As acusações levantadas pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), contra a pesquisa eleitoral da AtlasIntel, carecem de embasamento técnico, na visão de Jairo Pimentel, professor do Laboratório de Opinião Pública da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP).
O filho mais velho de Jair Bolsonaro conseguiu uma decisão liminar individual do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que retirou do ar uma pesquisa realizada pelo Instituto AtlasIntel, que mostrava queda nas intenções de voto em Flávio. A alegação foi de que a exibição do áudio de conversas entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro distorcia os resultados.
“Tecnicamente, e do ponto de vista metodológico, o desenho aplicado pela Atlas faz sentido e é improvável que o resultado tenha sido artificialmente afetado pelo áudio”, afirmou Pimentel em entrevista aoprograma BdF Entrevista, do Brasil de Fato. O especialista explica que a conversa entre Bolsonaro e Vorcaro era exibida apenas na última pergunta e não afetaria assim as demais respostas. “Acredito que a decisão de retirada foi equivocada e fere, de fato, a liberdade de expressão”, segue.
A AtlasIntel apresentou uma defesa semelhante. “O áudio é reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e, portanto, não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais. A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica”, explicou a empresa em uma publicação na rede social X.
Confiabilidade das pesquisas
Jairo Pimentel comentou na entrevista que pesquisas com essa metodologia existem há quase 100 anos. Foram criadas na década de 1930, nos Estados Unidos, e diferem das enquetes por selecionarem os respondentes de forma técnica. A escolha da amostragem garante uma compreensão de como pensam diferentes setores da sociedade e reduz vieses.
“Na pesquisa metodológica, o grande diferencial é que a pessoa não escolhe responder, ela é escolhida para responder”, explica Pimentel. “De forma geral, no mundo todo, as pesquisas se saem muito bem em determinar quem vencerá ou perderá as eleições, embora o objetivo delas não seja preditivo (prever o futuro), mas sim explicativo.”
Pimentel chama atenção para como as pesquisas ainda assim têm uma margem de erro e contam com limitações que podem levar a resultados enganosos. Por isso, “o ideal é olharmos sempre para o conjunto das pesquisas para entender as tendências reais, pois as forças e fraquezas de cada método acabam se equilibrando quando analisamos os dados de forma coletiva”, comenta.
No caso recente de Flavio Bolsonaro, a queda foi apontada não apenas pela AtlasIntel, mas apareceu também em outras pesquisas, de outros institutos, como o Datafolha e a Quaest.
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.













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