Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a quinta fase da Operação Unha e Carne para investigar possíveis práticas de lavagem de dinheiro realizadas pela cúpula do jogo do bicho, com ramificações do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com a PF, a ação ocorre em cumprimento à ADPF das Favelas, que determina à corporação investigar “a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos”.
Nesta quinta-feira, os policiais cumprem três mandados de prisão preventiva. Dois dos alvos já estavam presos: o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como integrante da nova cúpula do jogo do bicho e também ligado à produção e à distribuição ilegal de cigarros. O terceiro alvo é o pastor Márcio Pôncio. Nas redes sociais, ele se apresenta como “Servo de Deus, membro da Igreja Nuvem, patriarca da família Pôncio, empresário e suplente de deputado federal (Pros-RJ)”. Além de líder religioso, é empresário do setor de cigarros e pai da deputada estadual Sarah Pôncio (Solidariedade-RJ).
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Além das prisões, a operação cumpre 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O STF também determinou o bloqueio de bens e valores que somam R$ 22 milhões.
A nova fase da operação foi desencadeada após os investigadores encontrarem registros atribuídos ao contraventor Adilsinho com menções a supostos pagamentos indevidos e doações eleitorais, o que levou à identificação de indícios de lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, as investigações continuam para identificar o fluxo financeiro e apurar a participação de possíveis beneficiários, intermediários e operadores do esquema.
Ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar é investigado na Operação Unha e Carne desde a primeira fase, deflagrada em dezembro de 2025, sob suspeita de repassar informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado TH Joias, apontado como articulador político do Comando Vermelho. Na etapa seguinte, a Polícia Federal prendeu o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, suspeito de fornecer as informações sigilosas a Bacellar, e afirmou ter reunido mensagens, registros de ligações e outros elementos que indicariam a proximidade entre ambos. Em março deste ano, durante a terceira fase da operação, Bacellar foi preso novamente por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso Ceperj e o oferecimento de denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação passou, então, a tramitar também no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.













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