Uma pesquisa inédita ouviu 60 mulheres cineastas indígenas com o objetivo de sistematizar os modos de criação, as trajetórias, as relações com os territórios, as dificuldades enfrentadas e as necessidades dessas realizadoras. O levantamento “Ler o vento, filmar o mundo” será lançado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, a multiartista Larissa Duarte Tukano explica que há uma imensa diversidade de territórios indígenas, e cada um traz particularidades. “Apesar de eu ser indígena, eu não conheço muito bem as outras culturas indígenas. E no cinema a gente aproxima e conhece, conversa, dialoga. Tem questões comuns e tem questões específicas de cada cultura, de cada povo”, argumenta.
Na visão dela, a pesquisa é importante para trazer a realidade da produção indígena para o público em geral, especialmente da perspectiva das mulheres. “É necessário trazer esses dados para as pessoas que fazem políticas públicas, editais, essas coisas, para reconhecer que nós existimos e fazemos cinemas”, avalia.
Tukano conta que o fazer audiovisual dos povos indígenas passa por um respeito à ancestralidade. “Quando uma pessoa indígena vai fazer um documentário ou um filme de ficção, como ela já conhece a sua realidade, ela vai respeitar o tempo dos mais velhos. Não é só uma coisa bonita, uma paisagem, mas o que é importante mostrar sobre o dia a dia dela. Então, eu acho que são perspectivas diferentes”, afirma.
A multiartista também critica o fato de editais voltados a apoiar a produção indígena muitas vezes desconsiderarem a realidade da produção e a particularidade de cada povo. “Há territórios que não têm internet, que não têm um meio de comunicação e o edital abre, mas há pouco tempo para se inscrever. Além disso, exige experiência e documentos que a gente não vai possuir. A linguagem técnica também é bem difícil de utilizar, porque há mulheres como eu, cuja primeira língua é o tukano. O português que eu falo é a segunda língua para me comunicar, e tem essa dificuldade. O edital não atende às diferentes realidades. Por exemplo, no Amazonas, o território é extenso e, se você preencher os custos, eles serão diferentes dos custos daqui do Sudeste, onde as coisas são bem mais próximas. Então, eles não vão conseguir entender isso no projeto que eu for fazer”, observa.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 7h da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.













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