Esta semana começou com uma notícia incômoda para a direção do PT em Pernambuco: um dos seis prefeitos do partido no estado foi acusado de violência doméstica. Segundo denúncia divulgada nas redes sociais da advogada Raíla Miranda, seu ex-marido George de Sidney, prefeito de Granito, teria agredido ela fisicamente por não aceitar o pedido de divórcio. Agora, segundo a denúncia, ele estaria praticando também violência patrimonial. As imagens divulgadas por Miranda mostram seu rosto e corpo com marcas de sangue e de agressões.
“Eu só havia tomado uma decisão sobre minha própria vida: eu não queria mais continuar aquela relação. (…) Nada justifica um homem agredir uma mulher. Nem uma roupa, nem uma discussão, nem uma crise no relacionamento”, afirma a ex-primeira dama no vídeo, pontuando ainda que as agressões ocorreram na primeira quinzena de agosto e diante dos olhos do filho do casal, uma criança de sete anos.
Nas imagens, ela também divulgou trocas de mensagens com o prefeito e alegou estar sofrendo violência patrimonial. “A violência não termina quando o relacionamento acaba. (…) Mas o medo não vai me calar. Estou procurando os meus direitos e reconstruindo a minha vida. Não permitirei que o medo determine o meu futuro. (…) Falo por mim, pelo meu filho e por tantas mulheres que vivem isso em silêncio”, discursou Raíla Miranda.
Um dia após a publicação da ex-esposa, George de Sidney divulgou uma nota escrita afirmando que “os fatos serão tratados exclusivamente pelas vias legais, com a serenidade e a responsabilidade que a situação exige”. “A Constituição Federal assegura a todos o contraditório e a ampla defesa, garantias fundamentais para que nenhuma conclusão ou condenação seja formada sem que os fatos sejam devidamente apurados e todas as partes possam apresentar suas versões e provas”.
A nota do prefeito segue. “Não pretendo transformar questões familiares e judiciais em debate público. Tudo será esclarecido no processo, com provas, responsabilidade e sob os rigores da lei”. Ele também levanta suspeitas sobre o uso das ferramentas institucionais de proteção à mulher, ao defender que “os importantes instrumentos legais de proteção e combate à violência doméstica sejam utilizados para a finalidade a que se destinam, não como mecanismo de disputa patrimonial ou de interferência indevida na convivência familiar”.
Partido dos Trabalhadores desfilia prefeito
A direção do PT em Pernambuco divulgou uma nota, escrita em parceria com a Secretaria de Mulheres do partido, sem pormenorizar sobre o tema, afirmando que “repudia com veemência toda e qualquer forma de violência contra as mulheres” e se solidarizando com a Raíla Miranda, apontada como vítima na denúncia de um caso de “agressão física e violência patrimonial envolvendo o prefeito de Granito, George de Sidney”. O partido afirma que encaminhava, “em regime de urgência”, um processo ético e disciplinar que acarretaria na desfiliação do acusado, quando este enviou uma carta pedindo a desfiliação.
O partido destaca ainda que o poder público deve ser célere na proteção das vítimas. “São urgentes a apuração dos fatos e a adoção das providências cabíveis pelos órgãos de Justiça, assim como as medidas necessárias para assegurar a proteção imediata das vítimas: mulher e criança. (…) A violência contra a mulher é uma das mais duras expressões da estrutura patriarcal que contamina a sociedade, atenta diariamente contra a vida das mulheres e precisa ser combatida com firmeza. É preciso romper com a naturalização da ideia de posse sobre as mulheres e combater a cultura de impunidade que permite a perpetuação dessa violência”, diz a nota.
“Esse caso não será esquecido e encontrará, nesta direção, todo empenho necessário para que haja uma resposta exemplar em defesa da vida e dos direitos das mulheres”, conclui o documento. Granito é um município de 7,2 mil habitantes, no Sertão do estado. Um dos seis onde o PT elegeu prefeitos. Agora o partido possui apenas cinco gestores municipais em Pernambuco.













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