A disputa pelo governo de Pernambuco entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) segue acirrada: ambos estão numericamente empatados com 43% das intenções de voto. O pleito conta ainda com outro elemento polêmico: a candidatura de Ivan Moraes (Psol), que desagradou muito a equipe de Campos, receosa com a divisão do eleitorado progressista em um momento em que todo voto pode fazer a diferença.
A cientista política Priscila Lapa avalia que a governadora Raquel Lyra, que tem grande penetração no interior do estado, tem vantagens sobre o ex-prefeito João Campos, candidato muito identificado com a região metropolitana e a periferia do Recife. Raquel contará com uma base substancial e consolidada de prefeitos devido à migração para o PSD, enquanto João Campos tentará manter o protagonismo histórico do PSB no campo progressista.
Para ela, está em jogo o “enfrentamento de máquinas e dessa visão de gestão passado versus futuro”. “Não vai ser uma eleição fácil, mas Raquel Lyra tem uma vantagem competitiva importante pela base política que ela construiu na ponta. Isso é decisivo numa eleição para governador. E, além de tudo, ela também tem capacidade do voto de opinião, do voto argumentativo. Então ela construiu elementos de competitividade”, avalia ao BdF Entrevista.
Sobre a candidatura de Ivan Moraes, Lapa ressalta que o incômodo do PSB é “muito mais qualitativo do que quantitativo”. A cientista política destaca que o Psol tem sido uma voz dissidente à esquerda, criticando modelos de gestão municipal, como a concessão de parques públicos. “Ivan Moraes e o Psol como um todo têm se colocado de forma muito crítica a essa gestão, principalmente a alguns modelos que foram adotados”, destaca.
Priscila Lapa crê que, devido à sua militância e às críticas à postura ideológica do PSB, o Psol resistirá a pressões por remover a candidatura. “Eu acredito que haverá uma resistência muito forte do Ivan Moraes pela permanência, não só por ele, mas pela militância, pelo conjunto de eleitores realmente mais à esquerda que não concordam com certas linhas políticas, certas flexibilidades que o PSB demonstra no seu campo ideológico”, explica. De qualquer forma, ela acredita que uma retirada de Moraes não seria decisiva para o resultado final.
Com relação à disputa do Senado pelo estado, a cientista política aposta em Humberto Costa (PT) e em um outro nome mais à direita, apesar de o estado ter um histórico mais progressista. “Talvez Mendonça Filho ou Eduardo da Fonte. Acho que dois candidatos à esquerda vai ser difícil ter espaço no eleitorado, já que a eleição nacional também chega em Pernambuco”, reforça.
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.












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