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Estudantes da USP encerram greve após 54 dias, mas anunciam marcha contra a extrema direita no dia 17

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Após 54 dias de paralisação, os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, por 323 votos a 255 e 9 abstenções, voltar às aulas, em assembleia nesta segunda-feira (8). Agora cada faculdade decide o calendário e encerramento da paralisação.

As Faculdades de Direito e de Enfermagem já anunciaram o retorno. Os estudantes decidiram “pela saída unificada e mobilização permanente”, com uma marcha no dia 17 de junho rumo à Assembleia Legislativa de São Paulo.

“Convidamos todas as organizações políticas, entidades estudantis, sindicatos, movimentos sociais, cada coletividade e cada consciência que sente a necessidade de lutar para se somar a um novo compromisso nas ruas de São Paulo. Dia 17 de junho, às 18h, marcharemos novamente até a Assembleia Legislativa de São Paulo, local onde crimes foram e seguem sendo cometidos e sancionados contra o nosso povo, onde a extrema direita — que quer pôr fim aos direitos democráticos — tem mais espaço que a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras deste estado que almejam viver dignamente”, escreveu o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP nas redes sociais.

A greve estudantil, uma das maiores da universidade, com a adesão de 43 unidades, teve como foco a permanência estudantil e foi marcada por violência por parte da Polícia Militar. A greve também atingiu estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que aderiram a uma pauta unificada.

Além de melhorias nos alojamentos e políticas de manutenção de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, o movimento reivindicava aumento do valor do Pafpe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), para o valor do salário mínimo paulista: R$ 1.874.

A reitoria ofereceu um reajuste do auxílio de R$ 885 para R$ 912, valor correspondente à recomposição inflacionária acumulada desde 2022. A administração também anunciou medidas voltadas a melhorias no Crusp (Conjunto Residencial da USP) e à ampliação de canais de diálogo com os estudantes, mas as ofertas foram consideradas insuficientes pelo movimento.

Conflitos com a PM e unificação das estaduais

O movimento começou no dia 14 de abril, no mesmo dia em que trabalhadores técnicos e administrativos da USP entraram em greve, cobrando a reposição das perdas salariais e melhores condições de trabalho para os terceirizados, além de isonomia salarial com os professores.

Com a ampliação do movimento e sem resposta da reitoria, estudantes ocuparam na quinta-feira, 7 de maio, a sede da reitoria. Na madrugada do dia 10 de maio, domingo de Dia das Mães, a Polícia Militar invadiu de forma truculenta o local, formando um “corredor polonês” com uso de cassetetes e gás lacrimogêneo, segundo o DCE. Quatro estudantes foram encaminhados à 7ª Delegacia de Polícia e liberados na manhã seguinte.

O DCE denunciou ilegalidades na ação, como falta de determinação judicial e realização após as 21h. No mesmo dia, a reitoria da USP informou, em nota oficial, que não foi comunicada de que haveria reintegração de posse na madrugada. A instituição repudiou o uso de violência em substituição ao diálogo.

Dez dias depois, na quarta-feira, 20 de maio, milhares de estudantes, professores e trabalhadores das universidades estaduais paulistas USP, Unicamp e Unesp realizaram uma grande marcha, unificando as pautas das instituições de ensino superior contra o desfinanciamento, o sucateamento da estrutura física e os projetos de privatização encabeçados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foram três horas de caminhada, do Largo da Batata até o Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital.

De olho nas eleições, políticos de extrema direita usaram o movimento como palco para agressões. No dia 11, na região central de São Paulo, estudantes realizavam uma mobilização pacífica, quando, por volta das 14h30, os vereadores Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, ambos do União Brasil, deliberadamente agressivos, acessaram a área onde os manifestantes se concentravam, o que acabou provocando empurra-empurra, ameaças de socos e discussões verbais. Nesse momento, a Polícia Militar soltou gás lacrimogênio entre os manifestantes.

No dia 20, o ex-deputado estadual e pré-candidato Douglas Garcia (Republicanos) apareceu nos arredores da concentração e passou a provocar estudantes que participavam da mobilização. Como de costume, ele gravava um vídeo xingando os manifestantes. Estudantes tentaram afastar Douglas Garcia da manifestação, e houve empurra-empurra. Na sequência, homens que acompanhavam o ex-deputado passaram a agredir manifestantes com socos.

Estudante sai do prédio da USP após policiais militares jogarem gás lacrimogênio | Crédito: Guilherme Farpa/Divulgação/DCE

No dia 26, os professores da universidade declararam apoio à greve estudantil em assembleia da Associação dos Docentes da USP (Adusp), e cobraram reajuste salarial, avanço nas negociações com os estudantes e mudanças nas políticas de permanência estudantil.

Em nota, a associação declarou que “a assembleia também defende a não criminalização e a não punição dos estudantes mobilizados, reafirmando o compromisso da universidade com o diálogo democrático e a livre organização política”. A entidade também pediu apuração da atuação da Polícia Militar na desocupação da reitoria da USP em 10 de maio.

No mesmo dia, uma operação da PM no campus do Butantã acabou em violência. Segundo o DCE, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes foram usados contra os manifestantes. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) negou, informando que “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.

Também na noite desta segunda, um grupo de seis jovens, entre 18 e 22 anos, foi detido após invadir o prédio da Administração Central da USP. Segundo a Polícia Militar, que foi acionada, eles bloquearam o acesso ao edifício com barricadas.

No confronto, três seguranças ficaram feridos. A PM prendeu seis pessoas. O DCE da USP informou que não tem relação com a invasão. Em manifesto publicado nas redes, o grupo de alunos que invadiu o prédio se declarou independente e se colocou contra o fim da greve. Os manifestantes foram levados para o 7º Distrito Policial e liberados.





Com Informações: Brasil de Fato

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