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‘O PL provou que é defensor da censura’, diz analista após suspensão de pesquisa que mostrava queda de Flávio Bolsonaro

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“O PL provou que é defensor da censura”, diz cientista político sobre suspensão de pesquisa

O ministro Kássio Nunes Marques acatou pedido de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e concedeu liminar determinando a suspensão da divulgação da pesquisa de intenção de votos Atlas/Intel que indicou pela primeira vez o derretimento da pré-candidatura do senador. A queda ocorreu após a revelação pública de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O advogado e cientista político Jorge Folena lembra que a referida pesquisa foi a primeira que identificou o desgaste, mas, depois dela, vieram várias outras. “Num primeiro momento ele [Flavio Bolsonaro] negou, mas depois confirmou. E isso teve um efeito muito forte no país inteiro. Era uma candidatura que estava se consolidando para disputar com o presidente Lula. E, depois daquilo, todas as pesquisas apontaram a perda de popularidade de Flávio Bolsonaro. Chegou a se especular naquela semana que Flávio desistiria da candidatura, o que não fez por pressão do pai dele”, explica ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

O pedido a Marques foi feito pelo PL, o principal partido representante do bolsonarismo. Folena destaca que, ironicamente, questiona algo que eles diziam defender: a liberdade de expressão. “Hoje caiu mais um mito do bolsonarismo”, diz. “O PL e o bolsonarismo estão impedindo que uma pesquisa eleitoral chegue ao conhecimento da sociedade brasileira. A decisão de Nunes Marques é inusitada porque, de fato, é a primeira vez que estamos diante desse cenário no Brasil. Mas não é algo que posso considerar normal. Porque é necessário perguntar à opinião pública: isso é importante ou não? Esse áudio é importante ou não? Isso não significa interferência alguma na intenção de voto. A pesquisa quis aferir se o que ocorreu com Flávio Bolsonaro impacta ou não”, explica. “Hoje derrubamos um mito e o PL provou que é defensor da censura.”

A pergunta sobre a relação de Flávio com Vorcaro era a última de 48 realizadas pelo instituto nos dias da pesquisa. “E é curioso porque o Lula, que estava aparecendo abaixo em todas as pesquisas anteriores, em nenhum momento questionou a pesquisa. Ou seja, me parece que está havendo uma interferência tanto da candidatura do Flávio Bolsonaro como da Justiça Eleitoral por meio da decisão de Nunes Marques no método de aferição das pesquisas. As empresas precisam ter liberdade para fazer suas aferições”, argumenta. “O PL que se colocava como defensor das liberdades, agora se coloca ao contrário. Eles não querem liberdade de expressão”, afirma Folena.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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