Região

Xi Jinping diz a Lula que China se opõe à interferência externa no Brasil

0


Xi Jinping disse a Lula que a China apoia o Brasil na defesa de sua soberania e independência e se opõe à interferência externa no país, durante conversa telefônica de mais de uma hora realizada na noite de domingo (26).

A declaração ocorre em um contexto em que o governo dos Estados Unidos intensifica a ingerência sobre o Brasil. Na última sexta-feira (24), o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que planejavam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro antes do primeiro turno de outubro, segundo o Washington Post. No sábado (25), o presidente argentino Javier Milei (um dos principais aliados de Trump na região), atacou Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante a convenção do PL em São Paulo.

O presidente chinês afirmou que Pequim “atribui grande importância ao status internacional e à influência do Brasil.” Xi avaliou ainda que, nos últimos anos, a articulação das estratégias de desenvolvimento dos dois países “registraram avanços positivos” injetaram “estabilidade valiosa numa conjuntura internacional turbulenta”.

Xi reiterou a disposição de “fortalecer a coordenação estratégica bilateral e multilateral” para manter o impulso positivo da construção da comunidade de futuro compartilhado.

Cooperação bilateral

Os dois presidentes reiteraram o compromisso de ampliar a parceria em inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes, segundo nota do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Lula destacou que o governo mantém o compromisso com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Os dois líderes também concordaram sobre a necessidade de acelerar as negociações para um acordo Mercosul-China “que contemple as necessárias flexibilidades”.

Segundo o resumo do lado chinês, Lula manifestou interesse em atrair mais investimentos chineses para o país. O presidente destacou a visão de Xi de uma cooperação internacional em IA “aberta e inclusiva” e parabenizou a China pela realização da Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2026.

O Ano Cultural Brasil-China, iniciativa em curso nos dois países neste ano, foi mencionado pelos dois líderes como um dos fatores que vêm aprofundando as bases de amizade entre os povos. O acordo de isenção de vistos de curta duração, também destacado em ambos os comunicados, deve, segundo o governo brasileiro, “ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio.”

Oriente Médio e Ucrânia

Xi e Lula lamentaram a proliferação de conflitos e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética global. Sobre o Oriente Médio, concordaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb “têm efeitos nefastos sobre a economia mundial” e expressaram “profunda preocupação” com a continuidade da situação humanitária em Gaza, segundo a nota brasileira.

Quanto à Ucrânia, os dois presidentes concordaram que o Grupo de Amigos da Paz pode desempenhar um papel relevante na retomada das negociações para o fim do conflito. Ambos criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas de responder adequadamente às crises em curso e observaram que o próximo ou a próxima secretária-geral da ONU enfrentará um cenário internacional “particularmente desafiador”.

Brics e Sul Global

Xi afirmou que China e Brasil, como membros importantes do Sul Global, devem “estar firmemente no lado certo da história e do progresso civilizacional” para desempenhar um papel mais construtivo “na reforma e aperfeiçoamento do sistema de governança global e na defesa da justiça e equidade internacionais.” O presidente chinês defendeu que os dois países trabalhem juntos pelo desenvolvimento de alta qualidade da “cooperação ampliada do Brics”.

Lula afirmou, segundo o lado chinês, que o Brasil está disposto a defender firmemente o multilateralismo, que se opõe à “política de força” e insiste na resolução de questões sensíveis da agenda internacional por meio do diálogo e da consulta. Os dois líderes reiteraram o compromisso de manter estreita coordenação multilateral na ONU, no Brics e em outros fóruns.

Diálogo contínuo

O telefonema desta semana é o primeiro entre os dois líderes desde janeiro deste ano. Naquela conversa, Lula reafirmou que Brasil e China são “forças importantes na defesa do multilateralismo e na adesão ao livre comércio” e que o país está disposto a trabalhar em estreita colaboração com a China “para salvaguardar a autoridade das Nações Unidas, fortalecer a cooperação dos países Brics e manter a paz e a estabilidade regionais e globais”, segundo comunicado do governo chinês à época.





Com Informações: Brasil de Fato

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Miguel Díaz-Canel abre Dia da Rebeldia Cubana com críticas aos EUA: ‘Política genocida’

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel iniciou, na manhã deste domingo (26), as...

Ucrânia tem novo alvo na Rússia: entenda os ataques contra rede Wildberries

A Ucrânia realizou um grande ataque na região de São Petersburgo na...

Urgente em Conquista: A situação não é fácil

Mais um fim de semana que termina e aquela mesma sensação: muitos...

Incêndios na França e Espanha obrigam 325 mil pessoas a deixarem suas casas

Incêndios florestais no sul da França, nas proximidades da região turística de...