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Pablo Marçal é o candidato com maior patrimônio declarado nas Eleições 2026, desconsiderado registro de R$ 1,5 quatrilhão

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O candidato à Presidência da República Pablo Marçal (PRTB)declarou R$ 7.418.372.569 em bens e direitos à Justiça Eleitoral para as Eleições 2026. Desconsiderando um registro de R$ 1,5 quatrilhão, declarado pelo candidato a senador pelo Distrito Federal Tiago, do Agir, um envidente erro de digitação, Marçal aparece com omaior valor patrimonial declarado entre os candidatos do país.

A declaração do presidenciável reúne 18 bens e direitos. O maior deles, isoladamente, responde por quase todo o patrimônio: uma aplicação de renda fixa em RDB/CDB no Banco Itaú, informada por R$ 6.791.824.000.

O valor corresponde a aproximadamente 91,6% de tudo o que Marçal declarou. Outros dois itens também se destacam: um terreno urbano em Santana de Parnaíba, na Região Metropolitana de São Paulo, informado por R$ 490 milhões, e uma participação de 80% na Aviation Participações Ltda., declarada por R$ 80 milhões. Juntos, esses três registros correspondem a aproximadamente 99,2% do patrimônio apresentado pelo candidato.

Marçal concorre pelo número 28, tem Leonardo Avalanche como candidato a vice-presidente e, na atualização consultada, aparece como concorrendo, embora seu pedido de registro ainda esteja aguardando julgamento da Justiça Eleitoral. A página do Portal de Eleições da Agência Sertão foi atualizada com os dados disponíveis em 15 de agosto.

Aplicação de R$ 6,79 bilhões concentra patrimônio

Dos R$ 7,418 bilhões declarados, R$ 6,792 bilhões estão concentrados em uma única aplicação de renda fixa, descrita no registro como saldo de RDB/CDB no Banco Itaú.

O segundo maior item é o terreno em Santana de Parnaíba, avaliado na declaração em R$ 490 milhões. Em seguida está a participação na Aviation Participações, no valor de R$ 80 milhões.

Marçal também informou R$ 19,87 milhões referentes a 50% da Marçal Holding Ltda., além de uma participação societária de R$ 9,23 milhões e 90% da Marçal Participações Ltda., avaliados em R$ 2,55 milhões.

Entre as aplicações financeiras estão ainda R$ 6,64 milhões em fundo do Banco Safra; R$ 6,43 milhões em fundo incentivado de infraestrutura do Itaú; R$ 4,9 milhões em Letra Imobiliária Garantida; e R$ 4,65 milhões em fundo imobiliário.

Outros valores aparecem distribuídos entre fundos, contas bancárias, aplicações de renda fixa e uma fração de terreno em Pirenópolis, em Goiás, declarada por aproximadamente R$ 965 mil.

Valor do terreno chama atenção

Alguns números da declaração de 2026 chamaram atenção após a divulgação dos dados.

O terreno de Santana de Parnaíba aparece neste ano por R$ 490 milhões. Reportagens publicadas após o registro observaram que Marçal havia declarado em 2024 um terreno na mesma região por R$ 4,9 milhões. Não é possível afirmar apenas a partir dos registros disponíveis que se trata exatamente do mesmo ativo, mas a diferença de cem vezes levou veículos de imprensa a apontarem a possibilidade de inconsistência ou erro no preenchimento.

A declaração de 2026 também apresenta como principal ativo a aplicação de R$ 6,79 bilhões em RDB/CDB. O valor consta dessa forma na base consultada pela Agência Sertão e corresponde ao dado informado à Justiça Eleitoral.

Isso é importante porque a existência de um número na declaração eleitoral não significa que o valor tenha sido objeto de uma avaliação independente de mercado pela Justiça Eleitoral.

Há um candidato com R$ 1,5 quatrilhão no sistema

Uma ressalva é necessária para compreender o ranking nacional.

