O curta-metragem “Orun – O Mundo dos Orixás”, do cineasta Thiago Xavier, ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações orgânicas no YouTube. Lançado em junho de 2024, o filme apresenta os 16 orixás do candomblé, tanto como divindades quanto como arquétipos ligados à natureza, numa experiência guiada por toques, danças e cores. A produção foi viabilizada pela Lei Paulo Gustavo, com apoio do governo federal e da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Turismo de São João de Meriti, na Baixada Fluminense (RJ).
Segundo o diretor, o objetivo era aproximar o público da espiritualidade de matriz africana. “Eu queria que as pessoas não apenas ouvissem falar dos orixás. Eu queria que elas vivenciassem isso através da arte, através do audiovisual, celebrando a nossa ancestralidade, vivenciando a cultura afro-brasileira e, com isso, ajudando a combater o racismo religioso”, explicou, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, na última sexta-feira (30).
Arte contra o racismo religioso
Para Thiago Xavier, o filme também é uma resposta ao racismo religioso enfrentado pelas religiões de matriz africana no país, que se manifesta em episódios frequentes de ataques e destruição de terreiros. Segundo ele, essa violência é alimentada pela falta de conhecimento.
“O racismo religioso a gente combate com conhecimento, com realidade, mostrando arte, beleza, mostrando a beleza e a riqueza da cultura. Com isso, acredito que a gente consegue ajudar a romper esses estigmas que foram construídos historicamente”, afirmou.
Adepto de religião de matriz africana, o diretor diz que a própria vivência foi o que permitiu retratar o sagrado com verdade, e que isso aproximou do filme tanto quem é do candomblé quanto quem não conhecia a religião. “As pessoas acabaram se identificando, tanto as que são da religião quanto as que não conhecem, que passaram a admirar. Amigos que não são da religião vieram me dizer: ‘Agora eu sei que Oxum é da cachoeira e que Iemanjá é das praias’”, contou.
O cineasta afirmou que se preparou para receber críticas, mas que a reação ao filme tem sido positiva. “Eu estava preparado para as críticas, mas até hoje o que eu tenho recebido foram só respostas positivas, e fico muito feliz de ter alcançado isso”, disse.
Produção independente
O curta foi a primeira experiência de Thiago Xavier, videomaker e fotógrafo, com o audiovisual financiado por edital. Fundador da Ofabebé Produções, ele conta que precisou acompanhar todas as etapas do projeto. “Foi a minha primeira experiência com audiovisual, com edital. Eu tive que colocar a mão em todas as etapas, desde a pré-produção até a questão mais burocrática”, relatou.
O filme recebeu os prêmios de Melhor Direção e Melhor Filme Experimental em festivais da Baixada Fluminense e foi exibido em mostras como o Sesc Pulsar e o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, além do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A obra também passou a ser usada como material de estudo em uma escola de arte no Rio de Janeiro.
“Orun – O Mundo dos Orixás” está disponível gratuitamente no canal da Ofabebé Produções no YouTube. “Gostaria que todo mundo compartilhasse e deixasse um comentário do que achou, do que sentiu”, convidou o diretor.













Deixe um comentário