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Opinião: Zona Azul em Caetité: se todo mundo tiver isenção, para que serve o sistema?

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Zona Azul em Caetité volta ao debate após funcionários pedirem isenção e vagas exclusivas; antes do sistema, encontrar vagas no centro era difícil.

Opinião pelo jornalista Edu Vale – Drt 6351/BA

Funcionários do comércio reúnem mais de 360 assinaturas e pedem vagas gratuitas e exclusivas; discussão reacende antigo problema da falta de estacionamento no centro

A discussão sobre a Zona Azul em Caetité ganhou um novo capítulo após funcionários de estabelecimentos comerciais do centro da cidade reunirem mais de 360 assinaturas e levarem à Câmara Municipal uma reivindicação por isenção da cobrança e criação de vagas gratuitas exclusivas para trabalhadores.

A mobilização é legítima e coloca em debate uma questão importante: como conciliar o direito de quem trabalha no centro com o direito de quem precisa ir ao centro para consumir, resolver problemas ou utilizar os serviços disponíveis?

Mas existe uma pergunta que também precisa ser feita: se funcionários, lojistas e outros usuários forem isentos da Zona Azul, qual será a finalidade do sistema?

Zona Azul em Caetité surgiu para resolver um problema antigo

Antes da implantação da Zona Azul em Caetité, encontrar uma vaga disponível no centro da cidade era, muitas vezes, uma verdadeira missão.

Quem precisava ir ao comércio sabia que poderia dar várias voltas pelas ruas até encontrar um espaço para estacionar.

E havia uma explicação bastante simples para isso: boa parte das vagas permanecia ocupada durante horas por veículos de pessoas que trabalhavam no próprio centro.

Funcionários chegavam pela manhã, estacionavam próximo ao local de trabalho e permaneciam com o veículo parado durante praticamente todo o expediente.

Comerciantes e trabalhadores acabavam utilizando por longos períodos vagas que, em tese, deveriam atender também aos consumidores.

Resultado: quem precisava ir ao centro para comprar alguma coisa, pagar uma conta, utilizar um serviço ou simplesmente resolver uma pendência encontrava dificuldade para estacionar.

A matemática da Zona Azul

É justamente aí que a discussão fica interessante.

A lógica de um sistema de estacionamento rotativo é relativamente simples: a vaga precisa girar.

Um carro estaciona, o motorista resolve o que precisa e deixa o espaço disponível para outra pessoa.

Se alguém permanece na mesma vaga durante oito horas, a rotatividade desaparece.

Agora imagine que, além dos trabalhadores, outros grupos também passem a ter direito à isenção.

A pergunta inevitavelmente aparece:

Se grande parte das pessoas que estacionam no centro estiver isenta, quem vai pagar pelo sistema e, principalmente, quem vai garantir a rotatividade das vagas?

A Zona Azul poderia acabar se transformando em uma espécie de “zona azul seletiva”, na qual justamente quem utiliza a vaga durante todo o dia ficaria protegido da cobrança.

Funcionário precisa estacionar, mas consumidor também

É evidente que o funcionário precisa chegar ao trabalho.

Também é compreensível que ninguém queira pagar diariamente para deixar o veículo estacionado durante toda a jornada.

Mas existe outro lado da história.

O consumidor também precisa estacionar.

E foi justamente a dificuldade enfrentada pelos consumidores antes da implantação do sistema que ajudou a criar a necessidade de organizar o estacionamento no centro.

A reivindicação dos trabalhadores, portanto, abre espaço para uma discussão que vai muito além da cobrança de alguns reais.

Como garantir uma solução para quem trabalha no centro sem voltar ao cenário em que praticamente não havia vagas disponíveis para quem precisava ir ao comércio?

Mais de 360 assinaturas levam debate à Câmara

Os trabalhadores reuniram mais de 360 assinaturas e levaram a reivindicação ao Legislativo Municipal.

A proposta defendida pelo grupo envolve isenção da cobrança e estacionamento gratuito exclusivo para funcionários.

A partir de agora, caberá aos vereadores discutir a questão e avaliar se é possível criar algum mecanismo que atenda aos trabalhadores sem comprometer o objetivo principal da Zona Azul.

Uma alternativa poderia envolver regras específicas, horários, áreas determinadas ou algum tipo de credenciamento.

Mas qualquer solução precisará considerar também o restante da população.

Afinal, uma política pública de estacionamento não pode olhar apenas para quem já ocupa as vagas. Ela também precisa considerar quem está tentando encontrar uma vaga.

O centro antes e depois da Zona Azul

A discussão também precisa considerar como era o estacionamento no centro antes da implantação do sistema.

Não era raro que motoristas percorressem várias ruas procurando espaço.

Em muitos casos, a dificuldade não era necessariamente a falta absoluta de vagas, mas o fato de elas permanecerem ocupadas por longos períodos.

Um funcionário que chega às 8h e sai às 18h pode utilizar uma única vaga durante praticamente todo o dia.

Nesse mesmo período, dezenas de consumidores poderiam utilizar aquele espaço por períodos menores.

É justamente essa diferença que explica a importância da rotatividade.

Se todo mundo for isento, perde o sentido?

A crítica central da discussão é simples.

Se a Zona Azul em Caetité isentar todos os grupos que utilizam as vagas durante longos períodos, o sistema corre o risco de perder justamente a função para a qual foi criado.

Não se trata de dizer que trabalhadores não têm direito a uma solução.

Pelo contrário: a questão merece ser discutida.

Mas é preciso encontrar uma solução que não transfira novamente para os consumidores o problema que existia antes.

Porque, no final das contas, não adianta o funcionário conseguir estacionar gratuitamente em frente ao trabalho se o cliente que chega à loja precisar passar 20 minutos procurando uma vaga.

A Zona Azul pode até ter problemas, precisar de ajustes e merecer aperfeiçoamentos.

Mas transformar praticamente todas as vagas do centro em estacionamento permanente e gratuito para quem trabalha na região seria, no mínimo, uma solução curiosa para um problema que a própria Zona Azul tentou resolver.

E fica a pergunta que resume a discussão: se ninguém pagar e todo mundo puder estacionar o dia inteiro, ainda teremos uma Zona Azul ou apenas vagas azuis?

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