A base atualmente exibe Tiago Társis Adaldo (Agir), candidato ao Senado pelo Distrito Federal, com patrimônio declarado de R$ 1.500.000.000.841.146, ou aproximadamente R$ 1,5 quatrilhão. Portanto, considerando apenas uma ordenação matemática da base sem qualquer tratamento, ele apareceria acima de Pablo Marçal.

O valor, contudo, decorre de um único item cadastrado como “direito de autor, de inventor e patente”, relacionado a um sistema e plataforma na internet. Esse bem foi informado por R$ 1,5 quatrilhão. Os outros 12 bens da declaração somam cerca de R$ 841 mil.

O próprio Tiago Társis reconheceu publicamente que ocorreu erro de digitação. Ao Metrópoles, afirmou que o valor correto daquele item seria R$ 15 mil e que o partido solicitaria a correção da declaração.

A própria descrição inserida no registro dá dimensão da inconsistência: o candidato atribuiu R$ 1,5 quatrilhão ao direito sobre a plataforma, mas escreveu que havia previsão de faturamento entre R$ 15 mil e R$ 1,5 milhão.

Enquanto a retificação não é processada, o valor permanece visível nas bases consultadas.

Por isso, o Portal de Eleições da Agência Sertão deve tratar esse caso como uma anomalia conhecida da base. Desconsiderado o lançamento que o próprio candidato informou estar errado, Pablo Marçal passa a ocupar a primeira posição entre os maiores valores patrimoniais declarados para as Eleições 2026.

Entre os presidenciáveis, liderança é ampla

Mesmo sem considerar a comparação com candidatos aos demais cargos, Marçal possui de longe o maior patrimônio declarado entre os concorrentes à Presidência.

Antes do registro de sua candidatura, o maior valor entre os presidenciáveis era o do escritor Augusto Cury (Avante), com cerca de R$ 242,3 milhões, seguido por Romeu Zema (Novo), com aproximadamente R$ 178,7 milhões.

Com a entrada de Marçal no último dia do prazo de registros, a liderança passou para os R$ 7,4 bilhões informados pelo candidato do PRTB.

A diferença é expressiva: o total declarado por Marçal equivale a mais de 30 vezes o patrimônio informado por Cury.

Patrimônio declarado não é sinônimo de valor de mercado

Assim como ocorre com os demais candidatos, os R$ 7,4 bilhões não devem ser apresentados como uma avaliação independente da fortuna de Pablo Marçal.

O termo tecnicamente adequado é patrimônio declarado à Justiça Eleitoral.

O TSE exige que o pedido de registro de candidatura seja acompanhado de uma declaração atual de bens preenchida no sistema CANDex e assinada pelo próprio candidato.

A Justiça Eleitoral torna os dados públicos, mas a mera divulgação não equivale a uma avaliação individual do preço de mercado de cada imóvel, participação societária, aplicação ou outro direito informado.

Isso pode produzir distorções nos dois sentidos.

Alguns ativos podem aparecer com valor inferior ao preço atual de mercado, enquanto outros podem ser informados por valores que posteriormente sejam corrigidos, retificados ou questionados.

Imóveis antigos podem aparecer subavaliados em relação ao mercado

A diferença entre patrimônio declarado e valor de mercado é particularmente relevante no caso dos imóveis.

Pelas regras gerais da declaração do Imposto de Renda, um imóvel não é automaticamente atualizado todos os anos pela inflação ou pela valorização imobiliária.

A Receita Federal informa que o valor de bens móveis e imóveis somente deve ser alterado, em regra, quando ocorre algum novo gasto que possa ser incorporado ao custo de aquisição. Se não houver novos custos, o valor permanece fixo, sem atualização.

Isso significa que uma residência comprada décadas atrás pode constar em declarações por um valor muito inferior ao preço pelo qual seria negociada atualmente.

Por exemplo, um imóvel comprado por R$ 300 mil muitos anos atrás pode continuar registrado próximo ao custo histórico mesmo que atualmente tenha valor de mercado superior a R$ 1 milhão, dependendo da forma de aquisição e dos eventos incorporados ao custo.

