O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso, nesta sexta-feira (6), após o Senado aprovar por unanimidade seu impeachment. Peña vai cumprir prisão domiciliar.
Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a presidência, cargo que deve ocupar até agosto de 2028, ano de eleições no Paraguai. Alliana e Peña são do mesmo partido, o Colorado.
A destituição e prisão de Peña acontecem em meio ao escândalo envolvendo o fechamento do banco Ueno, que provocou uma crise financeira afetando cerca de três milhões de pessoas, quase metade da população, além de atingir diversas contas públicas. Peña foi sócio da holding do banco até março de 2025.
Foram 44 votos pelo impeachment; apenas um senador não estava presente. Desde terça (3), o país passa por uma onda de protestos que aumentou a pressão sobre os parlamentares.
Numa manobra, Peña anunciou sua renúncia na quinta (5), que, se aprovada pelo Congresso Nacional, teria o livrado da prisão. Os parlamentares decidiram manter o julgamento. Ele então afirmou que iria comparecer ao Senado, mas tentou uma nova manobra na manhã desta sexta para adiar o julgamento.
Além do presidente, o Ministério Público pede a prisão do ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo Spalding.
Entenda
A quebra do banco digital Ueno Bank mergulhou o Paraguai em uma crise financeira e política. Em dois dias, o colapso levou centenas de pessoas às ruas da capital, Assunção, derrubou o presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), deixou grandes redes varejistas praticamente sem vendas e fez o Congresso correr para mudar a lei e acelerar a devolução do dinheiro bloqueado dos clientes.
O Ueno tem 2,9 milhões de clientes, cerca de 40% da população paraguaia, e processa perto de 3 milhões de transações por dia. Por ele, passam dois terços dos pagamentos eletrônicos das grandes redes de varejo, e a Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) já alerta para uma semiparalisação do mercado.
Os manifestantes reivindicam a devolução integral dos depósitos, incluindo os recursos do Instituto de Previdência Social (IPS) e das caixas de aposentadoria aplicados no banco. Os protestos também cobram responsabilidades do presidente Santiago Peña, que foi acionista do grupo controlador do banco até 2025.











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