No Dia Mundial da Alimentação, nada mais apropriado do que falar de comer bem, saudavelmente e com consciência. A data suscita reflexões e também traz elementos que permitem comemorar, como o fato de que o Brasil está fora do mapa da fome há pouco mais de um ano, conquista de políticas públicas do governo Lula. De certa forma, a alimentação é também um indicador de justiça social e bem-estar.
Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, Irina Cordeiro, chef de cozinha, empresária e influenciadora potiguar, fala de sua trajetória e como sua relação com o alimento vai muito além da comida em si. “Alimentação não é apenas um pilar base da humanidade, como foi um fator que transformou a minha vida. Eu, que vim de situações difíceis de escassez alimentar, hoje empreendo e transformo vidas por meio da comida”, celebra.
Vinda de um lar cercado de mulheres, Cordeiro conta que cresceu no universo dos alimentos, junto com a avó “quituteira”, a mãe que era muito boa na cozinha e o avô feirante. “Cresci no universo do que é o alimento, desde o seu cultivo, criar bichos, da cadeia alimentar, de respeitar isso com muito afinco”, revela.
Proprietária do restaurante Cuscuz da Irina, localizado no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, a chef considera que ainda há um certo elitismo e preconceito gastronômico que cercam pratos populares e regionais. Para ela, valorizar a culinária nordestina fora de recortes caricatos faz parte de uma desconstrução cultural e social necessária no país. “Cuscuz é comida do povo, não importa quem ele seja”, defende.
Para Irina Cordeiro, existe também uma dimensão social do alimento, que é, por exemplo, um elemento fundamental no desenvolvimento das crianças, por meio da merenda escolar. “Eu vivi isso e a comida da escola era a minha única refeição”, revelou a chef, que defende a garantia de uma alimentação adequada e diversificada na infância.
Ao tratar de agroecologia, a chef destacou a atuação do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), destacando a relevância dos assentamentos na produção agrícola sustentável e o cultivo do milho, base do cuscuz. A chef relembrou a famosa máxima “comer é um ato político” para explicar que a forma como o alimento é produzido e distribuído reflete as escolhas da sociedade.
“Para mim foi fácil entender que esse movimento sempre foi um movimento político. Se essa relação tá 100% coligada com o que vem do campo, primeiro a gente tem que, no Brasil, melhorar muito como funciona a preservação do nosso meio ambiente, como a gente tem incentivos para os homens do campo, para as famílias do campo e para as famílias que trabalham como pilar base dessa alimentação”, declarou Irina.
A chef também criticou o modelo baseado na exploração da monocultura e o avanço dos agrotóxicos na mesa dos brasileiros, defendendo o fortalecimento de sistemas agroecológicos que garantam alimentos íntegros e nutritivos para a população.
“O veneno está na mesa, isso é um fato, e cada vez o veneno vai aumentando na mesa do brasileiro. É importante ter políticas públicas para que a gente volte a ter alimento íntegro, saudável, que não adoeça, porque, afinal, o pilar da comida é curar, não adoecer”, pontuou.













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