Neste dia 13 de agosto Donald Trump autorizou nova ofensiva sobre o nosso continente. Desta vez, com o uso de instrumento de inteligência artificial e vigilância cibernética. Tecnologias digitais que serão despejadas sobre o que eles entendam como organizações criminosas com atuação relevante fora dos EUA.�
Muitos analistas passaram a afirmar que isso nos ameaça diretamente. Afinal, o texto da Casa Branca explicitava referências ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), já anteriormente apontados por eles como organizações terroristas. E isso nos colocou, segundo avaliação em carta emitida pelo Itamaraty, diante da possibilidade/risco de virmos a sofrer ação militar direta, dos EUA, dentro do Brasil.�
Vale lembrar que já no início deste mês, possivelmente convencido de que, sem poder contar com as forças armadas nacionais não teríamos como nos defender, nosso Ministro da Defesa afirmou que, diante de eventual invasão norte-americana, nos restaria “abrir o portão”.�
Comento isso porque no dia 12 de agosto tive oportunidade de escutar, uma fala impactante do embaixador cubano,�Victor Cairo (atividade promovida pela ACJM-RS, SINDBANCÁRIOS, MST, CPERS, ANDES, A VOZ TRABALHADORA e LEVANTE), no SINDBANCÁRIOS de Porto Alegre.�
Ele afirmou que se os norte-americanos que hoje ameaçam invadir a Ilha, entrarem em Cuba, à força, não vão conseguir sair de lá.�
Que se houver uma invasão, o povo resistirá e a Ilha se transformará num cemitério colossal.�
E que o conflito será tão longo e tão terrível, que desestabilizará o continente inteiro levando os próprios Estados Unidos a pagarem um preço além de qualquer expectativa.
A diferença entre Cuba e o Brasil, desde a perspectiva do Trump, parece ser de que nos dois casos ele conta com a desmobilização provocada por suas ameaças. E enquanto na Ilha ele prefere o cerco e morte lenta por asfixia, aqui acredita que vai ser moleza vencer, comprando o apoio de traidores da pátria.
Voltando ao embaixador, e pela importância do que ele falou, vou reproduzir aqui algumas anotações que podem nos ajudar a entender melhor as ameaças que nos espreitam e os compromissos que devemos assumir em relação a elas.
Em Cuba, nos dias de hoje, 9 milhões de pessoas vivem com apagões de 48 a 72 horas. Estão há sete meses sem petróleo e com isso todas as máquinas param de operar.
Ainda assim eles entendem o valor do sacrifício necessário para manter escolas e hospitais funcionado, nas condições em que isso é permitido pela realidade.
Sem energia, sem insumos, sem remédios, a solidariedade interna se mantém. Ali está, em pé, uma reafirmação da consciência coletiva de um povo que entende de onde vem tudo aquilo que desaba sobre eles, empurrado por interesses opostos ao desenvolvimento humano.�
Afinal, como disse o embaixador: “se o socialismo não funcionasse, o que explicaria aquele bloqueio comercial que se alonga há 60 anos e que agora está sendo estendido para uma asfixia genocida, que faz faltar de tudo ao povo cubano?”�
O embaixador Victor Cairo destacou a necessidade de que a consciência das pessoas ilumine algo básico: os dramas que assolam os habitantes da Ilha decorrem do medo que o império tem, dos exemplos que Cuba oferece. Por isso o bloqueio econômico, militar, financeiro e midiático estaria se dedicando a destruir a vida sócio-política, a memória e as realizações da revolução Cubana.�
Mas o que está acontecendo lá também resulta da ignorância, da apatia e do medo que outros povos têm, de serem amassados pelos mesmos poderes que tentam isolar e destruir o modelo cubano.
Afinal, como disse o embaixador, esta realidade só evidencia algo óbvio: o socialismo funciona! E isso apavora os analistas do Império.
E é para ocultar este fato que o governo Trump vem impedindo a entrada, na ilha, de combustíveis, remédios, alimentos, peças de máquinas e qualquer coisa que permita manter a paz, a dignidade e a qualidade de vida de uma população que além de ser pacífica em nada poderia ameaçar o império norte-americano.�
Esta é a realidade: o império teme os exemplos que evidenciam a falência de seu modelo de vida. Para apagar isso dos olhos, corações e mentes do mundo, estão forçando a deterioração criminosa dos indicadores sociais positivos alcançados em Cuba, que vinha oferecendo a seus habitantes condições de educação, de saúde e qualidade de vida equivalentes ao que há de melhor do mundo.�
Que interesses humanos poderiam justificar ações do governo norte-americano que estão obrigando 16 mil cubanos que recebiam assistência médica gratuita deixem de ter acesso à radioterapia? Também já são 3 mil as pessoas sem acesso à hemodiálise. Quatro mil gestantes sem acesso a exames pré-natais, 67 mil crianças desprovidas de esquemas de imunização, sem acesso a vacinas para doenças que já tinham sido erradicadas de Cuba. Tudo isso hoje, em agosto de 2026 e diante do que implica conviver com o sofrimento de milhares e com a impotência determinada pelo bloqueio.�
Pessoas definhando enquanto avança um genocídio lento, naquele território insular que com esforço próprio construiu e agora vê sendo destruído, um dos melhores sistemas de saúde do planeta.
E isso deve ser encarado como o que é: se trata de uma experiencia brutal, que ameaça o futuro da humanidade. Algo que pode prosperar, naturalizando comportamentos tão ofensivos como degradantes da natureza humana. Algo que se revela tanto na violência de alguns como na omissão de outros, que poderiam ajudar e não o fazem, ou que compactuam com interesses relacionados ao apagamento da história revolucionária cubana.�
E ainda assim, apesar disso, aí está a incrível resistência cubana. Ganhando respeito de parcela da comunidade internacional que diante disso não tem como deixar de entender o essencial: avança contra Cuba uma forma de degradação da condição humana, que tende a se estender a todos que habitam qualquer território onde exista qualquer motivo de cobiça, por parte do império. �
São claras as ameaças que pairam sobre aqueles/as que habitam este continente entendido pelo governo Trump como “seu quintal”, um local onde o domínio de Washington “nunca mais será questionado”.
