Jovens do assentamento Nova Canaã, em Pindobaçu, no semiárido da Bahia, passaram a transformar a apicultura em atividade planejada e com geração de renda. Filhos de assentados, os irmãos Helen e Wellington Silva iniciaram o Apiário Floriu em 2020 e ampliaram a produção de mel no local.
Segundo o Incra, em Nova Canaã a apicultura era realizada predominantemente de forma extrativista. Com a atuação dos jovens, o assentamento passou a incorporar manejo adequado, técnicas de multiplicação de enxames e cuidados com o bem-estar das abelhas, com foco na continuidade da atividade no campo.
O interesse pela apicultura surgiu quando acompanhavam o pai, Valdir Ferreira dos Santos, na coleta de mel na mata. Em 2020, os irmãos instalaram as primeiras cinco colmeias – na época, Helen tinha 17 anos e Wellington, 14 – dando início a um novo modelo de produção no assentamento.
O trabalho recebeu o nome de Apiário Floriu e foi estruturado com base em três pilares: viabilidade social, econômica e ambiental. “No aspecto social, a atividade envolve a família e incentiva a juventude a enxergar uma alternativa de vida e permanência no campo. No econômico, a apicultura tem bom custo-benefício e bons resultados na comercialização. E ainda atende ao que poucas atividades conseguem, que é o aspecto ambiental”, destaca Helen Silva.
A ampliação da atividade também esteve relacionada à formação dos dois. Helen concluiu, em 2021, o curso de Agropecuária na Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves (EFAG). Wellington se formou em 2023. Atualmente, Helen, aos 23 anos, e Wellington, com 20, administram 25 colmeias.
A produção média anual chega a cerca de 250 quilos de mel, resultado de 15 a 20 colmeias em fase produtiva. A venda é feita diretamente na comunidade, para familiares, e também pelas redes sociais, no perfil @apiariofloriu.
Além do apiário, os irmãos mantêm o Projeto Floriu Agroecologia, com hortas orgânicas, integrando a apicultura a práticas agroecológicas e destacando a importância das abelhas na polinização. No manejo, trabalham com a espécie Apis mellifera e mantêm abelhas nativas Jataí e Mandaçaia.
“Sem abelha, não há polinização, reprodução da flora. Sem flora, não há animais. E sem animais, não haverá raça humana”, frisa Wellington. A experiência inclui resgate de enxames, medidas de proteção das colônias e multiplicação controlada para ampliar a produção e fortalecer a sanidade dos enxames.
Entre as técnicas usadas estão borrifadores de água em resgates de enxames voadores, considerados sensíveis à fumaça, e tela invertida para transferência em qualquer horário do dia. A colheita do mel ocorre de forma coletiva, com participação da família, e o beneficiamento conta com apoio da Associação dos Assentados e Assentadas do PA Nova Canaã, que disponibiliza centrífuga para extração.
Os irmãos também planejam novos passos, como a certificação sanitária e a estruturação de uma “casa do mel”. O assentamento Nova Canaã foi criado pelo Incra Bahia em 2006 e reúne 81 famílias em uma área de 2.671,2 hectares.
“O assentamento trouxe para nossa família a oportunidade de trabalhar na terra e desenvolver atividades produtivas. A partir disso buscamos estudar, nos capacitar e transformar a apicultura em um projeto de vida”, afirma Wellington.















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