“A direita compreendeu que as redes eram um veículo de comunicação de massa antes de nós”, chama a atenção a historiadora e youtuber Laura Sabino. Como conta ao Brasil de Fato MG, ela é uma das influenciadoras que ajudou a “capinar o lote” da internet, para que a esquerda tenha cada vez mais espaço na disputa política nas redes sociais.�
Entrevistada pelo Visões Populares, Sabino comentou sobre esse desafio, as investidas de Donald Trump contra a América Latina e as possibilidades de interferência das Big Techs nas eleições brasileiras de 2026.
Confira a entrevista completa:
Brasil de Fato MG – Como você interpreta o funcionamento das redes sociais hoje?
Laura Sabino – Como uma pessoa que viu diversas fases das redes sociais, acho que o que mais precisamos focar, ao pensar em rede social, é que o grande interesse dela, como todo veículo de comunicação de massa, é levar alguma informação em troca de publicidade. Isso é feito mantendo você o maior tempo possível dentro das redes.�
A lógica das bolhas se esgotou, de determinada forma. Isso não quer dizer que acabaram os nichos, eles ainda existem, mas aquela ideia do Facebook, em que só chegavam coisas com viés de confirmação e você não tinha acesso ao discurso do outro, caiu. Quando pegamos o formato da timeline do TikTok ou do Twitter, vemos o contrário: um estímulo ao embate. O formato mais consumido no YouTube hoje é de debates. Somos colocados em uma posição de discordância.
Acabei de chegar a um milhão de seguidores no Instagram, em uma semana em que recebi muitos ataques. Pensar que um deslike, ou não gostar de algo, gera algo ruim para o influenciador ou para aquele ecossistema é um erro, porque a rede social foca no seu tempo de tela. Se você está gostando ou não, ou se está consumindo ecossistemas bizarros em relação a crianças, por exemplo, para eles não importa; o que importa é o tempo retido para gerar anúncios.�
A lógica de bolhas é importante para pensar o processo das redes, mas hoje é mais interessante pensar no algoritmo como comunidade e ecossistema. Em um território da Amazônia, você tem uma árvore onde moram macacos e que produz um fruto, que um pássaro come. Quando esse pássaro faz suas necessidades, ele aduba o solo. Cria-se uma forma em que as coisas são complementares; você precisa de determinada espécie de animal para que determinada planta exista.�
Dentro das redes sociais, hoje, vou pegar o exemplo de um vídeo que fiz sobre o Che Guevara, que hoje é o mais visto do mundo, na plataforma, sobre o tema, mesmo com o Brasil Paralelo investindo R$ 20 milhões em anúncios. Muitas pessoas que viram o vídeo do Brasil Paralelo tiveram acesso ao meu, porque o tema era Che Guevara. Quando termina o vídeo de um influenciador de direita, é mostrado um conteúdo de um influenciador com pensamento parecido ou oposto.�
Por isso, na rede social, a ideia liberal de disputa individual não se encaixa. É ruim ter poucas pessoas fazendo conteúdo de esquerda, porque o conteúdo político precisa circular em um ciclo, senão o que será retratado é apenas o ciclo de direita. Estamos vendo chegar muitos influenciadores de esquerda e esse ecossistema da política na internet está se modificando.�
No começo, era interessante ver a Rita Von Hunty indicar o meu canal ou o da Senhora Bira. Fazemos isso porque entendemos que, nessa lógica das redes, mesmo não concordando 100% com determinado influenciador, esse suporte é importante para não estarmos sozinhos.
Quais são os acertos da direita política, quando tratamos de conteúdo digital. Por que esse campo vai bem no ambiente da internet?�
A direita compreendeu que as redes eram um veículo de comunicação de massa antes de nós. Lembro do discurso da esquerda de que a internet seria um lugar de informação livre, sem censura. Cresci ouvindo que sete famílias controlavam a grande mídia brasileira. Hoje, as redes sociais mundiais estão concentradas em poucas mãos; foi um processo de concentração e cercamento.�
A direita compreendeu antes que, como todo veículo de comunicação, é possível levar uma mensagem por meio de sátira, meme ou piada. Os primeiros influenciadores de direita sentiam que o ambiente era para isso, enquanto para outros era só diversão e brincadeira.�
Toda vez que surge um veículo de comunicação em massa, há duas tendências: repelir ou se adaptar. Diziam que o rádio acabaria com o jornal e que a televisão acabaria com o rádio, mas eles coexistem e se retroalimentam. Começamos a ficar com raiva do meio, esquecendo que nossa crítica não é ao formato em si, mas a quem são os donos dos veículos de comunicação. O problema é o Mark Zuckerberg, não a existência da rede social. Nossa luta não é contra aplicativos, mas contra esse modelo que vicia pessoas em jogos de aposta e o tipo de ideologia pregada ali dentro.
