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Decisão de Corte americana favorece setor de peixes

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A recente decisão da Justiça dos Estados Unidos que considerou ilegais as tarifas aplicadas sobre produtos brasileiros de pescado foi recebida com entusiasmo pelo setor de aquicultura. Para a Peixe BR  (Associação Brasileira da Piscicultura), a medida representa um sinal positivo para a retomada de investimentos e para a recuperação da competitividade no mercado norte-americano, especialmente para a tilápia.

Segundo avaliação do setor, a medida judicial surge após um período de forte impacto causado pelo chamado “tarifaço”, que elevou a alíquota de importação para cerca de 40% sobre produtos brasileiros, atingindo em cheio as exportações de filé de tilápia. Antes disso, a tarifa era zero, o que colocava o Brasil em condição de igualdade com concorrentes diretos, como países sul-americanos.

Mesmo com a taxação elevada, as empresas mantiveram presença no mercado externo por meio de acordos com parceiros comerciais e redução de margens. Em alguns momentos, exportadores chegaram a operar praticamente sem lucro para preservar contratos e relacionamento com compradores. Como resultado, o volume exportado em 2025 ficou semelhante ao de 2024, embora com rentabilidade menor.

Novos mercados

A tilápia é hoje o principal item de exportação do pescado brasileiro em volume, seguida pelo tambaqui. O mercado dos Estados Unidos concentra historicamente cerca de 90% das vendas externas desses produtos. Com a alta das tarifas, o setor buscou alternativas e fortaleceu a presença no Canadá. Parte da produção passou a ser enviada por via aérea aos Estados Unidos e, de lá, transportada por caminhões refrigerados até o mercado canadense — operação que não sofre incidência da tarifa americana por se tratar de trânsito logístico, e não de destino final.

A logística aérea é considerada essencial para o modelo de negócio, já que o filé fresco precisa chegar ao varejo em até 48 horas após o abate. O grande número de voos diários entre Brasil e cidades americanas, especialmente Miami, viabiliza o transporte de cargas perecíveis em escala — algo que não ocorre com a mesma intensidade nas rotas diretas para o Canadá.

Com a reabertura de perspectiva para redução ou eliminação das tarifas, o setor projeta retomada dos planos de expansão. Antes das barreiras comerciais, o Brasil havia alcançado a posição de quarto maior exportador de tilápia para os Estados Unidos e trabalhava para chegar ao segundo lugar. A avaliação é que, com tarifas abaixo de 20%, o produto brasileiro volta a ganhar forte competitividade, principalmente no segmento de filé fresco.

Em 2025, as exportações do setor somaram cerca de US$ 60 milhões. A expectativa inicial era atingir US$ 100 milhões, meta que agora volta ao radar caso haja rápida regularização das regras tarifárias. O setor também destaca que o período da Quaresma, tradicionalmente de maior consumo de pescado no mercado interno, ajuda a sustentar a demanda enquanto se reorganizam os fluxos de exportação.

Além do possível impacto direto nas vendas externas, a decisão judicial é vista como um fator de estímulo para novos investimentos em produção, processamento e estrutura industrial. A leitura é que, mesmo após as dificuldades, o setor sai mais diversificado em mercados e estratégias, o que pode elevar o patamar competitivo da piscicultura brasileira nos próximos anos.



Fonte: CNN Brasil, todos os direitos reservados

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