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PF cumpre mandados em SP, BA e DF em nova fase de operação que apura desvios do Banco Master

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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a nona fase da Operação Compliance Zero e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A ação apura a participação de agentes públicos em um esquema de irregularidades envolvendo as fraudes do Banco Master.

Entre os alvos está o senador Jaques Wagner (PT-BA), que negou irregularidades em outras ocasiões. O parlamentar passou a aparecer nas investigações após a revelação de que a BK Financeira, empresa pertencente à sua nora, recebeu ao menos R$ 11 milhões do Banco Master. O senador afirmou que nunca participou de negociações ou intermediações em favor da empresa.

Nesta fase, a PF também mira Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central em fevereiro.

A Operação Compliance Zero foi iniciada em novembro de 2025 após suspeitas de emissão de títulos sem garantias suficientes para atrair investidores com promessas de alta rentabilidade. Segundo a PF, o prejuízo potencial estimado chegou a R$ 12 bilhões. Com o avanço das investigações, as apurações passaram a incluir suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, intimidação, uso indevido de informações sigilosas, corrupção e repasses a agentes políticos.

Entre os nomes já citados e/ou investigados pela PF estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). No caso de Castro, as apurações examinam operações envolvendo recursos do Rioprevidência aplicados em títulos ligados ao Banco Master.

A inclusão de Wagner, portanto, marca a entrada do primeiro integrante do núcleo político do governo Lula diretamente vinculado à investigação. Até então, os políticos citados em relatórios, agendas, mensagens e outras frentes da apuração tinham ligação com partidos de direita, centro-direita ou com o campo bolsonarista.

O que o senador já disse sobre o caso?

Antes de ser alvo da operação, Wagner afirmou ter encontrado Daniel Vorcaro duas vezes e disse que apoiaria uma eventual delação premiada do banqueiro. “Eu já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da Federal que encontrou algo sobre Vossa Excelência na medida em que foi citado agora, ou sobre o meu comportamento e o comportamento do ex-governador Rui Costa“, disse na tribuna do Senado na última terça-feira (16).

“Eu estou muito à vontade porque não tenho nenhuma relação com ele. Conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF”, disse.�

Em janeiro, durante entrevista à rádio Giro Baiana, classificou o caso como uma “trambicagem”. “Tô aqui, ó, tranquilo e calmo. A ‘trambicagem’ hoje do Banco Master, que bate em R$ 50 bilhões, 60 bilhões, 70 bilhões, é um bando de falcatrua feita lá com BRB. Tem muita gente debaixo da cama”, afirmou.�

Na mesma entrevista, disse estar “fora dessa confusão”. “Em relação a nós aqui, eu estou fora dessa confusão. Pergunta se tem algum dinheiro do governo da Bahia aplicado no Banco Master, como tem do Rio de Janeiro, do Amapá e de Brasília. Não tem uma banda de conto nossa”, declarou.

Em maio, ao responder às críticas de Flávio Bolsonaro no Senado, Wagner voltou a negar envolvimento. “Eu vim aqui por conta da fake news que o senador Flávio Bolsonaro fez semana passada, para esclarecer que na Bahia não nasceu nenhum trambique. O trambique nasceu quando o Banco Central, que deveria fiscalizar o que estava acontecendo, não fiscalizou e permitiu que este senhor, Daniel Vorcaro, pudesse fazer o rombo que fez de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões contra o FGC.”

Após a deflagração da operação, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que Jaques Wagner é “depositário de toda a nossa confiança”. “Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master; a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis, penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança de que Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, afirmou o dirigente do partido em nota.

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, por sua vez, afirmou que aguarda mais informações “com tranquilidade”, pois tem conhecimento da “seriedade e conduta pública” do senador. “O presidente Lula já repetiu várias vezes que, no nosso governo, a PF tem independência e trabalha. Quem tiver que dar explicações, que faça e prove sua inocência”, disse.�

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou estar “muito tranquilo com isso” e acreditar “que o senador Jaques Wagner vai prestar os esclarecimentos devidos para a justiça”. “[O caso Master] tem um nascedouro, que é a autorização em 2019 para o Daniel Vorcaro instituir e formar o banco, todas as aquisições que foram feitas e a expansão do negócio, a aquisição de carteiras, que ocorreram de 2019 a 2024, durante a gestão do ex-presidente do BC [Campos Neto]”, disse.

No caso do ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno, Augusto Lima, sua defesa afirma, em nota, que “as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que [o investigado] está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”.�

“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”, concluiu.�





Com Informações: Brasil de Fato

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