Região

‘Vitória da ultradireita na Colômbia significa retrocesso de tudo que se ganhou com Petro’, diz membro do Pacto Histórico

0


O segundo turno nas eleições colombianas acontece no próximo domingo (21), com disputa entre o candidato da esquerda, Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, e o representante da extrema direita, Abelardo de la Espriella. No primeiro turno, contrariando o que as pesquisas apontavam a respeito de um favoritismo de Cepeda, o ultradireitista saiu vitorioso com mais de 43% dos votos ante pouco mais de 40% do candidato do Pacto Histórico. Petro chegou a questionar publicamente a contagem de votos.

Ao BdF Entrevista desta quarta-feira (17), o advogado e professor Pietro Alarcon, membro da Comissão Internacional do Pacto Histórico, explica que diversos setores que lançaram candidaturas próprias no primeiro turno têm se somado a Cepeda e que, na Colômbia, a transferência de votos não é automática. “Não é verdade que exista uma transferência automática de votação. Por exemplo, Paloma Valencia declarou que apoiaria de La Espriella. Mas nós não temos certeza de que realmente a votação de Paloma seja automaticamente transferida para ele”, destaca.

Alarcon segue explicando outros pontos para compreender o resultado do primeiro turno. “Abelardo tem ocultado uma questão que, cada vez que é colocada e pautada, é extremamente importante para os colombianos. Ele é o candidato de Trump. O que significa isso? É um candidato que, de alguma forma, está comprometido com um interesse nacional que não é o interesse nacional dos colombianos. Isso em muitos setores tem um peso bastante importante. Em quarto lugar, muito embora exista uma estratégia comunicacional, uma estrutura digital de desinformação, a verdade é que tem crescido muito a consciência subjetiva, subjetividade, essa consciência do povo colombiano em torno de que é necessário que continuem aprofundando-se as transformações que começaram no governo de Petro. E existe também um voto de opinião bastante importante na Colômbia e fora da Colômbia em favor de que prossiga esse processo democrático, ou seja, que a Colômbia tenha a possibilidade de continuar aprofundando, transformando um cenário que tem sido tradicional no país com os governos de direita, que é um cenário neoliberal de pobreza e de abandono”, aponta.

O analista também destaca um movimento de reorientação de votos da ultradireita, como exemplo o uribismo, que claramente pediu que seus eleitores votassem em Espriella, quando perceberam a possibilidade real de uma vitória da esquerda ainda em primeiro turno.

Além disso, Alarcon avalia uma boa dose de influência dos Estados Unidos com a chamada Operação Júpiter. “Isso tem sido pouco noticiado, particularmente no Brasil. Mas a Operação Júpiter consiste em que simplesmente as grandes corporações dos Estados Unidos obedecem a essa diretriz, que fazem parte desse complexo militar, industrial e comercial do mundo. Na Colômbia tem expressões muito concretas desse capital transnacional. Juntam a seus trabalhadores, juntam a todos aqueles que fazem parte desse núcleo, desse cenário de trabalho, e orientam a votação ali. Essa questão da Operação Júpiter vai acompanhada de uma injeção de dólares muito forte”, relata.

O sistema eleitoral na Colômbia também é suscetível a falhas, destaca Pietro Alarcon, e isso o próprio presidente Petro chegou a levantar como hipótese para o resultado inesperado do primeiro turno. “Isto vale tanto para quem ganha para a esquerda quanto para a direita. O que acontece é que o controle do software não é da esquerda, é da direita. E, portanto, mesmo que você queira dizer que vale para os dois lados, quem controla tem a possibilidade de dizer quem ganha. O software é o mesmo software que foi utilizado em Honduras. E é um software privado, ao qual nem sequer o governo tem acesso para conhecer o código-fonte. Ou seja, existe a possibilidade sempre de manipulação do voto na Colômbia”, revela.

O membro do Pacto Histórico também explica que o processo eleitoral ainda é feito em papel e que, em cidades menores e mais afastadas dos grandes centros, a pressão de grupos de direita sobre a população é maior e sem fiscalização. “São locais onde existem poucas testemunhas eleitorais e tudo pode acontecer. São territórios onde regularmente a ultradireita, a partir da violência, a partir da agressão física contra camponeses, estudantes, enfim, consegue impor um ritmo eleitoral que favoreça seus interesses”, explica.

Para Pietro Alarcon, uma vitória de Cepeda é possível se observados alguns aspectos: o primeiro deles é considerar todo e qualquer voto. O outro é considerar o eleitorado que forma a base da esquerda colombiana. “A ideia não é fazer grandes mobilizações. Sinto que a ideia é fundamentalmente a organização para a votação territorialmente e nos diversos setores que apoiam o Pacto Histórico. Esses setores são setores populares. É a base popular, a potência plebeia. Quem foram os primeiros a saírem às ruas para defender o Pacto Histórico? A juventude. O movimento estudantil saiu em peso a dizer: ‘Você não pode me condenar a um país no qual a direita abandona a educação, abandona a possibilidade de emprego’. Quem mais tem? As mulheres, que têm denunciado o programa de La Espriella por representar retrocessos naquilo que são os direitos e toda a questão da igualdade de gênero. Então a ideia é territorializar e fazer com que esses setores se pronunciem e expliquem, façam muita pedagogia sobre aquilo que representa uma possível vitória de La Espriella, ou seja, representa o retrocesso de tudo que se ganhou com Gustavo Petro”, destaca.

Confira a entrevista completa no link abaixo:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.





Com Informações: Brasil de Fato

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Confira a pauta da sessão ordinária desta quinta-feira (18/06)

A Câmara Municipal de Caetité realizará, nesta quinta-feira (18/06), a partir das...

Mineirão de Guanambi fecha por dois dias e reabre com a bandeira Supermercados BH

GUANAMBI – A unidade do Mineirão Atacarejo de Guanambi, no sudoeste da...

Brasília tem o junho mais chuvoso da história e acende alerta para a crise climática no país

Brasília registrou, apenas na primeira quinzena de junho, o maior volume de...

Conquista: Vítima no centro da cidade agora, assista ao vídeo

Um acidente de trânsito foi registrado na tarde desta terça-feira (17) no...