registrar ocorrência e solicitar investigação.
Em nota, a Prefeitura de Guanambi classificou o ataque contra o Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro como um “gravíssimo ataque de ódio, de cunho racista e de intolerância religiosa”. A gestão municipal informou que o templo, dedicado à fé, à caridade e à ancestralidade, teve parte da estrutura e objetos religiosos danificados, além de ter sido alvo de pichações com símbolos nazistas.
A prefeitura também afirmou que Guanambi é uma cidade alicerçada no respeito, na diversidade cultural e religiosa e na liberdade de crença. No comunicado, a administração municipal declarou confiar na atuação das autoridades policiais para a apuração dos fatos e responsabilização dos autores.
A subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Guanambi também divulgou nota de repúdio. O documento, assinado pela diretoria e pela Comissão de Direitos Humanos, afirma que o episódio configura violência motivada por intolerância religiosa e racismo, com violação direta aos direitos humanos fundamentais, especialmente à liberdade de crença, à igualdade e à dignidade da pessoa humana.
A OAB destacou que comunidades de matriz africana são historicamente marcadas por processos de discriminação e marginalização. A entidade manifestou solidariedade aos dirigentes e frequentadores do Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro e cobrou atuação do Ministério Público do Estado da Bahia e das autoridades competentes para apuração rigorosa, identificação e responsabilização dos envolvidos.










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