Perdemos um pouco o debate sobre a dimensão ideológica das redes sociais. Em Minas Gerais, vemos nomes como Nikolas Ferreira e Cleitinho, figuras que nasceram nas redes sociais. Isso cresce no mundo inteiro. A rede social faz você acreditar que tem uma aproximação com o público.�
Antes, a segmentação era feita por programas de TV, populares ou femininos. Agora, a segmentação utiliza veículos que possuem mais de 5 mil traços psicológicos de cada pessoa. Não falo do que você gosta, mas de quem você é e do que te move; esse é o poderio das redes sociais.�
Muitos acreditavam em coisas que, para nós, eram piadas, como o “kit gay”, porque era uma peça publicitária criada especificamente para aquelas pessoas, e tivemos dificuldade em identificar esse gap. A direita tem o dinheiro que controla historicamente esses veículos e pensadores.
Que caminhos você enxerga para aprimorar a presença digital da esquerda?
As pessoas precisam entender que um comunicador de esquerda não será como a Virgínia; as plataformas não foram criadas para isso. É um problema sistêmico, mas é possível fazer a disputa. O principal acerto da esquerda tem sido observar as redes e compartilhar nossos conteúdos. Antes, apenas compartilhávamos vídeos absurdos de oponentes, ajudando a impulsioná-los. Agora, há uma leitura mais crítica.
A organização de grupos de WhatsApp é fundamental, pois no Brasil ele é o principal veículo de segmentação e consolidação da comunidade. Precisamos ficar atentos sobre ir a determinados veículos para ganhar visibilidade, pois corremos o risco de ser boicotados ou ter contas derrubadas. Contas como a do Chavoso da USP foram derrubadas. Palavras como “genocídio”, ao falar da Palestina, são censuradas.�
Se eu for a um canal e atingir milhões de visualizações, preciso pensar no legado disso. E se, na semana seguinte, eles levarem alguém que defende a ditadura? Vejo gente de esquerda em canais de redpill; eu fui vítima de um atentado orquestrado nessas comunidades. Acho impensável fortalecer esse ecossistema, pois damos credibilidade a espaços onde se defendem coisas opostas às nossas, colocando opiniões em pé de igualdade.
Defender que mulheres não são vítimas de feminicídio não pode estar no mesmo patamar de falar sobre acabar com a desigualdade social. O algoritmo é obscuro, mas não podemos repetir táticas erradas do passado. Ao mesmo tempo, tem algumas táticas que a gente caiu no passado que eu acho que não podem se repetir. E eu acho que estão se repetindo. Estamos de novo fortalecendo esses espaços, ao invés de ter mais espaços como o Brasil de Fato, que fortalecem os nossos movimentos. Isso é muito importante.
Como você enxerga a importância das eleições deste ano?
Eu cresci ouvindo “essa é a eleição mais importante”, mas acho que este ano teremos, de fato, a eleição mais importante. Todas as eleições têm um limite institucional muito claro. O fato de a esquerda não ser maioria no Congresso não é porque a gente é ineficaz ou porque temos menos propostas interessantes, mas porque toda a máquina eleitoral foi constituída para que não ocupemos esses espaços, para que a maioria não seja de esquerda.�
Então, a nossa luta principal sempre foi nas ruas, mas vivemos um momento de uma ofensiva. Acabei de ler a notícia em relação a outra tentativa de taxação do Donald Trump. E isso é uma coisa que está voltando.�
Pensamos que isso era um fenômeno da década de 60 e que, após as redemocratizações dos anos 90, teríamos uma certa “liberdade”. Agora vemos processos como o da Venezuela, onde a retirada de um presidente não vem do povo, mas de decisões de cima para baixo, tomadas por presidentes de outros países, por meio de sequestros e bombardeios. Há 10 anos, pensar na América Latina sendo bombardeada parecia algo distante. Desde a crise de 2008, construiu-se um cenário onde essa interferência não é assustadora.�
Há 15 anos, a Venezuela tinha um IDH maior que o do Brasil. É fácil asfixiar um país com bloqueios econômicos e desumaniza-lo por meio das plataformas, dizendo que as pessoas “comem cachorro” ou “negociam lixo”. Tira-se a humanidade para justificar bombardeios ou a retirada de presidentes e deputadas sem provas.�
É fácil construir um genocídio contra um povo, quando ele é desumanizado. Vivemos um processo de desumanização do território latino-americano: muros, polícias de repressão e crianças em jaulas.
A vitória eleitoral este ano simboliza uma grande conquista: México e Brasil sempre foram os mais fortes economicamente na América Latina. O México tem dependência dos Estados Unidos, enquanto o Brasil tem feito alianças importantes na América do Sul e no BRICS. A vitória seria um símbolo, embora não possamos confirmar que impedirá um golpe.
