O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve enviar representantes para a audiência prevista para o próximo dia 6 de julho, nos Estados Unidos, da qual participarão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A avaliação predominante no Itamaraty é que a ausência do governo evitará legitimar uma iniciativa conduzida pela oposição e preservará os canais oficiais de negociação entre Brasília e Washington.
Segundo um diplomata ouvido em caráter reservado, o encontro do dia 6 de julho não integra as tratativas formais entre os dois governos. A audiência organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) reúne empresários e parlamentares e ocorre paralelamente às negociações diplomáticas sobre o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Flávio solicitou falar no evento por conta própria, no último dia de inscrições.
Na avaliação do governo, as conversas que efetivamente podem produzir resultados ocorrem em outra esfera: entre o Itamaraty, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Embaixada do Brasil em Washington e representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Novas reuniões entre as equipes técnicas ainda devem ocorrer antes de 6 de julho e, principalmente, antes do prazo considerado decisivo de 15 de julho.
A leitura dentro do governo é que Flávio Bolsonaro não possui legitimidade para representar oficialmente o Estado brasileiro nas negociações comerciais. Por isso, enviar um representante à audiência significaria reconhecer o senador como interlocutor válido, o que, na visão da diplomacia brasileira, apenas fortaleceria uma estratégia política construída pela oposição.
O entendimento é que o senador acabará assumindo sozinho o desgaste político em torno do tarifaço e das articulações com integrantes do governo norte-americano. Integrantes da diplomacia avaliam que sua participação poderá servir mais para a produção de conteúdo político e narrativas voltadas ao público bolsonarista do que para avanços concretos nas negociações bilaterais.
A mesma avaliação vale para a carta enviada recentemente pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a Flávio Bolsonaro. Para o Itamaraty, o gesto faz parte da tentativa de setores da oposição de se apresentar como interlocutores privilegiados de Washington, mas não altera o fato de que as negociações oficiais permanecem sendo conduzidas exclusivamente pelos canais diplomáticos.
Neste momento, o foco do governo é concluir a nova etapa das negociações com os Estados Unidos. Após uma fase inicial voltada a demonstrar que as políticas brasileiras não discriminam empresas norte-americanas, Brasília busca agora discutir alternativas que possam evitar ou reduzir a aplicação das tarifas antes do prazo previsto para meados de julho.













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