A TV 3.0 começará a operar em junho no Brasil, com estreia prevista nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, a pouco mais de dois meses da Copa do Mundo de Futebol. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o novo sistema marca a convergência entre radiodifusão e internet, com navegação entre sinal de antena e conteúdos sob demanda.
A Anatel promoveu uma palestra técnica para apresentar detalhes do novo padrão e das mudanças previstas para a TV aberta. O evento foi transmitido na terça-feira (7/4) pela plataforma Teams e organizado pelo gabinete do conselheiro Octavio Pieranti, com foco em integrantes de instâncias de participação social da Agência.
O encontro foi direcionado a representantes dos Conselhos de Usuários, do Conselho Consultivo e do Comitê de Defesa dos Usuários de Serviços de Telecomunicações (CDUST). Na abertura, Pieranti afirmou: “Queremos promover o diálogo entre Conselho Consultivo, CDUST e conselhos de usuários sobre temas importantes para a Anatel, como a TV 3.0. Assim, os representantes dessas três instâncias podem contribuir com sugestões e apoiar a Agência na divulgação desses temas e nos debates públicos sobre eles”.
O diretor do Departamento de Inovação, Regulamentação e Fiscalização do Ministério das Comunicações, Tawfic Awwad Júnior, disse que a mudança tem impacto social. “É um momento de celebração. A TV 3.0 vai trazer cidadania, alertas de emergência e demais serviços fundamentais”, afirmou. Ele acrescentou que o governo estuda fontes de recursos para garantir a distribuição de conversores à população de baixa renda em 2027.
Alerta de emergência
Conduzida pelo pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Marcelo Moreno, a apresentação indicou que a tecnologia deve transformar o televisor em uma plataforma de aplicativos, com interatividade e qualidade de imagem. Um dos pontos destacados foi o Sistema de Alerta de Emergência, previsto como diferencial do novo padrão.
De acordo com Moreno, a TV 3.0 permitirá o envio de avisos urgentes de forma geolocalizada e imediata, diretamente na tela do televisor, mesmo que o aparelho esteja em modo de espera. A funcionalidade foi descrita como a “espinha dorsal” da segurança pública no novo padrão, com alertas sobre riscos como inundações e tempestades, por bairro ou região.
Mudança de paradigma
O pesquisador afirmou que a TV 3.0 será uma plataforma orientada por aplicativos e voltada à experiência do usuário. “O acesso às emissoras será por meio deles, integrando de forma suave o sinal de rádio e a banda larga”, disse. Ele também mencionou que novos controles remotos devem incluir um botão dedicado à TV 3.0.
A marca DTV+ foi apresentada como portal de entrada para o catálogo das emissoras. Outra inovação citada foi a segmentação geográfica com reuso de frequência, que pode permitir a entrega de programação e publicidade georreferenciadas em áreas específicas dentro da mesma rede, com acesso a conteúdos complementares a partir da convergência de protocolos.
Atualmente na Fase 3 de Pesquisa e Desenvolvimento, o projeto segue em testes, conforme apresentado no evento. A expectativa é que os ensaios verifiquem o funcionamento do novo padrão antes do início da operação em junho nas três capitais informadas.















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