Estamos em um contexto onde eleições que pareciam ganhas foram perdidas ou estão acirradas, como na Colômbia e no Chile. Uma vitória no Brasil traria segurança para países como Venezuela e Cuba, que vivem um colapso violento. Há uma missão internacionalista nesta eleição. É o momento de reafirmar que ser latino está em alta, justamente porque essa identidade está sendo atacada.
O Brasil é importante também pelos recursos, como as reservas de terras raras. É interessante pensar que Mark Zuckerberg, ao ser questionado sobre financiar golpes na América Latina, respondeu: “daremos quantos golpes forem necessários”, mencionando a importância do lítio. O Brasil tem um papel fundamental nessas tecnologias de energia.
Como você enxerga a possibilidade de interferência, utilizando as redes sociais, nas eleições deste ano? Existe alguma forma de nos protegermos?
A Meta, após o escândalo da Cambridge Analytica, um escândalo que deixou muito clara a venda de dados pessoais para projetos eleitorais, tentou parecer favorável à democracia. Mas ficou claro que esse não seria mais o discurso oficial de agora em diante.
Isso reflete a crise cíclica do capitalismo; vivemos uma luta mundial de classes para ver quem pagará o pato dessa crise. As Big Techs foram fundamentais para a vitória de Trump e o crescimento da extrema direita. As redes sociais privilegiam respostas rápidas para problemas complexos e beneficiam quem tem dinheiro. Nikolas Ferreira investiu R$ 700 mil em um único vídeo, e o Brasil Paralelo investiu R$ 24 milhões; há um interesse ideológico nisso.
Ao mesmo tempo, existe na internet essa falsa ideia de proximidade. Então, essas coisas são ocultadas e fica parecendo que é um amigo seu te dando uma opinião sobre determinada coisa.�
De novo, eu gosto muito desse exemplo: a Virgínia, que hoje é a maior influenciadora no Brasil, acorda todo dia e ela mostra a rotina: “são 8 horas da manhã, estou indo escovar meu dente”, “acabei de acordar, estou indo acordar meus filhos”, “nesse momento, estou tomando café”. Quando ela aparece para te mostrar um batom, você sente que é sua amiga te indicando um batom, porque cria um sentimento de proximidade que você não tem com a atriz da Globo. Você não tem isso quando Faustão te manda comprar um um móvel.
As redes potencializam esse poder, porque seus donos precisam desse modelo ideológico. Para o dono da Tesla, a exploração de lítio é importante. Zuckerberg investe na descrença nos veículos de comunicação tradicionais, porque uma das principais pautas de crescimento das redes sociais dele é a descrença nesses veículos. Então, quando Trump assina um decreto falando que vai investir na internet, porque isso é uma forma de disputar a narrativa com as mídias tradicionais, você tem um interesse de classe.
As redes não são neutras e precisamos entender seus limites. A construção de comunidades é a brecha que encontramos, porque a esquerda consegue falar com profundidade. Os vídeos longos voltaram a crescer, mostrando que as pessoas percebem quando alguém não sabe do que está falando. Hoje consigo fazer um vídeo em tempo real contrapondo falas erradas sobre Paulo Freire. Mostrar o contraponto é uma tarefa fundamental da esquerda.
Além disso, precisamos mostrar um rumo de ruptura; o pensamento mundial e as tecnologias estão mudando. As pessoas precisam de algo, além da defesa da democracia em abstrato. Em lugares como Ribeirão das Neves, a democracia é uma pauta distante, porque a violência e a tortura nunca pararam.�
Falar de educação de forma abstrata é difícil para quem precisava trabalhar e não via a escola como ascensão. A ideia de que estamos apenas defendendo o sistema é ruim para a esquerda; já que, historicamente, quem rompe somos nós e quem defende o sistema são eles. Eles são parte do sistema.
Não podemos deixar que dominem o debate sobre facções, quando há latifundiários e empresários da Faria Lima envolvidos em escândalos com essas mesmas facções. Em Minas, temos um governador que enche a boca para criticar o MST, enquanto sua família faz ocupação ilegal. Temos a verdade, a esquerda tem repetido com certa frequência, nossos comunicadores, porque percebemos que funciona, não é um slogan, é real.
A chave da comunidade é a organicidade, que já é característica da esquerda, estar na rua, estar em encontro, em reunião, conseguir mobilizar. A internet é útil para mobilizações, como o tsunami da educação e as manifestações de 2013, ou mais recentemente o processo do VAT, que também começou pela internet.�
E a direita ainda não está colocando as pessoas na rua, porque sabe que esse território ocupado por nós seria prejudicial para eles, principalmente com o escândalo do Master. A forma mais prática de organizar isso é que precisamos construir grupos de WhatsApp fortes e ativos, com pessoas diversas, que não necessariamente concordam com você, com pessoas do seu bairro, e que possam falar sobre questões reais, desmentir notícias falsas e mandar conteúdo pensado para demandas locais.�
Todos se tornam produtores de conteúdo e a ideia do micro influenciador ganha força. E nisso nós ganhamos, porque temos mais histórico de acumulação de organicidade do que a direita no Brasil.
