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Maior diferença entre Flávio e Lula está na classe C, diz Pedro Doria

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A classe C concentra a maior diferença de votos entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo análise do jornalista Pedro Doria, diretor de jornalismo do Canal Meio.

Em entrevista ao Bastidores CNN, nesta terça-feira (13), ele afirmou que esse grupo, que reúne uma parcela expressiva da população brasileira, é um dos principais desafios para a campanha do presidente Lula no segundo turno.

“É na classe C que existe a maior diferença entre Flávio e Lula. Primeiro porque é um volume de votos muito grande, quase metade do Brasil. E, número dois, porque é onde Flávio Bolsonaro é mais popular”, afirmou.

Segundo Doria, Lula ampliou seu apoio entre os eleitores das classes A e B em comparação com a eleição de 2022, mas perdeu espaço nas faixas de renda mais baixas.

O jornalista destacou que a classe C, formada por uma parcela importante dos moradores das periferias urbanas, tem um comportamento eleitoral que não pode ser explicado apenas pela divisão tradicional entre esquerda e direita.

“A classe C não quer ter patrão”, afirmou. Segundo ele, muitos desses eleitores desejam abrir o próprio negócio e ter mais autonomia para trabalhar, seja em uma barbearia, prestando serviços como eletricista ou revendendo produtos importados.

“Por um lado, ela parece de direita no sentido de que tem valores conservadores. E, nesse sentido, o Flávio Bolsonaro apela mais a ela. Ela quer não ter patrão, então, de certa forma, quer o Estado longe do negócio dela”, explicou.

Ao mesmo tempo, Doria observa que esse eleitorado continua valorizando os serviços públicos.“Por outro lado, todo o Estado de bem-estar social, a Previdência, a escola pública, o SUS, tudo isso ela quer mais e que seja melhor entregue”, afirmou.

Para o jornalista, as medidas anunciadas pelo governo Lula voltadas aos MEIs (microempreendedores individuais) procuram justamente alcançar esse eleitorado. Ele avaliou, no entanto, que a iniciativa pode ter chegado tarde, depois de o governo ter priorizado, durante boa parte do mandato, políticas associadas ao emprego formal.

Doria também criticou a forma como parte da esquerda trata as aspirações dos trabalhadores que desejam abrir o próprio negócio.

“Existe um certo preconceito de esquerda. São aquelas frases que a gente ouve muito, né? ‘CEO de MEI’, ‘pobre de direita’. Isso é um tiro no pé no discurso dos intelectuais de esquerda”, disse.

Na avaliação do jornalista, a classe C tem um comportamento eleitoral pragmático e já demonstrou disposição para apoiar diferentes campos políticos. Ele lembrou que parte desse eleitorado votou em Jair Bolsonaro em 2018, migrou para Lula em 2022 e voltou a apoiar um candidato da família Bolsonaro neste ano.

“Esse eleitor já votou no PT. Esse eleitor não é antipetista. O que esse eleitor é, ele é prático”, afirmou.

Doria considera que a disputa por esses votos será importante para o resultado do segundo turno. Segundo ele, a pequena diferença entre os dois candidatos no primeiro turno mantém a eleição aberta, embora a recuperação de eleitores que já migraram para o adversário seja uma tarefa difícil.



Fonte: CNN Brasil, todos os direitos reservados

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