
Primeiro encontro marca o pontapé inicial de uma construção que pretende conectar diferentes órgãos, instituições e setores da sociedade em busca de soluções para a realidade de crianças e adolescentes nas ruas de Vitória da Conquista
A Associação Comercial e Empresarial de Vitória da Conquista (ACEVIC) promoveu, nesta quinta-feira, uma reunião com representantes de diferentes setores do município para discutir uma realidade que tem chamado a atenção de empresários e da sociedade: a presença de crianças e adolescentes comercializando doces em bares, estabelecimentos e áreas de circulação da cidade.
Mais do que observar o problema, a proposta da reunião foi abrir um diálogo direto com os órgãos que estão na linha de frente dessa realidade, compreender os diferentes pontos de vista e pensar, conjuntamente, em caminhos que possam contribuir para a construção de soluções.
O encontro contou com a presença do Presidente da ACEVIC, Sr. Raimundo Amaral Menezes Filho, da delegada Rosilene Moreira e do investigador Cláudio Santiago, representando a Polícia Civil.
Também participaram representantes dos Conselhos Tutelares: Jeane Meira Oliveira, da Zona 01; Simone Moreira de Moraes Hori (Zona Rural) e Pollyanna Carla Leão Wolfovitch, da Zona 02.
Pela Polícia Militar, estiveram presentes o Soldado PM Leite e o Capitão Vinícius Figueredo, Subcomandante da 77ª Companhia Independente da Polícia Militar.
A Guarda Municipal também esteve representada pelo GM Sr. França e pelo Inspetor Geral GM Araújo.
Representando a área de Direitos Humanos e iniciativas de proteção, participou ainda a Dra. Arlene Ribeiro, Diretora de Direitos Humanos e Coordenadora do Projeto Célula Mater da UESB.
Um diálogo para compreender e agir
Na abertura do encontro, a ACEVIC apresentou sua preocupação enquanto entidade representativa do setor empresarial e reforçou a importância de chamar os diferentes poderes e instituições para uma conversa responsável sobre o tema.
A discussão partiu de perguntas que precisam ser enfrentadas de maneira conjunta: quem são essas crianças e adolescentes? Quais são suas realidades familiares? Como está sua relação com a escola? Quais acompanhamentos já estão sendo realizados? Quais políticas e ações já chegam até essas famílias? E de que forma a sociedade pode contribuir para que essas crianças tenham outras perspectivas?
Durante a reunião, foi destacado que já existe um trabalho de mapeamento e acompanhamento realizado pela rede de proteção. Portanto, o desafio não está simplesmente em identificar quem são essas crianças, mas em fortalecer as ações que já existem e transformar as informações e experiências acumuladas pelos órgãos em iniciativas cada vez mais efetivas.
Conscientização precisa chegar à ponta.
Um dos pontos de convergência entre as falas foi a necessidade de desenvolver um trabalho formal e permanente de conscientização.
A proposta envolve campanhas, materiais informativos, propagandas e ações de comunicação que possam alcançar não apenas os empresários e consumidores, mas toda a sociedade.
A intenção é conscientizar sobre os riscos envolvidos na permanência de crianças e adolescentes nas ruas e, principalmente, fazer com que a população compreenda que determinadas atitudes, ainda que pareçam uma simples forma de ajudar, precisam ser analisadas dentro de um contexto maior.
O entendimento apresentado na reunião foi claro: não basta reagir ao problema quando ele aparece. É preciso trabalhar na prevenção e na conscientização.
Pensar na solução — e não apenas no problema
Outro ponto importante discutido foi a necessidade de pensar em soluções concretas.
A reunião não teve como objetivo apenas apontar responsabilidades. Pelo contrário: a proposta é construir, entre instituições públicas, sociedade civil e setor empresarial, projetos capazes de gerar novas possibilidades para esses adolescentes.
Entre os caminhos discutidos está a criação e o fortalecimento de iniciativas de formação e profissionalização, respeitando, naturalmente, a legislação e as condições de idade de cada adolescente.
A ideia é aproximar o empresariado de projetos educacionais e profissionalizantes, criando oportunidades para que jovens possam desenvolver habilidades, conhecer diferentes profissões e, quando estiverem legalmente aptos, encontrar caminhos formais para ingressar no mercado de trabalho.
A ACEVIC pretende contribuir justamente nessa aproximação, levando para a mesa a capacidade de mobilização do setor empresarial e buscando parceiros que possam colaborar na construção desses projetos.
A proteção precisa ser uma responsabilidade coletiva
A discussão também abordou questões relacionadas à exploração e às violações de direitos de crianças e adolescentes.
A presença frequente desses jovens em determinados ambientes exige atenção porque diferentes situações de vulnerabilidade podem estar associadas a essa realidade.
Nesse contexto, a participação das forças de segurança, dos Conselhos Tutelares, dos órgãos de proteção, das instituições sociais e do setor empresarial é fundamental.
Cada instituição possui uma responsabilidade específica, mas o enfrentamento do problema exige integração.
Assistência: ajudar também é acompanhar
Outro ponto levantado durante o encontro foi a atuação de instituições e organizações que oferecem auxílio a famílias, como alimentos, cestas básicas e outras formas de assistência.
A discussão não parte da ideia de interromper a ajuda — muito pelo contrário.
O objetivo é refletir sobre como essa assistência pode estar cada vez mais conectada ao acompanhamento das famílias.
Conhecer a realidade, compreender as necessidades, acompanhar os resultados e estabelecer uma relação mais próxima com quem recebe o auxílio podem tornar essas ações ainda mais efetivas.
A pergunta deixa de ser apenas “como ajudar?” e passa a ser também:
“Como ajudar de maneira que essa família consiga avançar?”
Uma construção sem politicagem
Outro princípio defendido durante o encontro foi a necessidade de tratar o assunto sem politicagem e sem transformar uma questão tão séria em disputa de interesses.
A prioridade é a solução.
E é importante destacar: este primeiro encontro não pretendeu apresentar uma solução pronta. Ele foi o pontapé inicial de uma construção que está apenas começando.
A reunião serviu para colocar diferentes instituições na mesma mesa, ouvir experiências, levantar questões, identificar caminhos possíveis e, principalmente, estabelecer um diálogo que precisa continuar.
O próximo encontro já está sendo construído
E a conversa não para aqui.
Um novo encontro já está previsto para os próximos dias, dando continuidade ao diálogo iniciado nesta primeira reunião.
A proposta para a próxima etapa é ainda mais ousada: conectar outros órgãos e instituições que foram citados durante esta primeira conversa, ampliando a rede envolvida e trazendo novos atores que podem contribuir diretamente para a construção das soluções.
A intenção é que, a cada encontro, mais instituições possam se somar à discussão e que o diálogo avance da identificação dos desafios para a construção de propostas concretas.
Entre os caminhos que deverão ser aprofundados estão ações de conscientização, projetos educacionais, iniciativas de profissionalização, fortalecimento da rede de proteção e maior integração entre os órgãos e instituições que já atuam nessa área.
Transformar diálogo em ação
A ACEVIC entende que o papel de uma entidade empresarial vai além da defesa dos interesses comerciais.
Representar o empresariado também significa participar da construção de uma cidade melhor para todos.
Este foi apenas o primeiro passo.
A primeira conversa abriu espaço para outras conversas. O próximo encontro ampliará essa mesa. E a expectativa é que, ao longo desse processo, diferentes setores possam transformar suas experiências e responsabilidades em ações coordenadas.
Não existe uma solução simples para uma questão complexa.
Mas existe um caminho possível: diálogo, integração, conscientização, responsabilidade e ação.
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