A banda Toque Dez aparece, pelo terceiro ano consecutivo, como a atração artística mais contratada pelas prefeituras da Bahia durante o período junino. Os dados constam no Painel de Transparência dos Festejos Juninos, ferramenta que reúne informações sobre contratações, valores de cachês, datas das apresentações e municípios contratantes.
Até a última atualização consultada pela reportagem, 313 municípios haviam informado 3.071 contratações de 1.521 artistas, com valor total de aproximadamente R$ 468 milhões em cachês. Os números ainda são parciais e devem mudar à medida que mais prefeituras encaminharem informações ao painel.
Em 2026, a Toque Dez aparece com 41 contratações registradas. Na sequência estão Netto Brito, com 33; Devinho Novaes, com 28; Tayrone, com 24; Thiago Aquino, com 23; e Tarcísio do Acordeon, com 21.
A liderança da banda baiana repete o desempenho observado nos dois anos anteriores. Em 2025, a Toque Dez também foi a atração mais contratada do período junino, com 57 apresentações registradas. Em 2024, o grupo havia liderado o levantamento com 44 contratações. Em 2023, a primeira posição foi de Nadson o Ferinha, com 27 apresentações, enquanto a Toque Dez apareceu entre os nomes mais contratados daquele ano.
A Toque Dez é uma banda baiana de arrocha e forró, formada em 2018 e liderada pelo cantor e compositor Milsinho. O grupo consolidou espaço no circuito de festas do Nordeste com repertório de sofrência, romantismo e vaquejada. Entre as músicas mais acessadas estão “Some ou Fica”, “Quando Tem Sentimento”, “Dona da Razão”, “Respeita Seu Ex” e “Pensa Direito”, além de parcerias com nomes como Pablo, Tierry, Zé Vaqueiro, Vitor Fernandes, Devinho Novaes, Iguinho e Lulinha e Netto Brito.
Ranking parcial de 2026
De acordo com a consulta ao painel, as atrações com maior número de contratações informadas até o momento em 2026 são:
- Toque Dez: 41 contratações;
- Netto Brito: 33;
- Devinho Novaes: 28;
- Tayrone: 24;
- Thiago Aquino: 23;
- Tarcísio do Acordeon: 21;
- Batista Lima: 17;
- Rey Vaqueiro: 17;
- Adelmário Coelho: 16;
- Iguinho e Lulinha: 16;
- Pablo: 16;
- Dorgival Dantas: 15;
- Cacau com Leite: 14;
- Xinela de Couro: 14;
- Canários do Reino: 13;
- Gatinha Manhosa: 13;
- Saia Rodada: 13;
- Targino Gondim: 13;
- Unha Pintada: 13.
Entre as contratações da Toque Dez registradas no painel, há apresentações em municípios como Queimadas, Livramento de Nossa Senhora, Abaré, Nova Fátima, Ribeira do Amparo, Sítio do Quinto, Teolândia, São José do Jacuípe, Serrolândia, Santa Bárbara, Tucano, Cafarnaum, Glória, Érico Cardoso, Ipirá, Nova Soure, Serrinha, Jaguarari, Senhor do Bonfim, Irecê, Seabra, Conceição da Feira, Coração de Maria, Santo Antônio de Jesus, Itaberaba, Itatim, Jequié, Planaltino, Paripiranga, Ipiaú, Itabuna, Guajeru, Jucuruçu, Ouriçangas, Jitaúna, Esplanada, Governador Mangabeira, Casa Nova, Heliópolis e Ipecaetá. O primeiro show foi em Queimadas, no dia 24 de março. O último está previsto para o dia 19 de julho, em Ipecaetá.
Os valores informados para a banda variam conforme município, data e condições de contratação. Em muitos registros, os cachês aparecem em torno de R$ 402 mil. Também há contratos com valores superiores, como R$ 450 mil e R$ 500 mil, além de registros com valores menores em alguns municípios.
Ao todo, a soma dos 41 cachês chega a R$ 16 milhões, valor que deve aumentar quando outras prefeituras informarem os dados. Na agenda oficial da banda, há 44 shows na Bahia entre 3 de junho e 5 de junho, o que também pode incluir eventos particulares.
