Últimas notícias

‘A Globo, assim como a Faria Lima, está em campanha pelo Flávio Bolsonaro’, diz cientista político

0


O tradicional debate promovido pela Rede Globo antes do primeiro turno das eleições presidenciaisdesde a redemocratização não aconteceu neste ano. O encontro foi cancelado pela própria emissora pouco tempo antes do início do programa ao vivo.

Pouco antes do anúncio de cancelamento, Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, desistiu de comparecer depois que a Justiça autorizou a presença de Renan Santos (Missão). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um dia antes, já havia declinado do convite. Em nota, a Globo mencionou as decisões judiciais e falou em “insegurança jurídica” para justificar o cancelamento.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Francisco Fonseca avalia que a justificativa da emissora não se sustenta, rejeita o argumento de censura e defende que a alegação prevê que o debate não seria um convite, mas uma obrigação do candidato. “É uma perversão da própria democracia. Um debate é feito a partir de um convite. O candidato vai se ele quiser; ele não é obrigado. O candidato, se não quer ir, não deve ser exposto”, argumenta, em apoio à decisão da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Stella Aranha de impedir que o púlpito vazio com o nome de Lula permanecesse no estúdio.

Fonseca considera que a sucessão dos fatos da quinta-feira, que culminaram no cancelamento do debate, só mostra como “a Globo, assim como a Faria Lima, está em campanha pelo Flávio Bolsonaro”. O cientista político destaca as muitas vezes em que a emissora se apropriou de um lado, como na ditadura militar e na eleição de Collor. “A Globo é uma emissora que tem um histórico de desserviço à democracia no Brasil. É uma emissora a serviço de interesses elitistas e autoritários. O que aconteceu ontem foi que essa armadilha foi desmascarada”, pontua. “Foi um dia histórico porque a Globo saiu derrotada. E não apenas a Globo, mas essa direita golpista”, continua.

Apesar da análise, o cancelamento do debate tem pouca relevância. Para ele, o episódio de Nossa Senhora Aparecida, por exemplo, teve muito mais impacto. “Diria mais, o escândalo do Banco Master, a briga no Supremo tem muito mais impacto do que uma narrativa de censura, que não houve”, observa.

Fonseca considera que o formato de debate é muito engessado e precisa ser revisto. “O debate é algo muito difícil na sociedade em que vivemos. O debate tem servido para cortes [para redes sociais]. Vivemos uma época difícil porque não é a ideia de comunicar ideias, mas de produzir algum tipo de impacto”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdFvai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

TSE informa que denúncias eleitorais podem ser feitas pelo aplicativo Pardal

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que denúncias sobre irregularidades na propaganda...

Planalto soube com antecedência de fechamento de embaixada dos EUA

A equipe diplomática do Palácio do Planalto foi informada com antecedência sobre...

Transporte gratuito é obrigatório na eleição, mas informação não chega à maior parte dos eleitores

A gratuidade do transporte coletivo está garantida nas zonas urbanas no domingo...

Painel indica que El Ninõ pode ser um dos mais intensos desde 1950

O Painel El Niño 2026-2027, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),...