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Reciprocidade tarifária pode piorar situação do Brasil, diz Abiplast

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José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), alertou que a aplicação da Lei da Reciprocidade em resposta ao tarifaço norte-americano pode piorar ainda mais a situação do Brasil.

Em entrevista ao WW, ele avaliou que o país não teve estratégia, foco nem vontade de negociar, o que resultou em uma taxação severa que colocou o Brasil entre os países mais atingidos pelas tarifas americanas.

Roriz Coelho demonstrou preocupação com a politização do debate em torno das tarifas e com a possibilidade de o Brasil adotar medidas de retaliação. Para ele, a reciprocidade deve ser tratada como instrumento de negociação, e não como um gesto emocional.

“Falar em reciprocidade agora, quem perderia mais ainda seríamos nós”, afirmou, explicando que boa parte dos produtos importados dos Estados Unidos são itens que o Brasil não tem condições de produzir de forma competitiva internamente.

Segundo Roriz Coelho, as medidas impostas pelos Estados Unidos não foram surpresa para o setor. “Faltou estratégia, faltou a capacidade de antecipação de problemas, faltou foco, faltou vontade de negociar”, afirmou.

Ele destacou que, enquanto outros países acompanhavam e conduziam negociações, o Brasil não definiu uma postura clara para evitar a situação atual.

Impacto sobre empresas médias e pequenas

As consequências do tarifaço recaem especialmente sobre empresas de médio porte que dependem fortemente do mercado americano. Roriz Coelho explicou que há companhias com 50% a 70% de suas vendas destinadas aos Estados Unidos, e que essas empresas enfrentarão dificuldades para redirecionar sua produção tanto para o mercado interno quanto para outros destinos de exportação.

“O tempo para outros destinos de exportação levaria todo um desenvolvimento que, no mínimo, seis a oito meses você precisaria para estar vendendo o primeiro produto para outros destinos”, disse.

O entrevistado também comentou sobre o Plano Brasil Soberano, iniciativa do governo que oferece crédito às empresas afetadas. Para ele, embora o recurso seja bem-intencionado, há uma burocracia elevada que dificulta o acesso, especialmente para pequenas e médias empresas.

“Uma empresa dessa não pode ficar três ou quatro meses tendo que recorrer ao mercado financeiro com essas taxas de juros para manter o seu pessoal trabalhando”, ressaltou. Ele ponderou ainda que o crédito, mesmo quando acessado, precisará ser pago futuramente, sem garantia de que as empresas consigam reequilibrar suas operações a tempo.

Na avaliação do representante da Abiplast, o caminho mais adequado neste momento seria buscar ampliar a lista de exceções tarifárias anunciada recentemente e retomar as negociações diretamente com os norte-americanos.

“O objetivo agora deveria ser de estender isso e sentar lá com os americanos, ver se a gente consegue aumentar essa lista de exceção que foi anunciada”, concluiu.



Fonte: CNN Brasil, todos os direitos reservados

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