O valor médio do cachê da Toque Dez apresentou crescimento contínuo nos últimos cinco anos, passando de R$ 83,5 mil em 2022 para R$ 402,9 mil em 2026, segundo os dados do painel. O maior salto proporcional ocorreu em 2023, com alta de 104,6% em relação ao ano anterior. Desde então, os valores seguiram em elevação, com novos aumentos em 2024, 2025 e 2026, ano em que o cachê médio chegou ao maior patamar da série.
Painel acompanha gastos do período junino
O Painel de Transparência dos Festejos Juninos permite a consulta pública sobre contratações artísticas realizadas com recursos públicos durante eventos entre 1º de maio e 31 de julho. A ferramenta reúne dados de festas de Santo Antônio, São João, São Pedro, aniversários de municípios, festas de padroeiros, cavalgadas, vaquejadas e outros eventos.
A plataforma informa artistas contratados, municípios, datas das apresentações, valores dos cachês, origem dos recursos e programação. Desde 2026, o painel também passou a disponibilizar uma aba específica para consulta de valores médios por artista e comparação com anos anteriores.
Os dados são enviados pelas prefeituras e por entes públicos. Por isso, o levantamento é considerado parcial enquanto todos os municípios não concluem o envio das informações.
Discussão sobre cachês
A liderança da Toque Dez ocorre em meio a uma discussão mais ampla sobre valores pagos por prefeituras baianas para shows durante o período junino. O Ministério Público da Bahia, em conjunto com órgãos de controle, vem acompanhando as contratações e defendendo critérios de transparência, economicidade e compatibilidade dos valores com o histórico de mercado.
Em fevereiro, representantes do MPBA, Tribunal de Contas do Estado da Bahia, Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia e Ministério Público de Contas discutiram critérios para orientar contratações de artistas nos festejos juninos de 2026. A preocupação dos órgãos está relacionada às variações expressivas de cachês entre municípios e ao impacto desses gastos nos orçamentos públicos.
A partir das análises, o MPBA passou a negociar compromissos públicos de redução voluntária de valores com artistas e empresários. As negociações consideram o histórico de cachês, a notoriedade da atração, os valores praticados no mercado e a evolução dos preços em relação a anos anteriores.
Segundo informações divulgadas sobre os acordos, a Toque Dez foi uma das atrações que aderiram à iniciativa. A redução voluntária envolvendo a banda foi apontada como a maior entre os primeiros acordos anunciados, com impacto superior a R$ 5 milhões distribuídos em dezenas de contratos.
Outras atrações também aderiram a compromissos de redução, como Solange Almeida, Igor Kannario, Batista Lima, Adelmário Coelho, Caviar com Rapadura, Forrós dos Plays, Mastruz com Leite, Limão com Mel, Devinho Novaes, Tayrone, Netto Brito, Daniel Vieira, Fulô de Mandacaru, Silvano Salles e Paula Fernandes, entre outros.
Contratações de alto custo
Os órgãos de controle também passaram a observar com mais atenção contratações de alto valor. Um dos parâmetros citados nas discussões envolve contratos acima de R$ 700 mil, considerados fora da faixa da maioria das contratações registradas no painel.
Esse valor não representa um teto automático nem tabelamento de cachês. A orientação é que contratações acima desse patamar sejam analisadas com maior rigor, considerando a saúde financeira do município, a regularidade de pagamentos obrigatórios, a capacidade orçamentária e a justificativa para a contratação.
O objetivo dos órgãos de controle, segundo as manifestações públicas sobre o tema, não é impedir a realização das festas, mas estabelecer parâmetros para reduzir distorções, melhorar o planejamento e ampliar a transparência no uso de recursos públicos.
Caso Flávio José
Um dos casos de maior repercussão foi o impasse entre o MPBA e o cantor Flávio José. Diferentemente de outros artistas que aderiram a compromissos voluntários, não houve acordo para redução dos valores dos contratos do artista até a última atualização das informações públicas.
O painel registrava duas apresentações de Flávio José em 2026 na Bahia: uma em Senhor do Bonfim, no dia 23 de junho, e outra em Dias d’Ávila, no dia 26 de junho, ambas com cachê de R$ 350 mil.
A situação provocou debate sobre os limites da atuação dos órgãos de controle, a autonomia de artistas e empresários para definir valores e a responsabilidade das administrações municipais na contratação com recursos públicos.













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