Guanambi começou nesta semana a primeira etapa da vacinação contra a dengue. Neste lote inicial, o município recebeu 231 doses do imunizante produzido pelo Instituto Butantan, destinadas aos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) de até 59 anos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Os primeiros profissionais atendidos foram os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combate às Endemias (ACE) que atuam na sede do município. A aplicação das doses marca o início da estratégia local de imunização voltada aos trabalhadores da rede básica, grupo considerado prioritário nesta fase.
De acordo com a diretora da Vigilância Epidemiológica de Guanambi, Eugênia Cotrim, a vacinação será ampliada gradualmente para outras categorias da atenção primária. “Recebemos esse primeiro lote e vamos aplicando gradativamente até atingirmos toda a categoria de trabalhadores da APS, incluindo médicos, enfermeiros, etc.”, afirmou.
A chegada das primeiras doses ocorre em um momento de avanço da vacinação com a Butantan-DV em diferentes partes do país. A vacina, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro do ano passado, vem sendo aplicada inicialmente em profissionais de saúde e outros públicos definidos pelas estratégias locais e nacionais.
Além do início da campanha em Guanambi, novos dados divulgados nesta semana reforçaram a expectativa em torno do imunizante brasileiro. Um estudo do Instituto Butantan apontou que a Butantan-DV mantém proteção por pelo menos cinco anos após a aplicação. Segundo a instituição, durante o período analisado não foram registrados casos de dengue grave nem hospitalizações entre os vacinados acompanhados no estudo.
Os resultados também indicaram eficácia de 80,5% contra formas graves da doença ou infecções com sinais de alerta. Já a eficácia geral contra a dengue foi estimada em 65%. Entre pessoas que já haviam contraído a doença antes de receber a vacina, esse índice chegou a 77,1%.
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é o fato de o esquema vacinal ser de dose única. Segundo o Butantan, esse modelo pode favorecer a adesão, já que reduz o risco de abandono do esquema, comum em vacinas que exigem duas ou mais aplicações.
Os dados disponíveis até agora indicam melhor desempenho entre adultos e adolescentes do que entre crianças. Embora a vacina tenha sido testada também em crianças a partir de 2 anos, o registro aprovado pela Anvisa contempla, neste momento, pessoas de 12 a 59 anos. Segundo o Instituto Butantan, estudos complementares deverão ser feitos para avaliar a necessidade de reforço em faixas etárias mais jovens e subsidiar eventual ampliação do público-alvo.
A instituição também realiza pesquisas com idosos. O objetivo é verificar se essa faixa etária apresenta resposta imunológica semelhante à observada em adultos, o que poderá embasar futuramente a ampliação da indicação da vacina. A discussão é considerada relevante porque a mortalidade por dengue costuma ser mais elevada entre idosos.
O estudo de longo prazo foi publicado na revista Nature Medicine e acompanhou mais de 16 mil participantes, sendo cerca de 10 mil vacinados e quase 6 mil no grupo placebo. Segundo o Butantan, os resultados apontam que a vacina foi bem tolerada e não apresentou sinais de preocupação de segurança no acompanhamento prolongado.
Em Guanambi, a aplicação das 231 doses recebidas nesta primeira fase deve seguir de forma escalonada, conforme a organização da Secretaria Municipal de Saúde. A expectativa é que a cobertura avance entre os profissionais da APS à medida que novos lotes sejam disponibilizados.
A vacinação representa mais uma frente de enfrentamento à dengue no município, ao lado das ações de vigilância, combate ao mosquito e orientação à população. Mesmo com o início da imunização, autoridades de saúde seguem reforçando a importância de eliminar criadouros do Aedes aegypti, principal transmissor da doença.













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