A crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem como personagens principais os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, expôs uma série de atravessamentos políticos nas investigações envolvendo o caso do Banco Master. Os vazamentos relacionados ao banqueiro Daniel Vorcarotambém mostraram o grau de capilaridade do empresário nas diferentes esferas do poder.
A entrada de Mendonça na relatoria da investigação do Master, na avaliação do cientista político Francisco Fonseca, tornou o quadro, que já é naturalmente complexo, mais confuso ainda. “O que chama a atenção é que há uma enorme seletividade no que André Mendonça deixa vazar, abre processo, faz, espalha”, avalia ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Francisco Fonseca destaca, por exemplo, a atitude de Mendonça com relação a Fabio Luis, filho do presidente Lula (PT). “Embora a CPMI do INSS tenha quebrado o sigilo e não encontrado nada, ele [Mendonça] abre mais três processos. Qual o fato motivador? E agora essa grande crise relacionada a Alexandre de Moraes”, salienta.
“O que vem à tona é diferente do que não vem, que é o caso do financiamento do filme ‘Dark Horse’, em que cada semana aparecem delações, notícias muito claras de que o dinheiro, que é cada vez maior, está financiando, ao que tudo indica, Eduardo Bolsonaro nos EUA.”
Para Fonseca, a situação atual mostra que a Lava-Jato nunca terminou e que deixou raízes que agora aparecem novamente na figura de André Mendonça, que, segundo o cientista político, tem agido como Sérgio Moro. “Esse é o ponto: por que o ministro André Mendonça não usa o mesmo critério que ele usa contra, podemos dizer hoje, seus inimigos? O que se espera de um juiz é isonomia, neutralidade. Nada disso acontece quando falamos de André Mendonça, que é um juiz bolsonarista que faz parte de um ecossistema ligado ao bolsonarismo”, define.
Francisco Fonseca destaca, no entanto, a gravidade e o ineditismo da situação atual dentro do STF. Além disso, ressalta que todas essas revelações aconteceram ao mesmo tempo em que seria votado no plenário do Senado o fim da escala 6×1. Para ele, essa confusão gerada pelas revelações acabou contribuindo para atrapalhar a pauta. “Criou-se um grande fato político e deixou a escala 6×1 para depois das eleições. Não existe coincidência. É tudo articulação”, reforça.
Para ouvir e assistir
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.













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