Não podemos nos enganar. O que ocorre na Palestina, com as bombas, e em Cuba com bloqueios, também avança de forma sutil com interferências em processos eleitorais, em todos aqueles locais olhados com gula, pela pirataria norte-americana. Ou alguém poderia subestimar as sinalizações de que Trump está agindo no sentido de intimidar os brasileiros para eleger o entreguista Flávio Bolsonaro?
Aí estão as tarifas adicionais sobre os produtos brasileiros, a indicação de Daniel Perez e a tentativa de enviar lobistas para organizar agendas contra o Brasil, a partir da embaixada norte americana. Se restam dúvidas a respeito do que nos ameaça, vale lembrar que em 28 de julho, a Casa Branca prorrogou uma ordem executiva que classifica o Brasil como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos. Já fingem esquecer do Irã e agora, uma vez derrotando ou não a Cuba, nós seremos a bola da vez.
Para sua conveniência, o império confia no isolamento do Brasil, assim como no apagamento de Cuba, como passos no caminho da destruição de laços de solidariedade entre os povos da América Latina e Caribe. Conta para isso com capangas ao estilo de Flávio Bolsonaro e Milei, abertamente comprometidos com a desintegração da autonomia regional.
E é disso que trata a solidariedade internacional demandada e exercida pelo povo cubano. Um coletivo de autoproteção internacionalista dependerá de formadores de opinião e meios de comunicação que não estão assumindo a necessidade de denunciar esta realidade. Ao contrário, as grandes mídias que atuam entre nós estão a serviço de interesses comprometidos com estimular sua consolidação.�
E isso é chave, porque o que se passa em Cuba demanda esclarecimento global a respeito de algo que ameaça a todos. Entre os objetivos do império está levar os povos que pretende controlar a acreditarem na ausência de alternativas à submissão voluntária. Multidões enganadas por uma visão distorcida do socialismo, vendido como uma espécie de solidariedade na distribuição da miséria e da pobreza, quando a realidade é outra. Como Cuba já demonstrou, o socialismo é o caminho para a construção e a apropriação coletiva da riqueza e dos direitos que ela permite atender. Se trata da forma de expandir a geração de oportunidades, em espaço social compartilhado, com visão coletiva e responsavelmente protetiva ao metabolismo dos sistemas sociais e dos ecossistemas naturais.�
Foi para isso (como lembrado pelo embaixador Victor Cairo) que Cuba tomou a decisão de direcionar investimentos escassos para a criação de escolas, universidades e hospitais que a capacitaram a produzir e enviar médicos a países com dificuldade de atender seus próprios povos.�
Pensando sobre isso entenderemos a importância de que os trabalhadores de todos os países examinem a intencionalidade das forças e dos agentes que colocam em risco a saúde de seus habitantes e a soberania de suas nações. Pois é deste tipo de reflexão que resultarão ações orientadas à criação de mecanismos de cooperação regional, contra a miséria e todo tipo de exploração colonial.
Afinal, as trocas desiguais forçadas pelo medo e pela força de exércitos sempre se expressam nos níveis de acesso à educação, e à saúde, estabelecendo realidades onde parece natural que os filhos de pobres sejam sempre pobres, entre outras perversidades que aí estão para serem corrigidas.
Lembrando que as escolas, as universidades, os partidos políticos, os sindicatos e os espaços de congraçamento são instrumentos para alimentação da energia e do encantamento da juventude, onde a consciência deve florescer para defender as pessoas, as culturas e as conquistas da humanidade, o embaixador terminou sua fala repetindo algo que Fidel dizia: “venho aqui para oferecer o meu coração e reafirmar que Cuba vai lutar pela história de democracia da América Latina, pela história da América Latina, pela história de Cuba e pelo futuro dos filhos de todos os povos”.�
Afinal, uma luta se ganha lutando. E inclusive se pode até se perder, lutando. Mas a derrota só é certa, sem lutas.�
Aí está um pensamento que de fato tem tudo a ver com a pressão norte-americana sobre Cuba. E diz respeito à voracidade dos fascistas internacionais interessados no roubo de nossas riquezas e à sedução que exercem sobre os entreguistas que rastejam entre nós.
Pensando nisso, e olhando para as eleições de outubro, uma coisa é certa: podemos fazer muito pelo Brasil, por Cuba e pelo futuro da humanidade, simplesmente garantindo a vitória da democracia, contra todos aqueles e aquelas que se opõem a ela.
Para encerrar, uma música cubana:
E um chamado à solidariedade para com os habitantes da Ilha e o projeto socialista:�
Faça parte da campanha permanente AJUDE CUBA promovida por movimentos brasileiros em solidariedade à ilha em meio à asfixia energética.
Você pode ajudar doando qualquer valor para o PIX�👇🏿
Beneficiário: Instituto Nacional para o Desenvolvimento Social e Cultural do Campo
Chave Pix (CNPJ): 11.586.301/0001-65
Dados Bancários: Agência: 1231 | Operação: 1292 | Conta Corrente: 000577559399-1
Para quem mora em Porto Alegre:
A festa será na Banda Saldanha, Avenida Padre Cacique, 1355. A partir das 19h.
Ingressos de R$50,00 e R$ Solidário de R$100,00 para compra de medicamentos para Cuba.













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