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Vítimas pedem que próximo papa tenha “tolerância zero“ para abusos sexuais

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Três defensores de vítimas de abuso sexual clerical exigiram nesta quarta-feira (30) que o próximo líder da Igreja Católica coloque esse problema no centro de seu pontificado, criticando os legados dos últimos três papas.

A Igreja tem sido abalada há pelo menos três décadas por escândalos em todo o mundo envolvendo padres pedófilos e o encobrimento de seus crimes, prejudicando sua credibilidade e custando centenas de milhões de dólares em acordos.

“Acreditamos que essa deve ser a questão central do conclave”, disse Peter Isely, um dos fundadores do grupo de sobreviventes de abusos SNAP (The Survivors Network of those Abused by Priests, em inglês).

Ele apresentou um site que rastreia as alegações de encobrimento por parte de autoridades seniores da Igreja.

Críticas aos últimos papas

O papa Francisco, que faleceu no dia 21 de abril, reiterou as promessas de “tolerância zero” feitas por seu antecessor, Bento XVI, e introduziu várias reformas para lidar com a questão. Mas sua implementação tem sido irregular, segundo os ativistas.

Bento foi acusado em um relatório de 2022 de não ter tomado providências em relação a supostos casos de abuso sexual quando era arcebispo de Munique, de 1977 a 1982.

O pontífice, que renunciou ao papado em 2013 e tinha 94 anos quando o relatório foi divulgado, reconheceu os erros mais tarde e pediu perdão. Ele morreu no final de 2022.

Bento, Francisco e João Paulo II também enfrentaram críticas por suas ações em relação ao falecido ex-cardeal norte-americano Theodore McCarrick, que foi acusado de abusar sexualmente de menores e adultos.

Em 2018, ele havia renunciado ao Colégio dos Cardeais, sendo expulso do sacerdócio pelo Vaticano no ano seguinte.

Já o histórico de João Paulo, que liderou a Igreja entre 1978 e 2005, foi ainda mais manchado por acusações, principalmente de que ele fez vista grossa para o falecido reverendo mexicano Marcial Maciel, um grande arrecadador de fundos para o Vaticano que também era um pedófilo em série.

“Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance (…) para desafiar a hierarquia a eleger alguém que não tenha o mesmo histórico que Francisco teve, que Bento teve, que João Paulo teve”, disse Sarah Pearson, outra representante do SNAP.

Na segunda-feira (28), a questão do abuso sexual foi um dos tópicos levantados pelos cardeais nas discussões preparatórias antes do conclave da próxima semana.

O conclave, a reunião secreta de cardeais para eleger um novo papa, está marcado para começar no dia 7 de maio.



Fonte: CNN Brasil, todos os direitos reservados

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