O enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, esteve em São Petersburgo nesta quarta (21), no que foi a oitava visita dele à Rússia desde 2025.
Em encontro com o presidente Vladimir Putin, ambos concordaram em formar reuniões trilaterais envolvendo EUA, Rússia e Ucrânia para tentar dar um fim à guerra. Seria o primeiro diálogo do tipo desde fevereiro deste ano, em Genebra.
O encontro de Witkoff com Putin foi longo: aproximadamente três horas em que ambos discutiram, especialmente, o conflito no leste europeu.
O Kremlin demonstrou interesse em montar uma estrutura de segurança com o fim do conflito. Porém, evitou tratar de temas cruciais sobre a guerra, como o controle de Donbas e uma possível adesão ucraniana à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Segundo o enviado americano, Kiev já tinha aceitado o retorno das tratativas. Menos de um dia antes, Witkoff esteve com Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, em Oslo — capital da Noruega.
Segundo Witkoff, as conversas com ambos os líderes foram “produtivas”, e o governo de Donald Trump continua empenhado em pôr um fim na guerra. Zelensky disse apoiar as negociações com russos e americanos e buscou apaziguar o tom após os recentes desentendimentos com os Estados Unidos.
“É importante negociar de forma trilateral. Acho que essa é a melhor maneira. O presidente Trump, com a sua liderança, eu e o líder russo, de forma trilateral”, afirmou o ucraniano.
Nas últimas semanas, Zelensky disse se sentir traído por Trump e criticou a redução do apoio dos Estados Unidos aos ucranianos — incluindo na inteligência militar, com a diminuição do sinal dos satélites da Starlink.
Mais cedo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, tinha retomado as críticas contra a Ucrânia.
“Mas vamos ser bem claros: não haveria Ucrânia hoje se não fosse pela ajuda que os Estados Unidos deram à Ucrânia, na casa dos bilhões de dólares, desde o governo Biden e também ao longo deste governo”, disse Rubio.
Enquanto o tom contra Kiev é mais duro, a administração Trump mantém um diálogo mais ameno com Moscou. Recentemente, Washington firmou um acordo de compra de diesel vindo de Moscou — retirando sanções que estavam em vigor. Agora, Putin espera que a parceria se amplie.
“E, claro, acredito que os dois lados teriam interesse em discutir temas ligados aos nossos planos de restabelecer as relações bilaterais e os contatos entre Rússia e Estados Unidos, inclusive na área de cooperação econômica”, destacou o russo durante a reunião com Witkoff.
E, nesta quarta, o russo devolveu o carinho. Ele concedeu perdão ao prisioneiro americano Stephen Hubbard, de 74 anos. Hubbard estava detido desde 2022, quando autoridades russas o capturaram sob acusações de ser um mercenário de Kiev.
O Departamento de Estado americano disse que o Kremlin teria fabricado as informações. Mas a libertação de Hubbard rendeu novos elogios por parte da Casa Branca. Witkoff chamou Putin de um líder humanitário. O TPI (Tribunal Penal Internacional) emitiu um mandado de prisão contra o russo por crimes de guerra.
“O presidente manda seus agradecimentos. Todo o nosso país manda seus agradecimentos por Stephen Hubbard. Graças ao senhor, ele está voltando para casa, para a sua família”, concluiu Witkoff.
* com informações da Reuters













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