Como é a sua vivência na militância ligada ao MST?
Tenho muito orgulho do MST e acho que nossa comunicação está entre as melhores. O Brasil de Fato, que também é ligado aos movimentos populares, é uma experiência incrível que compreendeu rapidamente a mudança para a era digital. O MST se consolidou porque as pessoas veem resultados; são 500 mil famílias que fazem parte do movimento. E é um movimento que nunca abriu mão de suas bandeiras.�
Há algum tempo, quando o Lula falou que hoje o sem terra “não é bruto, como antes, que invadia a terra”, o MST correu para responder que “se não há ocupação, não há produção”, defendemos o porquê de a ocupação ser importante para o Brasil. O movimento é radical, mas compreende a política. Pesquisas mostram que as pessoas têm declinado da ideia de centro; elas querem posições nítidas. O MST não é morno, é quente.
Não podemos abaixar as bandeiras. Mostramos porque a privatização não torna o estado eficiente e como a mineração em Minas contribui pouco para empregos e impostos. O MST, justamente por ser um movimento de comunidade, que preza pela organização nos territórios, fez a transição digital de forma orgânica. É só olhar a força das marchas e das candidaturas do MST.�
As redes são como um supermercado, você entra já com algo em mente. Quando alguém entra na rede social e procura o MST, quer luta e força; por isso, as experiências de vivência são importantes. A gente pensa que, quando a direita cresce, precisamos recuar, mas o processo é o inverso, principalmente com as pessoas mais jovens, é uma galera que clama por uma opção que seja viável e de ruptura.
Recentemente, você esteve na Venezuela, um país que sofreu um golpe muito duro com o sequestro do seu presidente, Nicolás Maduro, pelos EUA. Como foi a sua experiência por lá?
Vivemos um processo tão forte de desumanização da Venezuela que era muito legal conversar com as pessoas sobre esporte ou fazendo piada. É um povo querendo viver, é um povo com as suas demandas, que teve suas questões. Está enfrentando problemas, não podemos ignorar tudo isso, mas o nosso papel é mostrar o porquê de esses problemas existirem, não é negar que existem.�
Cuba está passando por um apagão nesse momento. A Venezuela passou por momentos muito difíceis de escassez. Mas o que gerou isso? Qual é o poder de um bloqueio econômico? O Brasil parou completamente depois que o abastecimento de gasolina diminuiu. Será que a gente aguentaria 20 anos de um processo de recrudescimento da política externa? Cuba está há quase 70 anos nesse processo.�
O que eu entendi na Venezuela é que a gente tira conclusões muito precipitadas. Por exemplo, eu tenho visto a esquerda, falando de uma forma genérica aqui, dizer que eles entregaram Maduro e agora a vice-presidenta está lucrando com isso e entregando tudo. Indo lá, eu percebi que não.
É um país que foi atacado por drone, por uma potencia que, neste momento, está praticando genocídio contra um outro povo, enquanto o mundo assiste calado. É como se botassem um uma arma na sua cabeça e falassem: “passa o petróleo”. O que se pode fazer? O que eu sei é que a Venezuela está de pé. O modelo bolivariano está de pé. A gente caiu em um golpe, em 2016, da história recente do Brasil, com muito menos.�
Entendi também a importância da consolidação da força popular. Estive nas comunas e foi uma das experiências mais bonitas, lembra muito o projeto do Minha Casa, Minha Vida, para as pessoas que estão em área de difícil acesso à moradia. Dentro desses espaços das comunas, eles têm reunião política, formação, estudo para as crianças, muitas quadras esportivas, espaço deliberativo e fazem reunião. Me lembra um pouco o assentamento do MST, o jeito que fazemos as assembleias, e tudo mais.�
E existe um uma clareza deles de porque os familiares deles não tiveram acesso à faculdade e eles tiveram. Foi também meu mérito, mas existia um processo que nos fez estar nessa posição. Eu ouvi muito isso: tive políticas públicas que me auxiliaram. Então, eu acho que o que eu entendi da Venezuela é parar de consumir tanto a mídia hegemônica e principalmente a internet em relação a isso. �
Muitas coisas que percebemos da Venezuela são fabricadas propositalmente, de forma que ninguém defenderia o Maduro. Qual é a explicação para um país como a Venezuela, que é a maior reserva de petróleo do mundo, não estar inserido no BRICS? Os EUA não querem nos ver autônomos, eles querem a gente de joelho. Não era, em momento nenhum, por uma questão de melhorar a vida na Venezuela.













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