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Malvinas: como a disputa entre Argentina e Reino Unido consolidou o neoliberalismo e quais os riscos ainda hoje

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A questão das Malvinas retornou com força ao noticiário na Copa do Mundo, quando os jogadores e torcedores argentinos levantaram bandeiras reivindicando a soberania do arquipélago formado por 700 pequenas ilhas. A história antiga de disputa entre Argentina e Inglaterra pelo território tem raízes profundas e extrema relevância na estratégia global.

As Malvinas foram um ponto de ligação vital entre os oceanos Atlântico e Pacífico antes da construção do Canal do Panamá. “Quem controla esse conjunto de arquipélagos, atualmente sob o domínio inglês, na verdade tem um domínio estratégico, em caso de conflito militar mundial, sobre toda a região do Atlântico Sul”, avalia o historiador argentino Osvaldo Coggiola ao BdF Entrevista.

Coggiola explica que a identidade nacional argentina está intrinsecamente ligada à resistência contra as invasões britânicas no início do século 19, momento que ele identifica como o verdadeiro nascimento da consciência política e popular do país.

“Pelo lado argentino, existe toda uma tradição, parte de mitologia e de tradição verdadeira, de que esse foi o nascimento verdadeiro da Argentina. Os homens do vice-reinado, as autoridades espanholas, não resistiram realmente. Quem derrotou as invasões inglesas foi a resistência popular. Portanto, aí surgiu a ideia de que uma consciência nacional argentina, embora uma consciência nacional evidentemente de uma população que era muito diversa daquela que nós temos na Argentina de hoje”, afirma.

O historiador explica que a Guerra de 1982 foi utilizada pela ditadura de Leopoldo Galtieri como uma “cortina de fumaça” para tentar desviar a atenção de uma crise econômica e política interna avassaladora. Houve um erro de cálculo estratégico, segundo o historiador, por parte dos militares argentinos ao acreditarem na neutralidade dos Estados Unidos, que acabaram fornecendo apoio logístico decisivo à Inglaterra de Margaret Thatcher. “Os EUA foram doutrinar e foram apoiar militarmente. Levavam armas, levavam oficiais, levavam tudo.”

O saldo social pós-guerra foi trágico: o sacrifício de soldados jovens e inexperientes, seguido por um abandono estatal que resultou em centenas de suicídios entre veteranos deixados à própria sorte. “Muitos ex-combatentes batiam na porta das casas das pessoas mostrando: ‘Eu sou ex-combatente das Malvinas, me dê alguma coisa para comer’. Eles foram deixados à míngua, literalmente”, relata.

Coggiola argumenta que a vitória britânica teve consequências mundiais, servindo como plataforma de lançamento para a onda neoliberal liderada por Thatcher e Ronald Reagan. Atualmente, as Malvinas abrigam a maior base militar do Hemisfério Sul, o que o historiador classifica como um perigo direto para a soberania de toda a América Latina, incluindo o Brasil. Ele defende que o tema deve ser incorporado urgentemente ao debate político brasileiro, dada a vasta costa do país no Atlântico Sul e a necessidade de vigilância sobre a presença militar de potências estrangeiras na região.

Confira a entrevista completa abaixo:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.





Com Informações: Brasil de Fato

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