A França passará por eleições no ano que vem e, apesar da distância temporal, pesquisas de intenção de voto indicam que a ultradireitista Marine Le Pen poderá sair vitoriosa. A cientista política Florence Poznanski avalia que o contexto político francês é repleto de complexidades e que o atual governo de Emmanuel Macron tem tomado decisões bastante conservadoras. “Há muita coisa incerta. Ainda mais considerando a situação de Marine Le Pen”, afirma ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, em alusão à condenação da política por desvio de fundos da União Europeia.
Poznanski avalia que, apesar das pesquisas, existe um histórico de disputa de outros quadros na França. “Jean-Luc Mélenchon, que é o líder do movimento de esquerda francês, quase chegou ao segundo turno em 2022, nas últimas eleições. Um ano antes, ele estava com pouquíssimas intenções de voto, 8%, 7%, ele chegou a 20% no final. Talvez exista um cenário político muito incerto agora nesse segundo turno, onde teríamos talvez a possibilidade desse candidato chegar ao segundo turno e enfrentar a Marine Le Pen. Esse seria também um cenário político muito inédito que eu acho que nenhuma pesquisa eleitoral pode prever nesse momento”, avalia.
No sentido jurídico, algumas decisões recentes indicam que, apesar de condenada, Le Pen estaria livre para disputar as eleições no próximo ano. “Esse julgamento que aconteceu agora, ele é um pouco curioso porque por um lado ele confirmou a condenação da Marine Le Pen, mas não só da Marine Le Pen, uma dezena de outros quadros políticos, mas por outro lado abriu o leque para ela se candidatar. Ou seja, ele ela é condenada e ela que decide o que ela quer fazer. E ela entrou numa jogada que é legítima, na verdade, para qualquer cidadão”, defende.
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