Por esse motivo, rankings patrimoniais baseados nas declarações eleitorais não são rankings precisos de riqueza a valor de mercado.

Participações em empresas também exigem cautela

Outro ponto importante é a avaliação das participações societárias.

Um candidato pode declarar quotas de uma empresa pelo valor de aquisição, pelo capital integralizado ou por outro valor constante nos registros patrimoniais. Isso não significa necessariamente que sua participação valeria exatamente aquele montante em uma eventual venda.

O mesmo raciocínio se aplica a empresas sem ações negociadas em bolsa, direitos autorais, patentes e outros ativos cuja determinação de preço de mercado depende de avaliação econômica.

No caso de Pablo Marçal, a declaração contém diversas participações societárias, entre elas a Aviation Participações, Marçal Holding e Marçal Participações.

Portanto, somar os números informados é útil para mostrar o patrimônio declarado, mas não permite concluir automaticamente qual seria o patrimônio líquido efetivo do candidato em uma avaliação de mercado.

Valores podem ser retificados

O exemplo do candidato Tiago Társis mostra também que as bases eleitorais podem carregar informações incorretas até que seja apresentada e processada uma retificação.

Na atualização consultada, o Portal da Agência Sertão ainda reproduzia exatamente o valor presente na fonte oficial: R$ 1.500.000.000.841.146.

Essa é uma razão adicional para que levantamentos sobre patrimônio sejam tratados como fotografias da base disponível naquele momento, e não como números imutáveis.

O mesmo cuidado deve ser aplicado à declaração de Marçal. Os R$ 7,418 bilhões correspondem ao que está atualmente registrado e divulgado pela Justiça Eleitoral. Eventuais correções, retificações ou decisões posteriores podem modificar a relação de bens e o valor total.

Marçal concorre pelo PRTB

Pablo Henrique Costa Marçal nasceu em Goiânia, em abril de 1987, e terá 39 anos no primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Ele informou ensino superior completo, ocupação de diretor de empresas, estado civil casado e cor ou raça branca. Disputa a Presidência pelo PRTB, número 28, tendo Leonardo Avalanche como candidato a vice.

O registro foi apresentado no último dia permitido pelo calendário eleitoral. Na atualização disponível no Portal de Eleições da Agência Sertão, o sistema do TSE indicava “aguardando julgamento”, enquanto a situação na totalização aparecia como concorrendo.

A apresentação do pedido não significa que o registro esteja definitivamente deferido. Marçal possui decisões anteriores de inelegibilidade relacionadas à eleição municipal de 2024 e tenta reverter seus efeitos na Justiça Eleitoral.

Portal da Agência Sertão detalha os bens dos candidatos

A declaração completa de Pablo Marçal pode ser consultada no Portal de Eleições da Agência Sertão, que organiza os dados públicos disponibilizados pelo TSE e pelo DivulgaCandContas.

A página individual apresenta cada um dos 18 bens separadamente, com descrição, categoria e valor, além do patrimônio total, informações pessoais publicáveis, partido, composição da chapa, documentos eleitorais, limites de gastos e situação do pedido de registro.

O portal também reúne os candidatos de todos os estados e cargos, permitindo comparar patrimônio, idade, sexo, cor ou raça, escolaridade, trajetória eleitoral e outros indicadores.

Em todas essas comparações, porém, é necessário manter a mesma ressalva: os patrimônios correspondem aos valores declarados pelos candidatos nas bases eleitorais e não necessariamente ao valor atual de mercado de seus bens.

Imóveis podem estar registrados pelo custo histórico, sem correção integral pela inflação ou valorização; participações empresariais podem ter valor econômico diferente do número declarado; e erros materiais podem permanecer temporariamente na base até serem retificados.

No caso das Eleições 2026, a declaração de R$ 1,5 quatrilhão de Tiago Társis é o exemplo mais evidente desse cuidado. Excluída essa informação reconhecida como incorreta pelo próprio candidato, Pablo Marçal aparece com o maior patrimônio declarado do país, atualmente em R$ 7,418 bilhões.



Com informações do Agência Sertão

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