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Ideia de que instituições estão corroídas favorece discurso antissistema da extrema direita, diz cientista política

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue com 36% de intenções de voto na disputa presidencial, à frente de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), que marca 31%, no primeiro turno, segundo a pesquisa Quaest divulgadanesta segunda-feira (14). Em um eventual segundo turno, Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados, com 40% e 42%, respectivamente.

O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de setembro e, portanto, já com algum impacto com relação às notícias envolvendo a derrubada de sigilo de parte da investigação do Banco Master, implicando ainda mais Flávio e outros nomes bolsonaristas, como o deputado federal Mário Frias (PL-SP), bem como as diversas movimentações ocorridas no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Tathiana Chicarino, professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), observa, contudo, que o noticiário pouco influenciou o cenário das pesquisas, demonstrando até mesmo “resiliência da candidatura” do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Seus eleitores não mudam de opinião com relação ao voto. É uma eleição que tem sido bastante competitiva, assim como foi em 2022”, compara.

Alguns dos fatores apontados pela analista para explicar essa disputa bastante acirrada são: a mudança na configuração dos governos na América Latina, com crescimento da extrema direita sob interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; o fato de que a extrema direita brasileira não perdeu terreno após a prisão de seu principal líder, Jair Bolsonaro; o processo eleitoral para quem tenta a reeleição tem sido especialmente desafiador pelos aspectos econômicos e a influência das plataformas sociais. “Existe uma consolidação de comportamento político e eleitoral”, resume.

Para Tathiana Chicarino, é evidente a contaminação no processo eleitoral após as decisões do ministro André Mendonça envolvendo o “maior escândalo de corrupção”. E isso, continua a cientista política, não se trata de falar em favorecimento de Flávio Bolsonaro, mas, sim, do fato de que há uma distração para o eleitor. “Há indícios de parcialidade do ministro André Mendonça com relação aos vazamentos. Mas essa causalidade não é tão simples de ser feita”, pondera. “Agora, uma coisa que de fato não está mais acontecendo: não estamos mais falando de campanha eleitoral. A inserção disso no debate não apenas favorece Flávio Bolsonaro por causa da investigação em si. Mas porque esses escândalos políticos favorecem candidatos com discursos antissistema e anti-instituições”, aponta.

A extrema direita sabe operar essa disputa narrativa muito bem, segundo Chicarino. “Se todas as instituições democráticas estão corroídas neste contexto, o discurso antissistema é favorecido e quem tem esse discurso é a extrema direita”, afirma. “O desafio é não ser reativo a esse discurso e ser propositivo e procurar trazer quem é o candidato à presidência que está implicado nos escândalos de corrupção”, aponta.

Tathiana Chicarino reforça a importância de, neste momento, o debate público voltar a ter foco nas candidaturas. “A gente tem uma eleição que vai acontecer daqui a alguns dias. E ter acesso a informações sobre o candidato à presidência que está implicado nisso [escândalo de corrupção] é muito importante. E é importante trazer essa diferenciação entre os candidatos ao debate público. Não é todo mundo que recebeu dinheiro do Vorcaro”, defende.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdFvai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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