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Lixo espacial soma mais de 10 mil toneladas na órbita da terra, reentrada foi vista nesta segunda

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Na noite desta segunda-feira, 27 de outubro, moradores de várias regiões da Bahia observaram um rastro luminoso no céu. O fenômeno foi provocado pela reentrada de lixo espacial na atmosfera e também foi visto em Minas Gerais, Goiás e no Distrito Federal.

Até o início da madrugada, ainda não havia informações oficiais sobre a origem do objeto, embora algumas fontes indicassem a eminência de entrada de restos de um foguete chines, lançado em dezembro do ano passado, e nem sobre seu trajeto e área final.

As luzes que chamam a atenção de quem consegue observar são resultado do aquecimento gerado pelo atrito, provocando o clarão e os fragmentos incandescentes, frequentemente confundidos com “cometa” ou “meteoro”.

A Agência Sertão já noticiou ocorrências semelhantes. Em 16 de maio de 2025, a reentrada do estágio ASIASAT 8 Falcon R/B foi visível em partes da Bahia e de outros estados, com confirmação posterior do horário e área final sobre o Atlântico, a leste do litoral baiano. Em 23 de dezembro de 2023, um “rastro de fogo” observado em várias cidades foi associado a restos de foguete, à época apontados como de origem chinesa.

Também em dezembro de 2023, um clarão na Chapada Diamantina foi confirmado como queda de meteoro; e, em outubro de 2019, um bólido foi registrado no céu de Guanambi.

Quanto lixo há em órbita?

Relatório mais recente do Escritório de Detritos Espaciais da ESA aponta mais de 54 mil objetos com mais de 10 cm catalogados em torno da Terra. As estimativas sobem para cerca de 1,2 milhão entre 1 e 10 cm e ~130 milhões entre 1 mm e 1 cm.

A massa total de objetos em órbita passa de 10 mil toneladas. Esses números variam conforme novas perdas de controle, fragmentações e reentradas.

A vigilância orbital é feita por uma rede internacional. O Departamento de Defesa dos EUA, por meio da Space Surveillance Network e do 18º Esquadrão de Defesa Espacial (18 SDS), mantém o catálogo público de objetos e divulga dados de órbita que permitem prever reentradas e riscos de colisão.

Na Europa, o EU SST reúne sensores e centros de análise de países membros para serviços de monitoramento, evasão de colisões e previsão de reentrada. Há ainda radares comerciais, como os da LeoLabs, que complementam o rastreio de alvos pequenos em baixas órbitas. No Brasil, iniciativas científicas ampliam a capacidade de acompanhamento — entre elas, um projeto para montar uma rede nacional de telescópios robóticos voltados ao monitoramento de detritos.

A plataforma Leolabs disponibiliza um mapa interativo com os principais objetos em órbita.

Riscos: no espaço e no solo

A principal consequência operacional é o risco de colisões com satélites ativos e com a Estação Espacial Internacional (ISS), que realiza manobras preventivas quando alertas indicam aproximações perigosas. Estudos recentes apresentados na 9ª Conferência Europeia de Detritos Espaciais discutem o aumento de conjunções e a necessidade de mitigação mais rigorosa para evitar cadeias de fragmentação.

Para a população em solo, o risco é baixo, porque a maior parte do material queima na reentrada. Mesmo assim, fragmentos podem sobreviver e atingir áreas desabitadas ou o mar. Padrões internacionais adotados por agências e empresas determinam que o risco individual de vítimas em reentradas não controladas fique abaixo de 1 em 10 mil (1×10⁻⁴) e que satélites em baixa órbita sejam descartados ao fim da missão, regra que em alguns mercados já foi encurtada para cinco anos.

O que explica os clarões vistos do chão

Quando um estágio de foguete ou satélite perde altitude e entra na atmosfera, o aquecimento gera uma bola de fogo e trilhas que se desfazem rapidamente. A aparência pode lembrar meteoros, mas a velocidade aparente é menor e a duração costuma ser maior.

Redes colaborativas no Brasil — como EXOSS e BRAMON — recebem relatos e ajudam a confirmar se o evento foi meteórico ou reentrada de objeto artificial.

Mitigação e boas práticas

As diretrizes internacionais (IADC/ONU) recomendam: evitar explosões pós-missão (“passivação” de estágios), limitar o tempo de permanência de satélites inativos em órbita baixa após o fim da missão e proteger as órbitas geossíncronas. A adesão crescente a essas normas e a disseminação de serviços de rastreio e alerta são consideradas essenciais para conter o crescimento do risco.

Viu algo no céu?

Em caso de clarões persistentes e fragmentações, o público pode registrar hora, direção e duração e encaminhar o material a redes de monitoramento de fenômenos astronômicos. Se houver queda de fragmentos, a orientação é não tocar, isolar a área e acionar a Defesa Civil; equipes técnicas farão a verificação.



Com informações do Agência Sertão

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