Após dias de cerimônias fúnebres públicas, o Irã sepultou, nesta quinta-feira (9), seu ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, no Santuário de Imam Reza, o mais sagrado do país, em Mashhad, na região nordeste, próximo das fronteiras com o Afeganistão e o Turquemenistão.
Sob os olhares de uma multidão de iranianos que viajaram de todo o país para a despedida final, a procissão fúnebre começou às 14h (horário local) na Rua Imam Reza, após ter sido adiada devido à enorme presença de enlutados e paradas repetidas durante as cerimônias no Iraque.
As cerimônias começaram no sábado (4) e reuniram milhões de pessoas, segundo a imprensa estatal, com procissões em Teerã, Qom e no Iraque. Em Najaf, estima-se que 3,8 milhões de enlutados se reuniram em torno do santuário do Imam Ali para uma enorme procissão de despedida, antes que o corpo fosse transferido para Karbala ao longo da rota de Arbaeen, a pedido de estudiosos religiosos iraquianos.
Khamenei foi morto em um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel a Teerã em 28 de fevereiro, dando início à agressão de 40 dias contra o Irã. Para a cerimônia, as autoridades iranianas preservaram por quatro meses seu corpo e os de familiares que também morreram no ataque.
O funeral só foi anunciado oficialmente no começo de junho, quase dois meses após o início do cessar-fogo, por questões logísticas e de segurança. O porta-voz do comitê organizador, Iman Attarzadeh, afirmou que os corpos foram preservados em conformidade com as normas religiosas, sem dar detalhes do procedimento.
Segundo o historiador iraquiano Omar Mohammed, em entrevista à Fox News, o mais provável é que o corpo tenha sido mantido em uma câmara frigorífica até o sepultamento. Ele explicou que a lei islâmica xiita permite, em situações excepcionais, adiar o enterro e preservar o corpo por meio de refrigeração.
Entre os convidados estrangeiros que participam da cerimônia em Mashhad está o Sheikh Ibrahim Zakzaky, líder da comunidade xiita da Nigéria. Durante as homenagens, a multidão seguiu pedindo vingança e a morte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ali Khamenei foi assassinado em uma operação executada por caças israelenses. Ele tinha 88 anos e ocupava o posto desde 1989, quando substituiu o fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini. O líder dedicou a maior parte de sua vida a manter o Irã independente da influência dos EUA. Após sua morte, Teerã decretou luto oficial por 40 dias e alertou o mundo: “Esse grande crime nunca ficará sem resposta”.













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