O município de Gravatá, no Agreste de Pernambuco, foi palco de um grande evento da pré-campanha de João Campos (PSB) visando a eleição para o Governo de Pernambuco. O ex-prefeito do Recife lançou o “Chega Junto”, plataforma online de escuta de propostas da população. Mas o grande momento do evento desta segunda-feira (15) foi a divulgação do vídeo do presidente Lula (PT) confirmando seu apoio “de verdade” à candidatura de Campos ao Palácio do Campo das Princesas. Há setores do PT e aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) que buscam uma “neutralidade” de Lula na disputa estadual.
No vídeo, Lula afirma que “o meu partido e eu estamos apoiando João Campos para candidato a governador do estado de Pernambuco”. O petista diz ainda que o apoio é resultado de uma “relação produtiva” entre PT e PSB, aliança que, segundo o presidente, “trouxe muita coisa boa para Pernambuco”. Na mensagem, o petista cita os ex-governadores Arraes e Eduardo Campos, lideranças do PSB no estado, e conclui garantindo que “estamos juntos de verdade”. Lula tem boa relação com João Campos, que também é presidente nacional do seu partido, mas também aparenta ter uma boa relação com a governadora Raquel Lyra.
Durante o evento em Gravatá, após a exibição do vídeo em telão, João Campos falou ao microfone agradecendo a mensagem de Lula. “A gente não está aqui apenas para lutar e vencer as eleições de Pernambuco. A gente está aqui para reeleger Luiz Inácio Lula da Silva presidente e para governar ao lado dele”, garantiu Campos. Em evidente desafio à adversária Raquel Lyra, o líder do PSB afirmou que esta é uma oportunidade de ter um presidente “filho de Garanhuns” governando ao lado de “um governo em Pernambuco que tenha apreço, carinho e lealdade ao presidente”, afirmando que a aliança fará do estado ser o de crescimento mais acelerado no país.
Apesar do apoio do PT a João Campos definido há meses, setores do partido e aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) desejam que o presidente Lula evite se envolver na disputa de Pernambuco. Outros vão além e sonham com Lula afirmando palanque duplo ou triplo no estado, ato similar ao que fez em 2006, ao colocar no palco Humberto Costa (PT) e Eduardo Campos (PSB), que naquele momento disputavam o governo do estado. Figuras como o deputado Túlio Gadêlha (PSD), aliado de Lyra, dizem que, ao não se posicionar publicamente a favor de Campos, Lula poderia obter mais votos do eleitorado de Raquel Lyra.
Sabe-se, no entanto, que é improvável que a governadora declare publicamente apoio à reeleição de Lula. Com o cenário de protagonismo de Lyra e Campos desde o início da corrida eleitoral e Campos reivindicando uma identidade progressista e alinhada a Lula, o eleitorado bolsonarista — minoritários e em crise de liderança no estado — abraçou o nome de Raquel Lyra, num movimento que ajudou na popularidade e intenções de voto da governadora. Ela tem hegemonia entre eleitores bolsonaristas e, ao não se posicionar, também goza da simpatia de muitos lulistas.
Além de Campos, só o pré-candidato Ivan Moraes (Psol) declarou apoio à reeleição do presidente Lula.
A futura chapa da Frente Popular de Pernambuco tem João Campos (PSB) como pré-candidato ao Governo do Estado, Carlos Costa (Republicanos) como vice, além de Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) como nomes para as duas vagas no Senado. Já a chapa de Raquel Lyra (PSD) segue aberta. Túlio Gadêlha e Fernando Dueire, ambos do PSD, Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) desejam ser candidatos ao Senado. Mesmo a vice Priscila Krause (PSD) pode acabar perdendo seu espaço para um destes nomes. A chapa de Ivan Moraes (Psol) tem confirmado o ex-deputado Paulo Rubem Santiago (Rede) para o Senado.
Plataforma de escuta
Segundo a pré-campanha do PSB, o site “Chega Junto” não será a única forma de escuta popular da futura candidatura, mencionando iniciativas como o “Anota aí”, em que os eleitores usam o microfone para se dirigir diretamente a João Campos nos municípios por onde ele passa. O pré-candidato alega que historicamente a Frente Popular realiza escutas junto à população, mencionando programas como o Chapéu de Palha (gestão Miguel Arraes) e as escolas em tempo integral (Eduardo Campos) como exemplos de construção a partir da escuta pública.
“Para acertar mais e errar menos, a gente precisa ter a capacidade de ouvir. Aqui é o pontapé de um grande programa de escuta, onde cada cidade vai poder fazer seus planos em encontros regionais. [Comigo] a voz do povo vai encontrar capacidade de fazer e transformar a vida das pessoas. Eu não coloquei meu nome à disposição de Pernambuco para fazer mais do mesmo. Eu estou pronto para fazer o melhor mandato da minha vida, fazer muito mais do que já fiz”, discursou o ex-prefeito do Recife e pré-candidato a governador.
Além da provável chapa da Frente Popular para a disputa deste ano, estiveram presentes deputados federais e estaduais, além dos prefeitos Victor Marques (PCdoB), do Recife; Márcia Conrado (PT), de Serra Talhada; Paulo Roberto Arruda (MDB), de Vitória de Santo Antão; e, segundo a campanha, gestores de outros 30 municípios, além de dezenas de caravanas de apoiadores. O PSB calcula que o evento em Gravatá reuniu mais de 20 mil pessoas.













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