Como esperado por toda a audiência, o debate promovido pela TV Bandeirantes, na noite deste domingo (23), foi frio. Durante os três blocos do programa, Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) não confrontaram os seus projetos e preferiram falar sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não foi ao encontro, assim como Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo).
Durante o debate, Renan Santos criticou o fim da escala 6×1, projeto defendido pelo governo de Lula e centro da reivindicação de trabalhadores, sindicatos e movimentos populares. “Alguém chega para você e fala que você trabalhar menos e vai ganhar mais. Este mesmo cara falou que você ia comer mais picanha. Esse mesmo cara falou que ia taxar as blusinhas e os eletrônicos, você acredita? Muita gente acreditou. O projeto foi capitaneado pela Erika Hilton, uma mulher muito grande, modelo de passarela. Não acredite nesses políticos que dizem que você vai trabalhar menos e ganhar mais.”
Renan também criticou o eleitor brasileiro que escolheu votar em Lula “porque ainda acredita que Lula é a única fonte de comida dele”. “O eleitor restante que apoia esse cara está sendo canalha. Canalha. Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele”.
O candidato do Missão foi criticado por Cury. “Renan, você tem um nível de agressividade que assombra. As ideias podem ter fundamento, mas a agressividade asfixia. Na democracia, a beleza está na divergência. Você pode criticar as ideias de Lula, e são criticáveis, mas não pode criticar a pessoa, transformando ela quase numa escória humana.”
Caiado tentou jogar força no tema da Segurança Pública. Para o candidato do PSD, que estava acompanhado de seu vice, Gilberto Kassab (PSD) que foi flagrado dormindo durante o debate, a solução é dar mais autonomia aos estados. O ex-governador de Goiás disse, ainda, que caso eleito classificará as facções criminosas como “organizações terroristas”, ideia que anexa o Brasil aos interesses dos EUA. “Me dê um mandato e você vai ver que bandido não vai mandar em um palmo do Brasil”, finalizou.
Cury criticou a rivalidade entre o PT e os Bolsonaro, que tem dado o tom das eleições desde 2018 no país. “O Brasil está dramaticamente doente, radicalizado, polarizado. Venderam uma ideia mentirosa de que estamos em dois barcos, mas estamos em um só, nem direita nem esquerda, chamado ‘família brasileira’”, encerrou.
Ausentes
Lula confirmou que não compareceria ao debate ainda na última segunda-feira (17). O petista criticou o TV Bandeirantes por ferir a regra eleitoral e convidar Augusto Cury, Romeu Zema e Renan Santos, que estão em partidos que não possuem representatividade no Congresso suficiente para que entrem nos debates. No horário do debate a Record exibiu uma entrevista exclusiva com o presidente.
A campanha do petista cobrou da Bandeirantes que convidasse candidatos de esquerda que estão na mesma condição, mas que não forem lembrados pela emissora paulista. São eles: Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO).
Flávio Bolsonaro decidiu não ir após o anúncio de que Lula não estaria, alegando que seu “principal adversário não participaria”. Romeu Zema tornou público que não participaria do encontro da Bandeirantes horas antes do debate, alegando que sem os dois principais candidatos, não havia interesse de sua campanha em comparecer à emissora paulista.













Deixe um comentário