Em meio à perda de popularidade, o governo de Donald Trump enfrenta as eleições de meio de mandato, quando os eleitores estadunidenses estão renovando o Congresso. A tendência é que os democratas vençam na Câmara enquanto a disputa pelo Senado está mais indefinida.
O resultado do pleito deve alterar a correlação de forças e a expectativa é de impacto direto a Trump em pelo menos duas frentes: orçamento e possibilidade de abertura de investigações diversas sobre a atuação do presidente.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Clarissa Forner, professora de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), avalia que, tendo maioria na Câmara, os democratas certamente vão questionar Trump com relação à política tarifária.
“A questão inflacionária interna tem sido avaliada como um rescaldo dessa política tarifária bastante agressiva”, afirma. “Eu não acho difícil ter investigação sobre a possível interferência de Trump em eleições estrangeiras e aí, não é só sobre o caso brasileiro, mas em tantos outros casos em que isso possa ter ocorrido”, aponta.
A guerra no Irã tem sido bastante considerada pelo eleitorado, o que foge um pouco da tendência das eleições de meio de mandato, que, segundo Forner, “têm um conteúdo muito doméstico”.
Um elemento que, segundo a professora, deve pesar na decisão do eleitor é a economia. Embora os índices macroeconômicos não sejam desprezíveis, há uma sensação geral de piora na qualidade de vida.
“Não há uma percepção de melhora dos índices econômicos para a população. Há uma sensação de que o preço do mercado está alto, que o preço do acesso à saúde está muito caro e não é igualitário, e tudo isso somado a um conjunto de políticas que vem sendo adotado pelo Trump e que têm se tornado cada vez mais impopulares”, afirma Forner.
Uma dessas pautas é a questão migratória, que, durante um tempo, chegou a ser mais lateral, arranhando muito pouco a imagem de Trump. Contudo, o enrijecimento de medidas de proteção de fronteiras, atrelado à violência da atuação da polícia de imigração (ICE, na sigla em inglês), fizeram com que a população reagisse.
“Houve uma crescente perda de popularidade de Trump, sobretudo entre o eleitorado latino e o eleitorado negro, que são eleitores que tradicionalmente se alinham mais aos democratas, mas que, na eleição de 2024, acabaram pendendo mais para o lado do Trump”, aponta.
Clarissa Forner também avalia a projeção de candidaturas de políticos mais jovens e que fogem do tradicional cenário estadunidense. Entre ele, o democrata pró-Palestina, o médico Abdul El-Sayed, candidato ao Senado pelo Michigan.
“Ele seria o primeiro senador muçulmano da história. Isso é muito significativo. Mas, além dele, há outras tantas figuras que trazem o aspecto de juventude e a pauta da mudança. Além dos socialistas democratas, que se fortaleceram bastante desde a eleição de Mamdani à prefeitura de Nova York”, cita.
“Acho que o que está em teste é a capacidade de mobilização social democrata nos EUA. De ampliar e sustentar essa base, de pregar para além dos convertidos”, ressalta.
Para ouvir e assistir
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