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‘Governo francês tem tido dificuldade de escutar o povo nas ruas’, critica cientista política

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Desde o mês passado, mobilizações populares ocupam as ruas da França contra medidas do governo Emmanuel Macron, que incluem um corte orçamentário de 54 bilhões de euros com impacto em diversas áreas, como a educação.

Por conta disso, estudantes se somaram a esse cenário de insatisfação geral e passaram a promover protestos por problemas estruturais no sistema educacional francês. As mobilizações vêm ganhando tração a cada dia. Nesta terça-feira (6), centenas de milhares de estudantes secundaristas e universitários realizaram o terceiro dia de mobilização em diferentes regiões da França desde o dia 30 de setembro.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Florence Poznanski destaca o caráter heterogêneo das manifestações, que não se restringem apenas a estudantes, mas reúnem pais, professores, sindicalistas e outras organizações de luta. “A reivindicação é simples e até triste de ver, porque são coisas importantes para conseguir ter dignidade do ensino. Tem estudantes que contam que eles não têm cadeiras, não têm mesas para sentar, para estudar, além das condições climáticas: às vezes, está muito frio no inverno ou muito quente no verão. Tem estudante também que fala que nunca teve aulas de francês durante um ano inteiro, porque o professor estava doente e nunca foi substituído”, avalia.

Poznanski relata casos de extrema repressão e violência por parte da polícia. “Teve o caso de um trabalhador, funcionário de uma universidade francesa, que recebeu gás lacrimogêneo quando a polícia entrou depois de um confronto em que ele simplesmente pediu para poder passar para trabalhar”, conta.

A analista política destaca que a França vive um contexto pré-eleitoral e, portanto, de alguma instabilidade política e a sinalização de um avanço da extrema direita. Ainda que líder nas intenções de voto para as eleições de 2027, Marine Le Pen não se posicionou diante dos últimos acontecimentos. “A gente pode ter uma avaliação crítica, considerando que ela está totalmente desconectada das demandas da sociedade, mas a gente também pode considerar que o público dela não é esse público e que ela não enxerga como necessária se posicionar sobre determinadas pautas”, pondera.

Poznanski critica a postura do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, que, ao se pronunciar no parlamento, criticou “atos de vandalismo” dos manifestantes, minimizou as demandas e não fez qualquer crítica sobre a repressão policial. Isso tudo acontece em meio à votação do orçamento do próximo ano. “O governo francês tem se caracterizado por uma dificuldade de escutar o povo nas ruas”, resume.

Os estudantes continuam mobilizados e convocaram, junto às organizações sindicais, novos atos para quinta-feira (8).�

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdFvai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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