O Observatório do Clima lançou um documento para orientar os candidatos às eleições deste ano, com o objetivo de fortalecer a política ambiental brasileira, reverter retrocessos recentes e ajudar o país a cumprir metas climáticas fundamentais. O documento Propostas para a Política Ambiental Brasileira, composto por 14 temas, foi lançado nesta quarta-feira (10). O mandato dos eleitos em 2026 coincidirá com o prazo dos compromissos assumidos pelo Brasil de zerar o desmatamento e reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa.�
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Sueli Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, explica que a grande novidade da edição deste ano foi incluir o Parlamento. “De forma geral, as propostas, em termos de projetos de lei e de alterações da Constituição, têm vindo sempre no sentido de trazer retrocessos à política ambiental, de voltar atrás em conquistas importantes que nós temos na nossa legislação. A legislação ambiental brasileira é reconhecida como um corpo de normas robusto e importante. Nós temos um histórico nessa área, e tudo o que vemos no parlamento nos últimos anos é pressão por retrocessos e, infelizmente, algumas conquistas por parte dos parlamentares com essa visão reducionista e negacionista da importância da própria política ambiental. O principal exemplo é a lei do licenciamento ambiental, que foi aprovada no ano passado e começou a vigorar agora no começo desse ano. Ela provavelmente foi o maior retrocesso histórico nesse campo de políticas públicas”, avalia.
“O que a gente faz é mostrar que, sim, temos uma série de propostas nos mais variados temas que têm conexão com geração de empregos. Nós falamos em bioeconomia, falamos em garantir justiça social. Não é uma visão só focada em meio ambiente em sentido estrito. O caderno traz essa visão mais ampla de como ajudar os brasileiros”, explica.
Araújo lembra que um dos principais desafios para os próximos anos é reduzir a emissão de gases do efeito estufa. “A principal fonte no nosso país ainda é o desmatamento, com uns 40%, 50% das nossas emissões brutas. E o país se comprometeu a zerar o desmatamento até 2030. O governo tem conseguido bons números em termos de redução do desmatamento da Amazônia e também nos outros biomas, mas isso tem que se manter e continuar como uma medida importante, central nas decisões governamentais. Quem for assumir o governo ou quem for entrar no parlamento tem que entender a importância de se alcançar o desmatamento zero. 100% do desmatamento ilegal tem que ser eliminado. Nós também temos que ter medidas para reduzir o desmatamento que em tese é legal, que em tese é possível, porque o clima não sabe se tem licença ambiental, se tem autorização para suprimir vegetação; o clima só sabe que nós estamos emitindo gás de efeito estufa com desmatamento”, explica.
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