As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como “midterms”, ocorrem na próxima terça-feira (3). O pleito é realizado na metade do mandato do presidente Donald Trump e renova quase a totalidade do Congresso estadunidense, seguindo regras diferentes do sistema eleitoral brasileiro. Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
Diferentemente do Brasil, onde a apuração é centralizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o sistema dos Estados Unidos é descentralizado, e cada estado define e coordena suas próprias regras de votação e apuração.
No Senado, cada um dos 50 estados possui duas cadeiras, independentemente do tamanho da população. Já na Câmara dos Representantes, as vagas são distribuídas por distritos eleitorais mapeados conforme a densidade populacional de cada estado. Os deputados cumprem mandatos de dois anos, enquanto os senadores exercem mandatos de seis anos, com a Casa renovada em terços a cada dois anos.
Embora o nome de Trump não esteja nas urnas, o pleito é considerado um teste decisivo para os dois últimos anos de seu governo. Atualmente, o Partido Republicano detém a maioria nas duas Casas Legislativas.
No entanto, pesquisas recentes, como o levantamento Reuters/Ipsos divulgado em 19 de outubro, apontam que 66% dos eleitores desaprovam a gestão do presidente, impulsionados pela insatisfação com o alto custo de vida e a condução da economia. Projeções indicam favoritismo do Partido Democrata para retomar o controle tanto da Câmara quanto do Senado.
Além da disputa entre democratas e republicanos, a eleição registra o fortalecimento de movimentos progressistas e socialistas. Cerca de 131 candidaturas ao redor do país contam com o apoio da organização Socialistas Democráticos da América (DSA, na sigla em inglês), cujos integrantes concorrem filiados ao Partido Democrata.
O crescimento do grupo, impulsionado por lideranças como o senador Bernie Sanders, as deputadas Alexandria Ocasio-Cortez e Rashida Tlaib, e a vitória de Zohran Mamdani para a prefeitura de Nova York, é apontado por analistas como reação aos anos de “trumpismo” e às crescentes desigualdades sociais.
A disputa eleitoral nos Estados Unidos também produz reflexos na política brasileira. Parlamentares democratas passaram a usar a concessão de visto ao candidato presidencial derrotado no Brasil, Flávio Bolsonaro (PL), como munição contra o governo Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio. Integrantes da oposição criticam o acolhimento oferecido a um político investigado pela Justiça brasileira, enquanto o governo estadunidense impõe restrições a refugiados e imigrantes.













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